Polícia investiga se facção fez julgamento prévio para decidir quem iria morrer em massacre

Por Painel

Estado paralelo Policiais militares do Amazonas investigam se líderes da facção responsável pelo massacre no presídio Aníbal Jobim promoveram julgamento prévio para decidir quem iria morrer. Autoridades afirmam que não foram aleatórias as execuções de presos sem ligação com a organização criminosa rival que foi alvo da chacina, como acusados de estupro, de furto a idosos e delatores. Não se sabe ainda se os tais julgamentos teriam se dado nos moldes dos chamados “tribunais do crime”.

Júri Nesse tipo de “julgamento” — em geral realizado fora das penitenciárias — o acusado tem direito até a “advogados”. Para dar a sentença, o comando das facções se baseia em testemunhas de defesa e de acusação.

Fora daqui O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, enviará projeto de lei à Câmara Municipal impedindo a instalação de presídios dentro do perímetro urbano da capital — quer evitar que fugas exponham a população ao risco.

Outros tempos O chanceler José Serra deu os parabéns ao ministro Alexandre de Moraes (Justiça) por sua exposição sobre a situação no Amazonas em reunião nesta quinta. Até aí, tudo bem, não fosse um detalhe: Serra não é dado a elogios e Moraes é alckmista convicto.

Resta um Michel Temer joga com o tempo. Espera que os demais candidatos à presidência da Câmara tenham suas campanhas esvaziadas. Nos bastidores, o Palácio do Planalto trabalha pela vitória de Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Venda casada Rivais de Maia na disputa, Jovair Arantes (PTB-GO), Rogério Rosso (PSD-DF) e André Figueiredo (PDT-CE) têm se falado várias vezes por dia para traçar estratégias conjuntas. Cada um tenta tomar votos do presidente em uma frente distinta.

Bola de cristal Em meio à indisposição entre Congresso e Judiciário, o trio vai martelar a tese de que — para além da insegurança jurídica — a candidatura de Maia coloca a Câmara de joelhos diante do STF, já que ela necessariamente precisará passar pelo aval dos ministros da corte.

Vice-presidenta Elcione Barbalho (PA) anunciou à bancada do PMDB que também pretende concorrer à indicação do partido para a primeira-vice da Câmara. Usa o mote da representação feminina na Mesa para se cacifar.

Curioso Eliseu Padilha (Casa Civil) interessou-se sobremaneira pelo projeto de regularização fundiária do Planalto. Reuniu os ministérios envolvidos, pediu uma “aula” e sugeriu uma cartilha para convencer o Congresso a aprovar a medida provisória.

Enxuto Depois de decidir demitir os 657 funcionários comissionados das 32 prefeituras regionais, o prefeito de São Paulo, João Doria, decidiu congelar 30% dos postos.

Dinâmica de grupo Doria disse a auxiliares não ter pressa para preencher as vagas e que os indicados — mesmo os que vierem com carimbos de vereadores da base — terão de passar por análise de currículo e entrevistas.

Toque silencioso Doria já programou para a próxima semana outras visitas surpresas a prefeituras regionais, como a desta quinta (5), em Sapopemba. O prefeito não divulgará o roteiro com antecedência para evitar que os problemas sejam maquiados.

Nenhum toque Chefe de gabinete de Doria, Wilson Pedroso vai ter de pagar multa de R$ 200 por ter chegado atrasado à primeira reunião desta quinta-feira (5), às 7h30, na Prefeitura de SP. O auxiliar do prefeito propôs doar o valor para a AACD.

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Autobullying Dona do atraso que resultou na criação da multa, a secretária Soninha Francine faz troça: “Os albergues precisam mudar o regime. Três atrasos e o usuário perde a vaga. Eu acabaria perdendo também. Pode me zoar”, brinca ela, que cuidará das unidades.


 

TIROTEIO

Foram 17 horas de massacre e o governo diz que não entrou para não transformar aquilo em um Carandiru. Como se já não fosse pior.

DO PREFEITO DE MANAUS, ARTHUR VIRGÍLIO, sobre o governo José Melo não ter coibido a chacina com a justificativa de querer evitar um “Carandiru 2”.


CONTRAPONTO

Melhor perder a piada

O deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), candidato ao cargo de vice-presidente da Câmara nas eleições de fevereiro, papeava no Salão Verde — área de piso coberto por um carpete da mesma cor na entrada do plenário da instituição — com um grupo de pessoas. A prosa corria solta até duas oficiais do Corpo de Bombeiros passarem ao lado da rodinha de conversa.

— Quando eu for vice-presidente, vou ser a favor dos incêndios — soltou ele.

Antes que os demais falassem, Vieira Lima arrematou:

— Vai ter incêndio todo dia aqui que é para eu poder ver vocês.