Conselhão vai propor à equipe econômica imposto sobre valor agregado para substituir tributos atuais

Por Painel

Um por todos O Conselhão de Michel Temer vai sugerir à equipe econômica a criação de um imposto sobre valor agregado federal para substituir atuais tributos sobre consumo e produção. A proposta é a principal do comitê que discute a melhoria do ambiente de negócios no colegiado. Ela será apresentada nesta terça à Fazenda e à Receita e, se passar pelo crivo dos técnicos, será submetida a Temer. O grupo também vai propor uma PEC para dar segurança jurídica a matérias de tributação e regulação.

Vocês por aqui? O comitê do Conselhão que formulou a proposta conta com queridinhos do Planalto como Jorge Gerdau e Roberto Setúbal.

Muita calma Um dos motivos pelos quais Temer desistiu de enviar um novo projeto de lei sobre o direito de greve de servidores públicos foi o receio de despertar mais animosidade nos sindicatos.

Para inglês ver Na prática, entretanto, a proposta com mais força hoje no Planalto não difere disso: emplacar seu projeto como um substitutivo ao texto de Aloysio Nunes, líder no Senado.

Me dê motivo Antes de marcar o ato de 26 de março, o Vem Pra Rua vinha sendo pressionado a voltar às ruas. A retomada da discussão da anistia ao caixa dois e o projeto que tiraria poderes do TSE acenderam o sinal de alerta.

Acelera “São demonstrações de que querem se perpetuar no poder”, diz Rogério Chequer, líder do movimento.

Em partes O Planalto concorda com Rodrigo Maia quando o presidente da Câmara diz que precisa de alguém na liderança do governo com quem tenha afinidade, mas avalia que a disputa já foi mais longe do que devia.

Recordar é viver Palacianos lembram que ele foi eleito — senão com apoio — ao menos em sintonia com o Planalto. E que não pode virar as costas completamente para a vontade de Temer.

Assim, sim O relator da reforma da Previdência, Arthur Maia, e o presidente do PPS, ministro Roberto Freire, se insurgem contra parlamentares da sigla que veem necessidade de mudar o texto.

Nem aí Cristovam Buarque, o único senador do PPS, dá de ombros. “Partido que tem ministros na Esplanada tem a obrigação de alertar o governo de seus erros”, diz.

Vistas Lindbergh Farias vai pedir que seja adiada a sabatina com Alexandre de Moraes para a vaga no STF. O senador entrou com representação na PGR para que seja investigada a fala do ministro de que havia novidades na Lava Jato na véspera da prisão de Antonio Palocci.

Olho no lance O petista também cobra explicações sobre a apuração da tentativa de um hacker de chantagear Marcela Temer ter ficado concentrada em São Paulo, na Divisão Anti-Sequestro, sob o comando de Moraes.

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Marinheiro Anfitrião da sabatina informal com Moraes, Wilder Morais (PP-GO) gosta de passear pelo lago Paranoá. Sua chalana Champagne já foi vista ancorada na casa de outros senadores.

Passos curtos Vereadores de SP correm para instalar uma CPI para apurar prejuízos com recapeamento na cidade. O prazo vence na quarta (15), mas PT, PRB e DEM não indicaram membros, embora já o tenham feito para outras duas comissões.

Precedentes Nos bastidores, vereadores desconfiam de tentativa de extorsão dos investigados. O presidente da CPI, Eduardo Tuma (PSDB), diz que ela “muito provavelmente será instalada” e que a suspeita é “grave e além do meu conhecimento”.

Focado Outra das comissões que serão instaladas será voltada ao estudo da migração em São Paulo. Vem sendo tratada nos corredores da Câmara como “terapia ocupacional” para Eduardo Suplicy (PT), que a presidirá.


TIROTEIO

Não existe vedação prévia na Constituição. Que o erro, pela notoriedade dos envolvidos, sirva para que não mais se adote essa prática.

DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (REDE-RJ), sobre decisão da Justiça, a pedido do Planalto, de censurar reportagens da Folha e de ‘O Globo’ sobre tentativa de extorsão a Marcela Temer.


CONTRAPONTO

Quem é o pai?

Em sua exposição na Fundação FHC, na última sexta, o presidente do TST, Ives Gandra Filho, dizia esperar que a reforma trabalhista fosse aprovada no primeiro semestre. Em seguida, viriam mudanças na Previdência e a reforma sindical — o cerne, disse, deve ser o imposto para evitar que sejam criadas corporações sem representatividade, a chamada “fábrica de sindicatos”.
Ricardo Patah, presidente da UGT, o interrompeu:

— Mas a própria Justiça do Trabalho colabora com a fábrica. Aprova sindicatos sem certificar a documentação.

Ainda com a plateia atenta, o sindicalista prometeu:

— E vou levar as provas para o senhor em Brasília!