Armas e objetos usados em massacre entraram em presídio em Manaus em carregamento de carne

Por Painel

Carnificina Servidores da área de inteligência que monitoravam o Complexo Penitenciário Anísio Jobim, no Amazonas, afirmam que ao menos parte das armas e objetos usados na chacina que matou 56 detentos em Manaus entrou no presídio escondida em um carregamento de carne. O fornecimento foi permitido pelo governo do Estado para a realização de um churrasco de fim de ano entre os presos. Oficialmente, autoridades locais sustentam desconhecer a informação.

Coincidência, juro Na sexta (6), porém, a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado anunciou ter suspendido a entrega de alimento “in natura” no local.

Ah, vá! Autoridades aliadas do governador José Melo (AM) dizem que os agentes estavam distraídos assistindo ao programa “Domingão do Faustão” (TV Globo) quando internos do semiaberto roubaram armas para dá-las aos presos do regime fechado.

Pequena ajuda De acordo com essa versão, os presos do semiaberto foram os responsáveis por abrir as celas da penitenciária Anísio Jobim.

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Não perturbe Quando Alexandre de Moraes (Justiça) telefonou para a governadora de Roraima, na sexta (6), para discutir a chacina, Suely Campos avisou que retornaria a ligação somente após sua caminhada matinal.

Curtir a vida adoidado A maioria dos 77 executivos da Odebrecht que fizeram delação premiada aproveitou as festas de fim de ano para viajar. Os que tinham autorização foram para o exterior.

Luxo, poder e riqueza E como as penas só passarão a ser cumpridas a partir da homologação do acordo — ato esperado para fevereiro — muitos aproveitaram para tirar férias em grande estilo.

Pegadinha A medida provisória do corte de cargos comissionados e aumento a servidores federais já ganhou apelido de “indústria das multas”: ela prevê comissões para os auditores fiscais sobre as sanções que aplicarem.

Cubo mágico A bancada do PT do Senado começa a montar o quebra-cabeça dos postos chave em 2017. Jorge Viana, atual primeiro-vice da Casa, chegou a ser sondado para a liderança do partido, mas não se entusiasmou.

Good cop, bad cop Senadores tentam “compensar” os perfis dos líderes do partido e da oposição. Querem alguém com entrada em outras siglas para liderar a bancada e um senador mais “estridente” na outra vaga. Humberto Costa e Lindbergh Farias podem ficar nos cargos.

Beija-mão Michel Temer não quer entregar as ambulâncias aos prefeitos do Rio Grande do Sul, nesta segunda (9), de maneira simbólica. Combinou com sua equipe de dar as chaves de mão em mão aos 61 administradores.

Só na diplomacia Presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (DEM) vai chamar o Ministério Público para opinar na reforma administrativa que pretende fazer na instituição.

Aceno estratégico No momento em que a Câmara recorre de decisão da Justiça de suspender o reajuste de 26,3% na remuneração dos vereadores, a ideia do novo presidente da Casa é que a Promotoria acompanhe o pente-fino nos supersalários.

Caça a marajás Hoje, de acordo com dados reunidos pelo gabinete de Milton Leite, ao menos 100 dos 675 servidores recebem acima do teto.

Tente outra vez Mesmo sabendo que não terá aval do prefeito de SP, João Doria, o vereador Mario Covas Neto (PSDB) reapresentará todas as suas propostas barradas por Fernando Haddad (PT).

Castigo Entre elas, o projeto que altera a Lei do Rodízio, trocando a multa por aplicação de advertência por escrito para quem desobedecer as regras pela primeira vez.


TIROTEIO

Ou cai a ficha do Doria de que governar é mais do que ações de marketing ou logo cairá a ficha do povo de que escolheu o cara errado.

DE SIMÃO PEDRO (PT), ex-secretário de Serviços de São Paulo, sobre o prefeito João Doria ter se vestido de gari e estipulado multa para auxiliares atrasados.


CONTRAPONTO

Vade-retro!

No fim do ano passado, um jornalista pediu a colegas o telefone celular do congressista Pauderney Avelino (AM), que lidera a bancada do DEM na Câmara.

Passado o número com o código de área 92, o repórter logo discou. Mas o telefone tocou, tocou, tocou e nada.

Minutos depois, uma mulher retorna a ligação.

— Quer falar com quem? — pergunta ela do outro lado da linha.

— Com o deputado Pauderney — responde o profissional, dando-se conta do engano.

— Eita! Se fosse o Hissa Abrahão [outro político local] eu até conhecia. Mas desse aí eu quero mais é distância.