Em sete meses de Presidência, Temer abriu gabinete para 200 audiências com parlamentares

Por Painel

Micropolítica Nos poucos mais de sete meses na Presidência, Michel Temer já abriu as portas de seu gabinete no terceiro andar do Planalto para, ao menos, 200 audiências com deputados e senadores. Isso contando apenas os registros de sua agenda oficial. Certos dias, marcou 12 reuniões seguidas com parlamentares de sete siglas, do PV ao PHS. Ao mesmo tempo em que permite ao presidente boa relação com o Legislativo, o perfil fomenta críticas de que ele passa muito tempo encastelado no Planalto.

Vai mudar? Quem esteve com Temer na última visita que fez ao interior de SP, na semana passada, diz que ele ficou todo prosa com o evento, no qual entregou casas. Repetia a aliados que era muito bom sair do gabinete.

Só de olho Em audiências recentes, chamou a atenção a presença de Elsinho Mouco no gabinete de Temer. O marqueteiro acompanhou reuniões e tomou notas. Teve gente que saiu de lá perguntando se era ensaio para a campanha de Temer à reeleição.

Com o povão O publicitário, que trabalha para o PMDB Nacional, está bolando o primeiro programa da legenda em 2017, que irá ao ar no começo do ano. Defende que, na peça, o presidente tente se aproximar mais de eleitores das classes D e E.

Vai que cola Com a expectativa de reforma ministerial, o PP voltou a ser alvo de críticas da base aliada. Outras bancadas não acreditam muito que Temer tire espaço da sigla, mas fazem o movimento para ver se o Planalto turbina o caixa de suas pastas.

Pinga ni mim Dirigentes dessas siglas dizem que, sem ter mais verbas, não conseguem fazer frente ao PP nos Estados, já que deputados do partido têm à disposição a Saúde, a Agricultura e a Caixa Econômica Federal — todos órgãos com capilaridade.

Pule de dez Ministros e presidentes de partidos do centrão já avaliam que são grandes as chances de a candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à reeleição na Câmara dos Deputados ser imbatível ou até a única competitiva da base aliada.

Rumo ao bi Caciques de PR, PP e PRB e até PSD afirmam, reservadamente, que as conversas para um apoio a Maia caminham bem. Se o atual presidente fechar com esses partidos, não há muita chance para outro candidato.

Quem quer dinheiro De 2010 até o início de novembro deste ano, a Câmara já gastou, em valores corrigidos, a bagatela de R$ 7,9 milhões em diárias para as viagens internacionais de seus deputados. Eles têm direito a cerca de R$ 1.400 para cada dia em missão fora do país.

Escalada Os valores crescem ano a ano exceção a 2014, quando houve eleição. Em 2010 foram R$ 656 mil contra R$ 1,8 milhão nos dez primeiros meses de 2016. Em passagens internacionais, foram gastos outros R$ 12,7 milhões no mesmo período.

Ossos do ofício A Câmara sustenta que as viagens estão condicionadas a ganhos institucionais e à “promoção do intercâmbio legislativo, das relações comerciais e do compartilhamento de tecnologias, entre outros ganhos”.

Espírito de corpo Às voltas com as demandas de servidores em seus Estados, governadores brincam que formaram um sindicato para defender seus direitos e uma associação para discutir como conseguir mais dinheiro.

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Chapa pronta “O presidente do sindicato é o Rodrigo Rollemberg (DF) e o da associação, o Wellington Dias (PI)”, diz um dos governadores atuantes nas tratativas.

Esqueceu? A indústria está preocupada com o futuro do Portal Único, que facilita os trâmites para exportação e importação. Líderes empresariais dizem que o governo Temer incluiu a iniciativa na lista de medidas para aquecer a economia, mas o orçamento ainda é insuficiente.


TIROTEIO

Pelo que se pode ver neste final de ano, 2016 não conhecerá o seu lugar: ele teimará em entrar por 2017 a dentro!

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a continuidade e os desdobramentos da crise política vivida no ano que se encerra.


CONTRAPONTO

Só acredito ouvindo

Como faz todo fim de ano, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, almoçou na última sexta-feira em um dos restaurantes populares mantidos pelo Estado.

O tucano já estava com o prato feito e sentado à mesa quando uma mulher chegou para dividir o espaço. Ao reconhecê-lo, tentou explicar para o marido pelo telefone:

— Estou almoçando com o governador Alckmin.

Incrédulo, o homem duvidou da mulher, que passou o telefone direto para o tucano.

— Aqui é Geraldo Alckmin. Feliz Natal!

Ela pegou o telefone de volta e insistiu:

— Viu? Falei que estava almoçando com o governador!