Enrosco burocrático trava repasse a prefeitos, que só devem receber dinheiro da repatriação em 2017

Por Painel

Hoje só amanhã Um enrosco burocrático deve fazer com que os prefeitos fiquem sem o dinheiro da repatriação este ano, conforme prometido por Michel Temer. Integrantes do governo já não veem muitas chances disso acontecer. O Tesouro mantém a programação de transferir os recursos dia 30 de dezembro, como prevê a medida provisória. O problema é que, nesse dia, há feriado bancário. Integrantes do Banco do Brasil avaliam que, para dar tempo, o governo teria de depositar tudo nesta quarta (28).

Nada feito A FNP (Frente Nacional de Prefeitos) tentava no STF a antecipação do depósito. Na terça (27), o pedido de liminar foi negado.

E agora? Muitos prefeitos contavam com os recursos da repatriação para fechar as contas e agora temem infringir a Lei de Responsabilidade Fiscal, afirma Márcio Lacerda (PSB), prefeito de Belo Horizonte e presidente da FNP.

Pode ser tarde Temer ficou de receber Lacerda nesta semana para debater o assunto. “É muito ruim ver o governo batendo cabeça dessa forma”, diz o prefeito de BH.

Virá mais cedo Antes de o governo liberar o saque do FGTS, incorporadoras calculavam que, num prazo de seis a oito anos, haveria problemas para manter o nível de empréstimos para habitação. Estimam agora que o problema virá um ano e meio antes.

Me ajuda a te ajudar Os empresários da construção sustentam que há redução “acelerada” da liquidez do fundo. Os dados foram exibidos ao governo em reunião na qual apresentaram pedido de medidas de estímulo ao setor.

Bateu de frente O clima dos construtores com a equipe econômica não é dos melhores. Parte dos integrantes responsabiliza o lobby do setor pela hesitação do governo em liberar os saques do FGTS. A medida quase foi abortada.

Quero afago Michel Temer reclamou com empresários da falta de apoio. Segundo ele, o setor produtivo precisa ser mais vocal para que a agenda de reformas siga adiante. O peemedebista repetiu em privado que não pensa em renunciar.

Pausa estratégica Um líder de um importante movimento de esquerda avalia: em janeiro, deve haver trégua para Temer. Os movimentos estarão se preparando para o “enfrentamento” a partir de fevereiro, quando o Congresso voltará a se reunir.

Mas nem se anime Apesar de o início morno, ele antecipa um ano repleto de manifestações diante da tramitação das reformas trabalhista e previdenciária. “Em 2017, o bicho pega”, afirma.

Sem parar Quem acompanha a rotina do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, diz que o tucano enfrenta pouco o trânsito de SP — prefere se deslocar de helicóptero quando está no Estado.

Sucesso, hein? Dos 618 acordos coletivos com redução salarial firmados desde janeiro de 2015, só 165 utilizaram o PPE (Programa de Proteção ao Emprego), lançado por Dilma. Em novembro, ninguém recorreu ao programa. Os dados são da Fipe.

SANTO

Zé perfeitinho A burocracia desestimulou interessados. “Era preciso ser quase um santo para entrar”, diz Sólon Cunha, sócio do Mattos Filho. Segundo ele, a possibilidade de renegociar dívidas, parte da proposta de Temer para o programa que substituirá o PPE, é um avanço.

Vem mais por aí A Andrade Gutierrez negocia novos acordos com o Cade. A empreiteira entregou cartéis em Belo Monte, estádios da Copa e obras em favelas no Rio. Mas precisa acertar sua situação em esquemas nos quais foi delatada.

Juro que tô de olho A empreiteira, uma das maiores do país, tem dito às autoridades que segue apurando internamente possíveis irregularidades cometidas por seus executivos.

TIROTEIO

O ano de 2016 ficará marcado como o período em que o fosso entre o povo e o Congresso se aprofundou ainda mais.
DO DEPUTADO ALESSANDRO MOLON (RJ), líder da bancada da Rede na Câmara, analisando o desempenho do Legislativo durante o ano de 2016.

CONTRAPONTO

Troca de gigantes

Na década de 80, o atual presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, então um dos líderes da Revolução Sandinista, foi recebido no Rio de Janeiro para uma festa em sua homenagem. Artistas, intelectuais e políticos de esquerda reuniram-se para brindá-lo. Entre eles, estava o poeta Ferreira Gullar, que morreu no início deste mês. Ao ver o escritor, uma das convidadas comentou:

— Olha! Aquele poeta maravilhoso, o… Pablo Neruda!

Gullar ouviu a confusão e foi ao socorro da moça. Aproximando-se da admiradora, esclareceu:

— De comum, o amor aos versos. E às adversidades, como filiados ao Partido Comunista…