Após reeleição de Rodrigo Maia, Temer faz aceno ao centrão para pacificar clima na Câmara

Por Painel

Vida que segue Tão logo foi proclamada a reeleição de Rodrigo Maia na Câmara, Michel Temer recebeu no Planalto representante do que restou do centrão para tentar pacificar o clima na Casa. Repetiu a versão de que o governo não interferiu na disputa, mas se disse disposto a fazer gestos em direção ao derrotado Jovair Arantes e a integrantes de seu grupo. Apesar da margem folgada de Maia, o presidente tenta fazer um aceno e vender o discurso de que não há vencedores nem vencidos.

Aqui se paga José Priante (PMDB-PA), que desistiu da candidatura a vice a pedido do partido, ouviu a promessa de ser agraciado com a presidência de uma comissão.

Com a fatura A oferta pode não sair, já que não há consenso de que ele se empenhou para transferir seus votos.

Carma Os três nomes que mais deram as caras no impeachment de Dilma Rousseff amargaram derrotas: Eduardo Cunha, que autorizou a ação, está preso. Jovair e Rogério Rosso, relator e presidente da comissão, se deram mal na disputa desta quinta.

Chico e Francisco Assim que Moreira Franco, citado na Lava Jato, ganhou status de ministro, o PT acionou sua área jurídica para estudar como pedir seu afastamento com base no mesmo argumento que impediu a nomeação de Lula na Casa Civil.

Pode, Arnaldo? “Estão criando um ministério com o claro intuito de proteger e dar foro privilegiado a Moreira”, afirma Lindbergh Farias.

Te quero O Planalto avalia que, ao trazer o PSDB para o “coração” do governo com a nomeação de Antonio Imbassahy, Temer evita repetir um erro cometido por Dilma Rousseff: o de não prestigiar como devia seu maior aliado — no caso, o próprio PMDB.

Fui por aí Em campanha para ser o candidato do PSDB ao Planalto em 2018, Geraldo Alckmin não se contentou em só emprestar bombas d’água para o combate à seca no Nordeste. Fez contato para tentar agendar uma visita à transposição do rio São Francisco.

Agora vai? Pouco antes de assumir a Lava Jato no Supremo, o ministro Edson Fachin liberou para o plenário um dos pedidos de Dilma para anular o impeachment. A liminar foi negada à época, mas o tribunal ainda não analisou o mandado em si.

Nos detalhes O indicado por Temer para o Supremo deve ser o revisor da Lava Jato no plenário do tribunal, onde são analisados os casos dos presidentes dos Poderes.

Preto no branco Advogados lembram que o regimento prevê que a função de revisor é do “ministro que se seguir ao relator na ordem decrescente de antiguidade” na corte — como hoje Fachin é o mais novo, o indicado por Temer ficaria com a função.

Menos é mais Com a criação do Ministério dos Direitos Humanos, Flávia Piovesan, que ocupava a pasta homônima, passa a chefiar a Secretaria de Cidadania. A nomeação da ministra Luislinda Valois teve as bênçãos de Alexandre de Moraes (Justiça).

Roendo unhas Quem acompanha a sucessão na corte diz que Moraes tem se mostrado inquieto. A seu favor, ele diz ter o apoio de Celso de Mello e Dias Toffoli e a simpatia de Gilmar Mendes.

Cabo de guerra Mendes, porém, defendeu Ives Gandra Filho, e Celso de Mello é próximo de Luis Felipe Salomão.

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Pelada Habitué dos campos de várzea, Paulinho da Força vai jogar em grama mais verde. Foi convidado para o futebol na casa do prefeito João Doria, no sábado (4).

Visita à Folha Marcelo Caetano, secretário de Previdência no Ministério da Fazenda, visitou a Folha nesta quinta (2), a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Marco Túlio Alencar, assessor de comunicação social.


TIROTEIO

Continua a tradição na democracia brasileira de que, na hora da tristeza, as diferenças são superadas, como se nunca tivessem existido.

DO EX-MINISTRO JOSÉ GREGORI, que acompanhou a visita de Fernando Henrique Cardoso a Lula, após o quadro de Marisa Letícia ter sido considerado ‘irreversível’.


CONTRAPONTO

Reeleito nesta quinta-feira (2) presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) conhece há anos as dificuldades do dia a dia na Casa.

Em 2002, ainda filiado ao extinto PFL, Maia subiu à tribuna para reclamar do então presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG), que tinha convocado sessão extraordinária em uma quarta-feira de manhã, bloqueando a atividade das comissões — ele presidia a de Trabalho.

— Essa urgência e essa pressa exageradas de votar todas as medidas provisórias não devem existir neste plenário –esbravejou. Em seguida, emendou:

— Isso não leva o Brasil a lugar nenhum.