Apesar de recuo da Câmara, projeto que reduz poderes do TSE deve criar novo embate com a corte

Por Painel

Menos é mais Nem o enxugamento na proposta que reduz poderes da Justiça Eleitoral, articulado pela Câmara após a repercussão negativa do texto, satisfez os ministros do TSE. Na negociação com dirigentes partidários, o tribunal deve bater o pé pela exigência de que as siglas transformem diretórios provisórios em definitivos, o que acaba enfraquecendo caciques políticos. Ministros da corte até aceitam uma transição gradual, mas não abrem mão de manter o que já haviam decidido em resolução.

Lá e cá A decisão do TSE na terça-feira (7) de manter Agnelo Queiroz (PT) inelegível por abuso de poder político na campanha ao governo do DF em 2014 — mas absolver seu candidato a vice, Tadeu Filippelli (PMDB) — deu ânimo à defesa de Michel Temer.

Fazendo coro O precedente já existia no TSE, mas foi reiterado pela atual composição — o que, segundo advogados, ajuda a argumentação do presidente de separação da chapa com Dilma Rousseff, no processo que pede a cassação da dupla.

Em tempo Gilmar Mendes não recebeu o procurador Flávio Willeman no Supremo, mas o atendeu no TSE, onde ganhou a camisa do Flamengo, com seu nome nas costas.

Vai ou racha Há uma movimentação no Senado — e do interesse do governo — para antecipar para a próxima semana a votação em plenário da indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo. Há a avaliação de que uma espera longa o deixa vulnerável.

Dobro Ademais, a aprovação de Moraes para o STF liberaria o presidente a nomear o novo ministro da Justiça.

Pode vir quente Com as declarações de Rodrigo Maia sobre o inquérito de que é alvo nesta quinta (9), a eleição de Edison Lobão para a CCJ no Senado e a nomeação de Moreira Franco, a Lava Jato vê a classe política “pintada para a guerra” para enfraquecê-la.

Microcosmo Michel Temer deu a telefonar ele próprio para deputados do centrão para avisá-los de nomeações do segundo escalão de estatais desimportantes. “Quer mostrar de todo jeito que está ajudando”, diz um dos que receberam a ligação.

Greve A cúpula da Câmara não quer votar nada de interesse do Planalto até que se definam os nomes dos líderes do governo e da maioria.

Em construção Com a hipótese de o ex-presidente Lula desistir de assumir a presidência do PT depois da morte de Marisa Letícia, ao menos três candidaturas passaram a ser construídas.

No páreo O senador Lindbergh Farias trabalha para se consolidar internamente. Seu nome não é consenso, mas agrada os que defendem mudanças. O líder da minoria no Senado, Humberto Costa, e o deputado Paulo Teixeira também podem concorrer.

Passagem livre Há um acordo informal, no entanto, para que todas as candidaturas sejam retiradas caso Lula aceite comandar a sigla.

Teste Nos corredores da Câmara paulistana, vereadores diziam que esta sexta (10) será a primeira prova de fogo da gestão João Doria. Está na pauta de votação o projeto que repreende pichadores.

Das arábias Uma das principais atividades de João Doria nos Emirados Árabes será no ADIA (Abu Dhabi Investment Authority), que administra o excedente da produção de petróleo da região.

Ideia fixa O prefeito espera convencer o xeque Khalifa bin Zayed Al Nahyan, presidente dos Emirados e comandante do fundo, a comprar um dos equipamentos públicos que quer privatizar.

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Capinagem Em novo sinal de que quer aproveitar o “estilo Doria”, o governador Geraldo Alckmin participará da ação Cidade Linda no sábado (11). Vai logo cedo, ao lado do prefeito, ajudar na limpeza da praça da República.


TIROTEIO

Quando um ministro chama protestos legítimos de baderna e ameaça convocar as Forças Armadas, a democracia perde de novo.

DE RAIMUNDO BONFIM, da Central de Movimentos Populares, sobre Eliseu Padilha afirmar que o governo tem de estabelecer a ‘ordem’ no país.


CONTRAPONTO

Sinal de estresse 

Na cerimônia em que deu posse a Moreira Franco em seu ministério, na última sexta-feira (3), Michel Temer se esforçou para justificar a necessidade do cargo — que acabou visto como tentativa de dar foro privilegiado ao assessor, mencionado nas delações da Odebrecht.

Em meio às explicações, Temer elencou as “outras tantas tarefas” que o auxiliar passaria a acumular — como as viagens presidenciais e a administração do Planalto — e brincou com a famosa cabeleira do novo ministro:

— Quando os senhores verificarem o que se adicionou à Secretaria-Geral da Presidência, verão que os seus cabelos ficarão ainda mais brancos… Se possível for!