Contra reforma da Previdência, PT constrangerá aliados de Temer em seus redutos eleitorais

Por Painel

Contra o feiticeiro Com o fim do recesso e a elevação da temperatura do debate sobre a reforma da Previdência, o PT planeja pôr em prática estratégia semelhante à que foi usada no impeachment pelos adversários de Dilma Rousseff. A sigla elencou as dez cidades nas quais cada deputado aliado de Michel Temer foi mais votado. O plano é constranger a base do governo nesses locais, principalmente no Nordeste, por meio de vereadores e movimentos populares, intensificando assim a campanha contra a reforma.

Igual, mas diferente A ideia, segundo um petista, não é expor nominalmente os deputados aliados ao peemedebista, como foi feito na queda de Dilma, mas estimular o eleitor desses locais a cobrar os parlamentares para ir contra a reforma de Temer.

Vai na fé Um grupo de deputados do PMDB busca respaldo interno para lançar um movimento pedindo que dirigentes do partido atingidos pela Operação Lava Jato sejam afastados de suas funções no comando da legenda.

Logo quem A ala peemedebista é capitaneada, veja só, pelo deputado Carlos Marun (MS), que liderou a tropa de choque de Eduardo Cunha na Câmara e chegou a visitá-lo no presídio em Curitiba.

De olho na urna A medida atingiria, por exemplo, o senador Romero Jucá, presidente da sigla. “Não podemos passar a campanha de 2018 inteira nos defendendo da Lava Jato. A direção precisa estar isenta para não contaminar o partido”, diz Marun.

Gato escaldado O ministro Roberto Freire (Cultura) tem dito a pessoas próximas que superou a crise com o escritor Raduan Nassar, mas, diante da turbulência vivida atualmente pelo governo Temer, já está pronto para a próxima. “Logo vem outra”, diz.

No bolo Quando confirmou a homologação das delações da Odebrecht, o STF disse se tratar de 78 colaboradores. É que, além de 77 executivos da empresa, o grupo baiano incluiu Fernando Migliaccio, um dos responsáveis pela “diretoria da propina”.

Vida boa Denunciado por lavagem de dinheiro, Migliaccio deixou o Brasil com a eclosão da Lava Jato rumo aos EUA. Acabou preso tempos depois na Suíça. Retornou ao país com o acordo em negociação avançada. Desde então, costuma ser visto em locais badalados de São Paulo.

Tudo que tinha  Auditoria da CGU nos Correios mostra como a retirada em massa de dinheiro da empresa pelo governo contribuiu para deixar a estatal em maus lençóis. De 2011 a 2013, foram repassados quase R$ 3 bilhões ao então governo Dilma Rousseff.

Até o que não tinha A União solicitou em 2013 a antecipação de R$ 300 milhões em dividendos, ou 97% do lucro no ano. Descobriu-se depois, porém, que os Correios tiveram na verdade prejuízo — e não lucro a distribuir.

Deu no que deu Os auditores notam no documento que, em 2015, a empresa já recebia menos do que gastava. E o caixa, dilapidado pela União nos anos anteriores, estava à míngua. Em 2016, os Correios registraram novo prejuízo, de R$ 2 bilhões.

Seja eu Antes de se ausentar pela primeira vez da cidade, João Doria (PSDB) deixou instruções para o vice, Bruno Covas, sobre como proceder no comando da Prefeitura de São Paulo. Pediu ao aliado que montasse uma agenda “exatamente como a dele”.

Tempo é dinheiro A indústria defende que o governo acelere tratativas para o acordo que possibilitará o uso pelos EUA do centro de lançamento de Alcântara (MA).

Janela Levantamento feito pela CNI mostra que os 21 lançamentos comerciais de satélites realizados no mundo ao longo de 2016 geraram receitas de US$ 2,5 bilhões. A entidade acredita que o acordo com os americanos pode ajudar a inserir as empresas brasileiras nesse mercado.


TIROTEIO

Após 49 anos trabalhando sem parar, a Previdência pagará 100% da média dos salários recebidos. É brutal. É cruel!

DO DEPUTADO JOSÉ MENTOR (PT-SP), sobre as mudanças nas regras do sistema de aposentadorias defendidas pelo governo e em discussão no Congresso.


CONTRAPONTO

Quem guarda tem

Em passagem por São Paulo, o deputado Heráclito Fortes (PSB-PI) aguardava para jantar na fila de uma pizzaria nos Jardins quando recebeu uma ligação do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O tucano avisava que iria encontrá-lo no local para que pudessem conversar.

— Apresse essa mesa que o governador está chegando! — gritou Fortes em direção aos garçons.

Mesa posta com rapidez, os dois jantaram. Ao final do encontro, Alckmin fitou as fatias de pizza que haviam sobrado na mesa e perguntou:

— Vocês vão comer? Posso, então, levar para a Lu?

E saiu satisfeito carregando a marmita para a mulher.