Cresce temor no setor privado de que governo Temer não dê conta da crise política e econômica

Por Painel

Retorno de Saturno Cresce no setor privado o temor de que Michel Temer não dê conta da crise política e econômica. Mesmo entre figurões do mercado financeiro, reduto que rendeu maior entusiasmo ao presidente até aqui, diz-se que o “inferno astral” está em curso. Os cálculos embutem o risco de Temer perder ministros próximos para a Lava Jato. “Ou Temer vira um Itamar Franco, ou vira um Sarney, ou uma Dilma. FHC não tem mais chance de ser”, resume a análise de uma influente corretora.

Tudo ou nada O mercado se divide sobre como o PSDB deve se comportar. Parte defende que a sigla entre de cabeça para tentar salvar o governo — há quem advogue por um tucano na Casa Civil caso o ministro Eliseu Padilha seja abatido pela Odebrecht.

Passar bem Outro grupo, no entanto, recomenda que o PSDB fique quão longe puder do Planalto para não se contaminar com o desgaste.

Bola de cristal “O cenário de hoje pode não ser o cenário daqui a 15 dias, tamanha a nossa insegurança “, pondera um importante aliado.

Minha sina Caso uma tempestade perfeita se forme, todos — PSDB à frente — pularão no barco da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE.

Me dá um dinheiro aí O ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) prepara um conjunto de medidas para tentar desfibrilar o PIB. No foco, ações para devolver o crédito à classe média e às empresas.

Subo nesse palco Na sexta-feira, o ministro Henrique Meirelles (Fazenda) também discutiu com integrantes do Banco Mundial uma agenda para o crescimento.

Água na fervura A despeito do fogo amigo, Meirelles coloca panos quentes. “Natural que tentem achar um mordomo”, diz a interlocutores. Mas finca os pés nas conversas que trava com a equipe: “Tem de fazer o ajuste primeiro. Ou perderemos tempo gastando bala à toa”.

Sempre ele Procuradores da Lava Jato estão chamando o projeto de abuso de autoridade de nova “Lei Maluf”.

Primórdios Em 2007, Paulo Maluf propôs punir denunciantes por “má-fé” ou “perseguição política”. O texto previa multas descontadas em folha de pagamento e até indenização paga ao denunciado por danos morais.

S.O.S. Até o Conselho Federal de Medicina reagiu à votação que desfigurou o pacote anticorrupção. Enviou comunicado aos 426 mil médicos que representa incentivando a categoria a cobrar o governo e o Congresso.

Por aparelhos A entidade condenou a aprovação de “interesses de grupos específicos que ameaçam sobrepujar a vontade da sociedade” e “exige medidas que possibilitem rigoroso combate à corrupção e fim dos privilégios”.

Já vi esse filme Antes do caso Geddel, o Iphan já havia tentado, em 2007, impedir a construção de um prédio de luxo de 35 andares em Salvador. A obra dependia da demolição de um casarão em uma área que passava por processo de tombamento.

Final “feliz” Embora a prefeitura tivesse autorizado, o Iphan vetou a demolição. Dois dias depois, no entanto, o casarão histórico foi derrubado e o processo acabou na Justiça. A construtura MRM, do deputado Felix Mendonça Jr (PDT), venceu, e o prédio deve ser entregue em 2017.

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Que fase Comparados à multa de R$ 6,7 bilhões imposta à Odebrecht no acordo de leniência, os acertos semelhantes da Andrade Gutierrez (R$ 1 bilhão) e da Camargo Corrêa (R$ 700 milhões) mais parecem promoção da “Black Friday”, brincam procuradores da Lava Jato.

Siga o mestre Depois de tentar vender seus ativos, a Engevix, uma das empreiteiras da Lava Jato, se prepara agora para adotar um plano de “compliance”.


TIROTEIO

Temer pode ir para o ‘Guiness Book’ como recordista mundial de velocidade no percurso vice-presidente-presidente-ex-presidente.

DO SENADOR RANDOLFE RODRIGUES (REDE-AP), vendo paralelos entre a crise atual e a que derrubou o governo Dilma Rousseff.


CONTRAPONTO

Plim-plim

Presidente da Força Sindical e deputado federal, Paulinho da Força (SD-SP) encerrava um ato em uma obra da construção civil, durante o Dia Nacional de Paralisação, quando foi interrompido pelo secretário-geral da central, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

— A reportagem da Globo está para chegar — alertou, aflito, o companheiro.

Paulinho logo encontrou uma solução:

— Se a Globo muda até horário do futebol, por que não podemos esticar um pouquinho o ato?

E emendou mais cinco minutos de discurso até a emissora chegar. Tudo para aparecer na telinha.