Governo quer liberar recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador sem passar pelo BNDES

Por Painel

Linha direta O governo cogita permitir o acesso direto de bancos aos recursos do FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador. Hoje, esse dinheiro passa obrigatoriamente pelo BNDES, que atua como uma espécie de atravessador de empréstimos às instituições financeiras, que depois oferecem o crédito para a compra de bens de capital como máquinas e equipamentos. “Nessa brincadeira de passar pelo BNDES, o dinheiro chega na ponta 2% mais caro”, diz um técnico envolvido na elaboração da medida.

Dá um dinheiro aí Para o alto escalão da administração Temer, a iniciativa amplia a concorrência e permite que bancos brasileiros liberem financiamento mais barato.

Sem almoço grátis Como a regra que fixa o BNDES como intermediário desses empréstimos está prevista na Constituição, seria necessário o governo apresentar uma PEC para alterá-la — o que torna a tarefa mais difícil.

Período de seca O Planalto vislumbra um pequeno espaço de tempo em que o investimento externo poderá chegar ao país. Acredita que antes de mudar a Previdência e em ano eleitoral nada substancial vai entrar.

Janelinha Restarão, portanto, os poucos meses entre a aprovação da reforma no Congresso e o fim de 2017.

Na marra Ministro dos Transportes, Maurício Quintela quebra a cabeça para tentar manter de pé sua previsão de que as passagens aéreas não aumentarão com o fim da franquia obrigatória de bagagens em voos domésticos.

Fio do bigode Durante a semana, reuniu presidentes de companhias aéreas para tratar do assunto. Ouviu deles que os preços só não caem se o dólar não deixar — cerca de 60% dos custos são atrelados à moeda.

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Big Brother Renan Um gaiato que circula entre os dois palácios chegou a contar: enquanto o Planalto está sem câmeras de vigilância desde 2009, o Congresso ostenta oito delas em apenas uma das entradas do Senado.

Siga o mestre Nos “Diários da Presidência” de FHC, Nelson Jobim dá uma aula aos que hoje tentam a vaga no STF. Em janeiro de 1997, o então ministro da Justiça foi chamado para um jantar com o tucano, que, na ocasião, confessou a ideia de indicar Celso Lafer para o tribunal.

É assim que se faz “Ele achou a ideia excelente”, acreditou Fernando Henrique. “Eu digo: ‘Então cala a boca, porque nem o Celso sabe nem ninguém’.” Poucos meses depois, Jobim era nomeado para o Supremo. Lafer nunca passou perto da corte.

Do peito Amigo de Michel Temer há décadas e fora do governo desde dezembro, José Yunes diz que a indicação para o Supremo é uma “bala de prata”. “Agora que o governo está tomando ritmo, ele não pode errar”, sustenta.

Prioridade Para Yunes, o presidente da República não deve fazer sua escolha para o STF com base apenas na Lava Jato. “A operação não tem que pautar a política nacional. Há outros processos importantes no tribunal”, diz.

Passa mais tarde Um tucano tentou há alguns dias participar da campanha nacional do desarmamento e entregar uma arma que pertence a sua família há muitos anos no 78° DP de SP. Mas o esforço acabou sendo em vão.

Volver Ele chegou à delegacia com a guia de trânsito da arma emitida pela PF e o rifle Winchester calibre 44, com a documentação em dia. Foi informado de que a campanha estava parada e que a delegacia não poderia receber a espingarda. Ficaram de ligar quando voltasse ao normal.

Falta tudo Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério da Justiça afirmou que a campanha do desarmamento não está suspensa e que deve ter havido “alguma falha de atendimento na orientação ao cidadão”.


TIROTEIO

Se Maia for reeleito sem aval prévio do STF, a condução das atividades da Câmara terá uma insegurança jurídica sem precedentes.

DO DEPUTADO ROGÉRIO ROSSO (PSD-DF), sobre a possibilidade de o STF decidir pela inelegibilidade de Rodrigo Maia depois apenas de ele já ter sido reeleito.


CONTRAPONTO

Estamos juntos

Nos dias seguintes à internação de Marisa Letícia no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentava se manter firme apesar do delicado estado de saúde de sua mulher.

Tão logo a informação sobre o AVC (Acidente Vascular Cerebral) chegou à imprensa, o telefone do segurança do petista começou a tocar. Lula não se exasperou com o assédio. Quando podia, era ele quem procurava levantar o ânimo de seu interlocutor.

— Há 40 anos tento e não consigo dominar a italiana. Não será um AVC que irá fazer isso — repetiu por vezes o ex-presidente da República.