PT vai ao Supremo para garantir cargo na direção da Câmara se acordo com Maia não prosperar

Por Painel

Muro das lamentações Se a estratégia do PT de lançar candidato próprio à presidência da Câmara inviabilizar o acordo para ser incluído na composição da Mesa liderada por Rodrigo Maia, o partido pretende judicializar a disputa. A sigla se apoia em um artigo do regimento que diz que a minoria tem “assegurado” um lugar entre os dirigentes, ainda que não tenha direito pela proporcionalidade. Petistas dizem que Maia trabalha pelo acerto, mas, se por força de aliados o PT for excluído, o Supremo será a saída.

Recordar não é viver Em 2015, a corte rejeitou caso parecido, no Senado. A questão é que o regimento da Casa, diferentemente das regras da Câmara, não diz que a minoria tem vaga “assegurada”.

Sequencial A primeira batalha do PT será fazer com que o STF não considere o caso uma questão interna da Câmara. A segunda, convencer os ministros de que os cargos de suplência não estão incluídos no que o regimento considera como Mesa Diretora.

Só quem é Com o retorno do Congresso, o Planalto tem orientado líderes a escalar uma “tropa de choque” para a comissão da reforma da Previdência. Quer deputados que não tergiversem com a pressão da opinião pública e aguentem discussões “intermináveis”.

Muita calma Líderes empenhados na batalha acham que o cenário otimista do governo — em que a reforma seria aprovada ainda em julho — não é factível. Preferem o “otimista pés no chão”, em que o texto só passaria pelo Senado no segundo semestre.

Sem limite Um ponto impulsiona parte dos petistas a disputar a Comissão de Assuntos Sociais no Senado. Pretendem espezinhar os programas tocados por Marcela Temer, como o Criança Feliz — com “foro” no colegiado.

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Voo light Carlos Marun (PMDB-MS) pegou carona no avião de Temer logo após a suspensão do edital com sorvetes refinados. Saiu de barriga vazia. “A lista era exagero, mas não dava para servir nem um Chicabon?”, brincou.

Queimou o filme A cúpula do governo deve se reunir para decidir o que fazer com a foto oficial de Michel Temer. Após a polêmica com a primeira versão da imagem, há quem defenda tirar outro retrato — de preferência sem o céu azul fake ao fundo.

Tête-à-tête Dois ministros da Argentina desembarcam nesta segunda (30) em Brasília para preparar a visita do presidente Mauricio Macri ao país, no dia 7 de fevereiro.

Hermanos O ministro da Agricultura de Macri, Ricardo Buryaile, aproveitará a viagem para pedir o apoio do Brasil a uma candidatura da Argentina ao IICA (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), órgão vinculado à OEA.

Olhos abertos O Planalto avalia que a pressão sobre o novo relator da Lava Jato inviabiliza qualquer chance de alívio aos políticos. “Quem chegar lá vai querer fazer um strike”, ilustra um palaciano.

Peregrinação Pelo menos 15 prefeitos de capitais confirmaram presença na audiência que a FNP (Frente Nacional de Prefeitos) fará nesta terça (31) com a presidente do Supremo, Cármen Lúcia.

No mesmo balaio Na pauta da reunião, além da revisão das regras para cobrança judicial da dívida ativa dos municípios, também estão temas como a judicialização da saúde e das vagas em creche.

Assim não O Sindicato dos Servidores da Câmara Municipal de São Paulo entrará com um mandado de segurança no Tribunal de Justiça contra a decisão da Casa de aposentar servidores maiores de 75 anos que ganham entre R$ 8.000 e R$ 19 mil.

Veja bem A ação, que será apresentada nesta segunda (30), apontará “ilegalidade” no ato do presidente Milton Leite (DEM), dizendo que foi uma “decisão autoritária”.


TIROTEIO

As reformas de Temer aniquilarão os direitos. Não haverá sequer mais tempo de vida às pessoas que se aposentarem dignamente.

DE JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE), líder da minoria na Câmara, sobre a proposta do governo de alteração na Previdência, com a exigência de 49 anos de contribuição.


CONTRAPONTO

Em prosa e verso

À frente da Prefeitura de São Paulo, Jânio Quadros recebeu um pedido de indenização inusitado. O médico Marcelo Toledo fez um poema para relatar como, no Natal de 1986, uma árvore caiu em cima de seu Del Rey.

— Não ventava, nem chovia, era um dia bem normal. E meu carro, junto à guia, parado, em lugar legal. Agora está na oficina com os carros remendados, e o orçamento, imagina, são setenta mil cruzados — escreveu o médico.

Jânio acatou o pedido no Diário Oficial de 6 de julho de 1987, em poema-despacho:

— A árvore caiu por cima do carro de estimação. O vegetal era nosso. Devo pagar, e posso, a pobre indenização.