Para evitar descontrole da base, Temer delega articulação a André Moura mesmo após demissão

Por Painel

Quarta-feira de Cinzas Em meio a uma das fases mais agudas da crise política, Michel Temer decidiu atribuir a André Moura, mesmo demitido da liderança do governo, tarefas da articulação política para estancar uma possível sangria de votos na tramitação de suas reformas na Câmara. O Planalto avalia que o deputado acumulou experiência e dialoga com uma ala do centrão que não é a mesma de Aguinaldo Ribeiro, novo líder. Moura será recebido no Planalto logo após o Carnaval para acertar os ponteiros.

Todos por um Um ministro resume assim a estrutura da articulação com o Congresso: “Não importa se é ligado a A, B ou C. O que precisa é ter funcionalidade”.

Teus sinais A Procuradoria da Câmara, oferecida como espaço a André Moura, foi também um gesto do PMDB em direção à pacificação: ela estava prometida ao deputado Carlos Marun, presidente da comissão da Previdência.

Mudou? O Planalto estranha a grita de Fábio Ramalho, vice-presidente da Câmara, contra a falta de mineiros na Esplanada. Auxiliares do presidente dizem que o próprio deputado colocou empecilhos à ida de Rodrigo Pacheco para o Ministério da Justiça.

Barriga vazia No Planalto, a equipe de Temer diz que a maior perda com o rompimento de Ramalho será gastronômica: o deputado era famoso por oferecer feijão tropeiro. Levou o prato inclusive a uma viagem presidencial.

Trem bão O nome de Antonio Anastasia começa a ser ventilado para a Casa Civil, se Eliseu Padilha não reassumir. Além de atender Minas, o tucano ganhou fama de bom gestor no governo do Estado.

Tudo de novo A cada vez que o nome de Anastasia surge como ministeriável, o senador repete à sua equipe o argumento: não ficaria bem ao relator do impeachment assumir um cargo no governo.

Asas Contra a indicação de Aloysio Nunes ao Itamaraty pesa eventual pretensão eleitoral em 2018: ele teria de deixar o cargo para concorrer.

Menos pior A versão de José Yunes sobre ter sido a “mula involuntária” de Eliseu Padilha soou a ouvidos familiarizados com as tramas da Lava Jato como a mais conveniente possível aos dois e a Michel Temer, diante dos fatos delatados pela Odebrecht.

Inconclusivo Dificilmente o relato sobre o “pacote”, que “parecia um documento um pouco mais espesso”, de acordo com Yunes, levaria a uma responsabilização penal por si só pela verossimilhança questionável da narrativa, sustenta um criminalista.

Física Supondo que houvesse R$ 1 milhão em espécie no “pacote” deixado pelo doleiro Lúcio Funaro: seriam 10 mil notas de R$ 100, que ocupam mais ou menos o espaço de quatro pacotes de papel sulfite A4 de 500 folhas.

No ventilador De Júlio Delgado (PSB-MG) sobre Yunes dizer ter ouvido que 140 deputados foram financiados para eleger Eduardo Cunha presidente da Câmara: “A divulgação dessa lista é questão de honra para a Casa. Cunha não quer fazer delação?”.

Estamos aqui O Novo Rumo decidiu enfrentar a CNB, corrente majoritária do PT, em São Paulo. Vai lançar, na próxima semana, a vereadora Juliana Cardoso à presidência do partido na capital paulista. Até então, Paulo Fiorilo era candidato único.

Clima instável Embora Fiorilo, que tenta a reeleição, mantenha o favoritismo, a avaliação é de que, diante da insatisfação de parte do PT com os rumos da sigla, a vereadora tem força para provocar turbulência na disputa.

Ressaca Na véspera do Carnaval, o clima era de apreensão na Câmara Municipal de SP. Logo depois do feriado,o presidente Milton Leite (DEM) divulgará os cortes de servidores com supersalários. Hoje, 141 funcionários na ativa recebem acima do teto.


TIROTEIO 

Quando a economia dá sinais de recuperação e pode sair da UTI, propor a recriação da CPMF é como desligar os aparelhos.

DO DEPUTADO EFRAIM FILHO (PB), líder da bancada do DEM, sobre a proposta que consta da reforma tributária relatada por Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR).


CONTRAPONTO

Agora entendi

Durante votação na Câmara Municipal de São Paulo, quarta-feira (22), do projeto que inclui o Dia da Mulher Quadrangular no calendário oficial da cidade, o vereador Eduardo Suplicy (PT) foi ao microfone:

— Gostaria que me explicassem o que vem a ser a mulher quadrangular…

O autor da proposta, Rinaldi Digilio (PRB), explicou que mais da metade das lideranças da Igreja do Evangelho Quadrangular é formada por mulheres. A homenagem, sempre em 9 de outubro, disse, celebraria o nascimento da fundadora da igreja, Aimee McPherson.

Suplicy agradeceu e votou a favor do projeto.