Para Temer, demissão de Geddel do ministério foi um dos momentos mais difíceis do governo

Por Painel

Abraço partido A demissão de Geddel Vieira Lima foi um dos momentos mais difíceis para Michel Temer, relatam amigos do presidente. A conversa definitiva entre os dois foi bastante sentimental — repassaram pontos da história em comum. Depois seguiram-se telefonemas do demissionário a líderes aliados, também carregados de emoção. O clima contaminou Temer. No almoço com o PSDB, ficou visível seu semblante carregado. “Não era o Michel de sempre”, resumiu um tucano.

Na faixa Geddel deixou a pasta, mas não o governo. Seguirá ajudando Temer nos bastidores, mas sem cargo.

Thanksgiving Apesar do feriado de Ação de Graças, nos EUA, muitos investidores estrangeiros dispararam telefonemas para operadores do mercado no Brasil aflitos com a crise política envolvendo a cúpula do governo Temer.

Alarme Nos contatos, eram recorrentes perguntas como: “O que vai acontecer?”, “Que gravação é essa?”, “Presidente corre riscos de cair?”.

‘Sr. Previdência’ Um dos temores de parte dos investidores é o de que, depois da saída de Geddel, as armas comecem a se voltar contra Eliseu Padilha. Se o ministro-chefe da Casa Civil for chamuscado, a reforma da Previdência passaria a correr risco.

Péra lá Uma das hipóteses consideradas pelo Planalto para a sucessão de Geddel — de que Temer use a Secretaria de Governo para uma composição na eleição para a presidência da Câmara — leva incômodo a deputados.

Cada um na sua A avaliação é que não há uma solução mágica que agrade à Casa toda, e que o caldo corre o risco de entornar se o presidente errar a mão na escolha. O melhor, portanto, seria desvincular as decisões.

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Que saudades De volta ao Alvorada para o almoço com Temer, Fernando Henrique Cardoso não se conteve. Disse que gostou muito de passar oito anos por lá. Citou o cinema, o bosque e a piscina como lugares prediletos.

Pé na estrada Depois do encontro de caciques tucanos e com o presidente Michel Temer, em Brasília, Geraldo Alckmin (PSDB) seguiu viagem para fora de São Paulo.

2018 é logo ali O governador paulista foi à Bahia, onde cumpre agenda de presidenciável neste sábado: encontra prefeitos eleitos pelo partido no Estado e faz palestra em entidades comerciais.

Aqui não O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), um dos tucanos mais próximos do governador Geraldo Alckmin, tem defendido que a bancada de seu partido feche questão e se posicione de “maneira enfática” contra a anistia ao caixa dois.

De pé, pode? Na quinta-feira (24), da tribuna da Câmara, o deputado disse que “o Parlamento brasileiro não pode ficar de quatro — nem de cócoras — para um acordão dessa natureza”.

Também quero A ida de Roberto Freire para o Ministério da Cultura provocou efeito cascata no PPS. O partido agora espera um “up grade” no governo Alckmin, com a transferência do secretário Arnaldo Jardim da Agricultura para os Transportes.

Estica e puxa A formação do secretariado de João Doria mexeu com a composição da Câmara Municipal de São Paulo. Com a nomeação de vereadores para sua equipe, o prefeito eleito conseguiu colocar o tucano Quito Formiga, terceiro suplente da coligação, no Legislativo.

Por você Auxiliares de Doria dizem que o tucano tinha uma “dívida” com o colega. Quito foi o primeiro vereador a se desligar da bancada e apoiar o empresário.

Visita à Folha Brieuc Pont, cônsul-geral da França em São Paulo, visitou a Folha nesta sexta-feira (25). Estava acompanhado de Thibault Samson, cônsul-adjunto.


TIROTEIO

Curioso Temer sugerir o envio à AGU de um processo em que não havia divergência entre órgãos. A situação precisa ser investigada.

DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO, ex-advogado-geral da União e defensor de Dilma Rousseff, sobre pedido do presidente para que Marcelo Calero consultasse a AGU.


CONTRAPONTO

À caipira

No depoimento do ex-senador Delcídio Amaral, na segunda-feira (21), quando começaram a ser ouvidas as primeiras testemunhas da ação contra Luiz Inácio Lula da Silva, na Justiça Federal do Paraná, um dos advogados do ex-presidente, José Roberto Batochio, disse que Curitiba é “região agrícola do nosso país”.

A audiência, marcada por bate-boca entre os advogados do petista e Sergio Moro, acabou virando piada.

No dia seguinte, ao entrar na sala de audiência do juiz que comanda as investigações da Lava Jato, José Carlos Cal Garcia, que defende executivos da OAS, ironizou:

— Tarrrrrrrrde, sô — carregando no sotaque caipira.