Partidos aproveitam negociação com TSE para tentar abrandar regras de funcionamento das siglas

Por Painel

Onde passa boi… Partidos aproveitam a negociação aberta com o TSE sobre o projeto de lei que tira poderes do tribunal para tentar abrandar as normas que tratam do funcionamento das siglas. Na reunião com dois ministros da corte durante a semana passada, propuseram, por exemplo, limitar a relação de autoridades proibidas de fazer doações aos partidos fora do período eleitoral. Querem também isentar diretórios municipais que não movimentaram recursos da obrigação de prestar contas.

Vai com calma As propostas levantadas na reunião ainda passarão pelo crivo dos técnicos do tribunal e pela cúpula da corte antes de se chegar a um entendimento definitivo do grupo de trabalho que discute as alterações.

Batata quente O PSDB desistiu de pedir acesso antecipado às delações da Odebrecht para se preparar para as oitivas com ex-executivos que serão feitas pelo TSE no processo de cassação da chapa Dilma-Temer quando soube que a defesa do presidente poderia fazer a solicitação.

Deixa pra lá Já Temer decidiu não se manifestar antes das audiências de Marcelo Odebrecht e outros. Envolvidos na estratégia dizem que houve “decisão em conjunto”, política e técnica, de dizer que há “tranquilidade” — mas notam que tais pedidos são, em geral, corriqueiros.

Senta lá A possibilidade de pedidos de audiências e perícias nas próximas fases do julgamento , no entanto, continua no horizonte da defesa.

Formigueiro Em uma conversa com um auxiliar próximo, Michel Temer externou surpresa com a velocidade com que se multiplicam os candidatos a ministro. Para um dos cargos, disse, tinha mais de dez nomes à mão assim que a vaga surgiu.

Logo isso? O Planalto não gostou nada da ênfase dada pelo relator da reforma tributária, Luiz Carlos Hauly (PSDB), na recriação da CPMF. Acha que o momento pede tudo, menos um foco em uma medida impopular como essa logo de saída.

Nem me viu José Yunes, amigo de Temer que recebeu um “pacote” de Lúcio Funaro em 2014, diz a quem questiona a identidade da pessoa que foi buscar a encomenda que se tratava de um homem que se apresentou apenas como “a mando de Lúcio”.

Vapt-vupt Nas contas do ex-assessor presidencial, passaram-se 40 ou 50 minutos entre a entrega do envelope e a chegada do remetente.

Aqui e agora Defensores de que o Supremo reduza, por conta própria, o alcance do foro privilegiado para políticos veem o momento atual como o mais propício para a corte discutir o tema — apesar de ele não ter entrado na pauta de março do tribunal.

Sem vácuo A avaliação é que, se há um entendimento de que a medida seria positiva e há clamor público — mas o Congresso não toma a iniciativa –, não se pode reclamar de o STF suprir essa lacuna.

Muda mais O arquiteto Rogério Carvalho, ex-curador do Palácio da Alvorada, soltou o verbo na internet para criticar a decoração da residência de Michel Temer. Ele chamou de “tela de galinheiro” a nova rede de proteção instalada na varanda.

Não se discute Também postou foto de um vaso sobre uma mesa do século 19 “sem prato de proteção contra umidade”. E ironizou a decoração: “O gosto apurado pode ser notado. As esculturas de Brecheret ficarão de boca aberta ad eternum”.

Me dê motivo Os petistas contrários à possibilidade de o partido apoiar o tucano Cauê Macris à presidência da Assembleia paulista têm dito que só os cargos na Mesa explicam o desejo pela aliança.

Na ponta do lápis A composição com o PSDB dá ao PT cerca de 60 postos, o que significa R$ 1 milhão por mês em salários e gratificações.


TIROTEIO

O sapo não pula por beleza, mas por necessidade. As reformas não são escolhas, são imposições inadiáveis da realidade.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), sobre as reformas propostas pelo governo Temer e a resistência da base aliada em aprová-las no Congresso.


CONTRAPONTO

“Verba volant, scripta manent”

Antes da sabatina de Alexandre de Moraes no Senado, na terça-feira (21), congressistas do PSOL levaram escritas em cartazes sugestões de perguntas como “Excelência acadêmica comporta plágio?” e “Réu escolhe o juiz?”.
Como a segurança só permitiu a entrada se os cartazes não fossem erguidos, os deputados decidiram entregá-los a senadores. O tucano Aloysio Nunes reclamou:

— Então vocês do PSOL querem impedir a sabatina?

Chico Alencar rebateu:

— Ao contrário. Estamos aqui trazendo indagações que podem fazer com que ela não seja um chá em chalana… E perguntar não ofende.