Governo prevê novo programa de proteção ao emprego apenas para empresas de setores em crise

Por Painel

Empurrãozinho O governo começa a definir os pontos principais do Programa Seguro Emprego. Minuta da medida provisória entregue nesta terça (20) a centrais sindicais traz um artigo que o transforma em política permanente, mas as discussões já evoluíram, e o governo está mais propenso a prorrogar o programa por apenas dois anos. A minuta fala em exigências para que empresas possam aderir — como queda na atividade econômica de sua área — e não limita os setores que podem participar.

Grand finale O último ato do governo Michel Temer no ano será a edição da medida provisória que regulariza áreas urbanas e rurais ocupadas ilegalmente no país inteiro. A expectativa é que o texto esteja pronto para publicação até a semana que vem.

Via expressa O objetivo é colocar em dia os processos de normalização e propiciar a concessão de escrituras em menos de um ano.

Lenha na fogueira Em meio às tensões entre Legislativo e Ministério Público, a Procuradoria-Geral da República emitiu parecer defendendo que o afastamento de congressistas por ordem judicial não deve passar pelo crivo da Câmara ou do Senado.

Intocáveis O pedido para que isso ocorresse foi feito ao STF por três partidos aliados de Eduardo Cunha quando ele foi apeado do cargo. Para Rodrigo Janot, a concessão permitiria a “ampliação indevida do alcance das imunidades parlamentares” e fragilizaria investigações.

Sinal dos tempos Deputados notaram algo jamais visto: lobistas de empreiteiras desapareceram do plenário durante a votação do Orçamento. Em tempos pré-Lava Jato, havia descarado assédio para influenciar as emendas dos parlamentares.

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Imagina os inimigos Enquanto líderes tentavam assegurar quorum para votar a renegociação das dívidas, Fábio Ramalho (PMDB-MG) apareceu no plenário anunciando que trazia comida mineira para os colegas. “Vamos almoçar, depois a gente vota!”

Ponta do lápis A bancada do PT na Assembleia de SP fez uma projeção de qual seria o impacto da PEC do teto no Estado. Na simulação, se o limite de gastos públicos tivesse sido imposto em 2005, o governo teria deixado de investir R$ 400 bilhões em dez anos em áreas prioritárias.

Quem dá menos Segundo a estimativa do PT, Saúde e Educação, por exemplo, teriam 180% a menos de recursos que tiveram no período. A agricultura teria o maior impacto, com quase 300%.

Atração fatal Após os vereadores de São Paulo aprovarem o aumento de seus próprios salários, contrariando o futuro prefeito, João Doria, a avaliação na Câmara paulistana é a de que o PSDB já dá demonstrações de que “está nas mãos do centrão”.

Não deu Mas Milton Leite (DEM), que comanda o grupo e que assumirá a Casa com apoio do tucano, não conseguiu articular o avanço de pautas caras a Doria — entre elas, a que aumentava a taxa de iluminação pública.

Troco O governo Temer publica nesta quarta (21), em uma tacada só, créditos suplementares que, somados, chegam a R$ 36 bilhões. A cifra é fruto de remanejamentos do Orçamento federal.

Todos por um O presidente convidou ministros para o café com jornalistas na quinta. Pediu que façam a lição de casa e levem números para defender o governo.

Nome na lista Líderes de movimentos de esquerda se reúnem nesta quarta (21) com o governador do DF, Rodrigo Rollemberg. Querem que a Esplanada seja mantida aberta para manifestações.

Visita à Folha José Berenguer, diretor-presidente do banco J.P. Morgan no Brasil, visitou a Folha nesta terça (20), a convite do jornal, onde foi recebido em almoço.


TIROTEIO

Aumentar o próprio salário no momento de crise econômica e ajuste nacional é debochar de toda a sociedade brasileira.

DE MARIO COVAS NETO (PSDB), sobre os vereadores de SP aprovarem reajuste de 26,3% de seus próprios salários, elevando os vencimentos para R$ 18.991,68.


CONTRAPONTO

Aceita esta contradança?

Já nos primeiros tropeços da gestão Michel Temer, o ex-presidente José Sarney analisava para amigos a conjuntura política do país.

Segundo o relato de um dos presentes, em dado momento, o peemedebista tenta acalmar o coração aflito de um interlocutor, preocupado com erros elementares cometidos pelo Palácio do Planalto.

— Com esse entourage do Michel, eles vão ser convidados a errar todos os dias.

Após uma breve pausa, o próprio Sarney arrematou, em voz tranquila:

— O problema é que eles vão aceitar o convite.