Planalto vê com descrença ameaça do centrão e avalia que rebelião ‘não dura uma semana’

Por Painel

Pode vir quente O Planalto trata com descrença a capacidade do centrão de provocar uma rebelião em sua base aliada após a esperada vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na Câmara. Na avaliação do governo, a duração da grita “não passa de uma semana”. O atendimento das demandas fisiológicas do grupo — aliado ao perfil parlamentar de Michel Temer — seria suficiente para barrar o ímpeto rebelde. “Jogaram a Dilma na água e ela afundou. A gente cai na água e sai nadando”, diz um palaciano.

Surfando Principal rival de Maia, Jovair Arantes quer pegar carona na briga interna do PMDB para tentar levar a disputa ao segundo turno. Diz contar com o voto dos 28 deputados contrariados com a decisão da sigla de indicar Lúcio Vieira Lima como vice.

Noiva da vez Depois de se reunir com Lula, Temer, Maia e Jovair, Waldir Maranhão dá sinais de que não vai atrapalhar a vida do atual presidente da Casa, caso comande a eleição nesta quinta-feira (2): “A Câmara, no voto, vai saber o que é melhor para ela”.

Orelha em pé Investidores aqui e ali relatam uma preocupação com a eleição de Maia: dizem não saber se acordos fechados pelo presidente para atrair parte da esquerda — PC do B e parcela do PT incluídos — podem atrasar as reformas de Temer.

Rachado Embora tenha declarado apoio a André Figueiredo (PDT-CE), o PT deve dar metade de seus votos a Maia. Jovair deve ficar com uma fatia menor, de 10%.

Tecla SAP No STF, Celso de Mello vetou advogados e assessores na reunião sobre a candidatura de Maia. Na saída, Jovair pediu ajuda com termos técnicos. Ao entender que havia uma possibilidade de que a eleição fosse adiada, desesperou-se: “Ah, não! Isso tem de acabar logo!”, disse.

Desculpinha Temendo desdobramentos da Lava Jato contra Eunício Oliveira, tucanos chegaram a discutir nesta quarta (1º) se leriam uma carta em plenário dizendo que a decisão de apoiá-lo no Senado fora tomada por respeito à proporcionalidade das siglas.

Pensando bem… Desistiram diante de duas constatações: também há tucanos enrolados na operação, e a mensagem não conseguiria “limpá-los” com a opinião, caso Eunício se complique no futuro — serviria apenas para se indispor com o senador.

Quem dá menos Quem conhece as regras dos sorteios do STF diz que, como a cadeira de Edson Fachin ficou meses vazia, ele pode ter mais chances que os colegas de ser o escolhido para relatar a Lava Jato. A fórmula tenta não sobrecarregar ministros.

Melhor assim A possibilidade de a presidente Cármen Lúcia sortear o novo relator da operação apenas entre integrantes da Segunda Turma do STF foi elogiada até por ministros do grupo que preferem não ser escolhidos.

Palanque Na lista tríplice da Ajufe para a vaga de Teori Zavascki no Supremo, o desembargador Fausto De Sanctis tem disparado mensagens de WhatsApp em campanha para ser indicado à corte.

Vem comigo As mensagens são acompanhadas das hashtags #FaustonaLavaJato e #DeSanctisnaLavaJato.

Eu já sabia A afirmação do operador Renato Chebar de que repatriou propina paga por Eike Batista a Sérgio Cabral reacendeu em auditores fiscais a resistência à nova rodada da regularização de recursos no exterior.
APODE0202PAINEL

Mecenas Hoje preso no Rio, Eike não era mão aberta apenas em campanhas eleitorais. Em 2009, desembolsou R$ 1 milhão para financiar o filme “Lula, o Filho do Brasil”.

Juntos Depois de decidir tirar a urgência da reforma trabalhista, o governo tenta atrair as centrais para o debate. O ministro Ronaldo Nogueira avisou a sindicalistas que criará grupos de discussão para votá-la até junho.


TIROTEIO

Lula diz que é melhor errar com a base do que acertar sozinho. Nossa militância tem razão ao não admitir apoio a golpista.

DO SENADOR LINDBERGH FARIAS (PT-RJ), contra a decisão do PT de liberar a bancada na eleição de Eunício Oliveira (PMDB-CE) como presidente do Senado.


CONTRAPONTO

Marketing inverso

Pouco antes de começar a eleição para a presidência do Senado nesta quarta-feira (1º), José Medeiros (PSD-MT) ainda tentava o apoio dos colegas.

— Eu peço o seu voto, senadora — disse para Fátima Bezerra (PT-RN).

— É mais fácil você ganhar a eleição do que ganhar meu voto — cortou ela.

Depois, tentou usar a seu favor a raiva que despertou no PT por ter feito campanha pela saída de Dilma Rousseff. Lembrando que o rival Eunício Oliveira (PMDB-CE) também apoiou o impeachment, pediu a petistas:

— Entre dois golpistas, vote no original!