Sócio de gestora do presídio de Manaus recebeu R$ 12 milhões do governo federal em 2016

Por Painel

Gestão de capitais Além da Umanizzare, terceirizada que gere o presídio em Manaus palco do massacre, Luiz Gastão Bittencourt tem outra empresa com contratos públicos. Ao menos desde 2004, a Serviarm faz vigilância privada para entes federais. No ano passado, recebeu R$ 12 milhões dos ministérios da Educação e da Integração Nacional para servir a Universidade Federal do Ceará e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas. Há 12 anos, ganhou R$ 420 mil para atuar no INSS cearense.

Auxílio geral Presidente da Fecomércio do Ceará, Bittencourt financiou campanhas no Amazonas. Só a de Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) à Prefeitura de Manaus em 2012 recebeu de empresas da família R$ 1,4 milhão — R$ 360 mil só da Serviarm.

Na paz Grazziotin diz que todas as doações foram recebidas de maneira legal e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Bittencourt não respondeu até a conclusão desta edição.

Costura O Planalto já começou a medir a temperatura de governadores sobre a disposição deles de levar adiante uma reforma tributária.

Ponto de bala O governo também quer ter pronta para a volta do recesso parlamentar sua ofensiva pela reforma da Previdência. Começa a planejar novas peças de publicidade e vai intensificar articulações com o Congresso já no início de fevereiro.

Vintage Vice-presidente da UGT, Enilson Simões enviou telegrama a Michel Temer cobrando o avanço da reforma trabalhista: “Não vacile. Não ouça sindicalistas reacionários. Atente para os milhões de desempregados”.

Deu ruim A carta irritou sindicalistas que não apoiam a reforma. A UGT diz que o telegrama teve caráter pessoal.

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Papéis invertidos Em Portugal, Temer foi surpreendido pelo ex-deputado José Lourenço com um retrato da dupla ao lado de FHC. Era o momento em que o peemedebista, então presidente da Câmara, assumia o Planalto durante uma viagem do tucano.

Palanque Parte do PT está impaciente com a demora do partido em oficializar a candidatura de Lula ao Planalto. Um grupo queria tratar do assunto já na reunião do Diretório Nacional no dia 20, mas a proposta não vingou.

À la Daniel Os mais afoitos falam em usar o ato do MST na Bahia, nesta quarta (11), para o lançamento. Parte do partido, no entanto, teme que a antecipação do debate exponha ainda mais o petista a investidas da Lava Jato e o jogue “na cova dos leões”.

Quem não chora Já que não podia ajudar com voto, um dos vereadores que lotaram o lançamento da candidatura de Jovair Arantes (PTB-GO) na Câmara aproveitou para tentar uns trocados. Levou ao deputado uma pilha de ofícios pedindo recursos à pequena Israelândia.

Escolta O governador Geraldo Alckmin (PSDB) decidiu receber Rodrigo Maia (DEM-RJ), rival de Jovair, acompanhado da bancada tucana em São Paulo. Ricardo Tripoli, líder do grupo, diz que ao menos 10 dos 14 deputados devem ir ao Bandeirantes.

Vai tu mesmo A simpatia de Alckmin tem como pano de fundo a convicção na vitória de Maia. A ordem é dizer que a presidência dele seria “equidistante” das alas que disputam poder no PSDB.

Tiro n’água Depois de Pedro Tobias ter sido reconduzindo ao comando do PSDB de São Paulo, nesta segunda-feira (9), com 18 votos favoráveis e apenas 3 contrários, a avaliação interna é a de que — mais uma vez — a articulação de Alckmin falhou.

Errar é humano Tucanos comparam a derrota regional à nacional, quando apenas dois integrantes da Executiva — ambos aliados do governador paulista — foram contrários à prorrogação do mandato do mineiro Aécio Neves na presidência da sigla.


TIROTEIO

A base tem que ter um só candidato a presidente da Câmara. E o governo tem que ‘se meter’ para que isso aconteça.

DO DEPUTADO CARLOS MARUN (PMDB-MS), para quem o presidente Michel Temer deveria se posicionar na disputa pelo comando da Casa.


CONTRAPONTO

De volta para o futuro

Em agosto de 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso acompanhou o correligionário Mário Covas, governador de São Paulo, na inauguração da Usina Hidrelétrica de Rosana, no interior paulista.

No primeiro volume dos “Diários da Presidência”, FHC conta que, no avião, Covas leu estatísticas sobre criminalidade o tempo todo, “preocupado com a violência em São Paulo” e “buscando demonstrar que elas não apontam para o escândalo que a imprensa está fazendo”.

— De qualquer maneira o tema é ruim para nós. Para quem quer que esteja no governo é sempre ruim, enquanto não houver uma solução mais global — escreveu.