Planalto quer atuação de ministros para articular aprovação da reforma da Previdência

Por Painel

Força-tarefa Prevendo dificuldades para aprovar a reforma da Previdência, o Planalto quer estender sua articulação política para o “conjunto mais amplo possível”, acionando ministros e outros membros do governo com influência sobre os deputados para cobrar fidelidade das bancadas. A mensagem será a de que os aliados não podem cruzar os braços nessa operação. O governo quer firmar o compromisso desde já para evitar a necessidade de procurá-los na última hora para apagar incêndios.

Corda esticada André Moura, antigo líder do governo, volta ao Planalto nesta quinta (2) para ouvir um pedido de ajuda, mas tem pouca disposição de ceder. Já disse que, agora, os 50 deputados de seu grupo se sentem desobrigados de apoiar o governo.

Escolhas
Michel Temer voltou da viagem de Carnaval considerando que a solução política para o Itamaraty — leia-se o senador Aloysio Nunes — está um passo à frente da solução interna — o embaixador Sérgio Amaral.
Esterçou Pelo menos no estacionamento do Planalto, Temer estava correto quando dizia que Moreira Franco já era tratado como ministro. A vaga de seu carro já o identificava como tal, quando ele ainda era apenas secretário.

Reta final
Na Câmara, Osmar Serraglio (PMDB-PR), futuro ministro da Justiça, usou o limite da cota parlamentar com adicional de presidente de comissão: R$ 467 mil em 2016. Como em outros anos, o gasto acelerou em dezembro.

Antes tarde
Serraglio gastou R$ 66 mil no último mês do ano passado — era o que faltava para atingir o máximo permitido. O saldo que não é usado se acumula ao longo do exercício financeiro, mas não pode ser transferido para o ano seguinte.

Por partes
Temer decidiu vetar parcialmente o projeto de lei de reestruturação da EBC. Será excluído o trecho que obrigaria a estatal a cumprir decisões do Comitê Editorial e de Programação, órgão criado pelo Senado na tramitação da medida provisória.

Tão perto, tão longe
Chamou a atenção de envolvidos na Lava Jato a distância de cerca de 200 metros entre os escritórios de José Yunes e de Lúcio Funaro depois de o amigo de Michel Temer ter dito que serviu de “mula involuntária” de Eliseu Padilha.

Vizinhança Na hipótese levantada por um observador, Padilha teria pedido que Funaro deixasse o “pacote” para um emissário retirar menos de uma hora depois no escritório de Yunes, e não no do próprio Funaro, só para “lavar” a sua origem.

Logo ele
 No Planalto, há a avaliação de que o depoimento de Marcelo Odebrecht reforçará a artilharia contra Padilha, cuja permanência na Casa Civil está em xeque.

Fla-Flu Quem acompanhou a fala notou que o executivo se referiu às doações à campanha de Dilma e Temer como feitas “ao PT” — para peemedebistas, isso ajuda a tese da separação da chapa.

Mão na massa Após conversar com Lula nesta quarta (1º), o deputado Orlando Silva (PC do B-SP) se disse surpreendido com o esforço do ex-presidente em construir sua candidatura em 2018. “Não é retórica ou especulação, é um sinal concreto.”

Roteiro Lula tem feito rodadas de conversa com economistas — a próxima, ainda em março, terá nomes como o de Luiz Gonzaga Belluzzo — para “entender a crise econômica nacional e elaborar programas para sair dela”, segundo Orlando Silva.

Na fila
Os próximos alvos de pedidos de prisão devido ao motim no Espírito Santo serão policiais militares que armaram uma confusão no sábado (25), permitindo que o ex-deputado Capitão Assumção escapasse depois de receber voz de prisão.

Sem resposta Diante do silêncio do Ministério da Fazenda após uma carta enviada por Fernando Pimentel (PT) pedindo um acerto de dívidas, o governo mineiro avalia que a saída política está se esgotando e será preciso cobrar a União na Justiça.

Mais pressão A estratégia do governo de Minas agora será alertar os prefeitos de que 25% dos R$ 135,7 bilhões arrecadados com ICMS que o Estado cobra da União são destinados aos municípios.

TIROTEIO
É o lugar de onde Temer não deveria ter saído. O Alvorada é para o presidente eleito. A gente só tem a lamentar os gastos com a mudança.
DA DEPUTADA ALICE PORTUGAL (PC DO B-BA), sobre o retorno do presidente ao Jaburu, residência do vice, após oito dias no Alvorada e R$ 24 mil em reformas.

CONTRAPONTO

Mudança de hábito

Já passava da meia-noite quando Benito Gama (PTB-BA) levantou-se da mesa de jantar na casa de Fábio Ramalho (PMDB-MG) — recém-eleito vice-presidente da Câmara — e começou a se despedir dos cerca de dez deputados que resistiam ao horário. O grupo celebrava a vitória do peemedebista, ainda no início de fevereiro.

Silvio Costa (PT do B-PE), acostumado a estender os jantares, reclamou com o colega:

— Já vai? Por que tão cedo?

Benito continuou o ritual de despedida. E devolveu:

— Silvio, você agora é oposição e só precisa discursar. Eu virei governo, tenho de trabalhar!