Delação de Eduardo Cunha à Lava Jato pode demorar mais do que o esperado

Por Painel

Lábios selados Eduardo Cunha ainda não emitiu sinais de que pretende propor um acordo de delação premiada à Lava Jato. Nas conversas que mantém na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, onde está preso desde 19 de outubro, o ex-presidente da Câmara transparece estar longe da colaboração. Esse cenário, porém, pode mudar à medida que suas tentativas de liberdade forem se esgotando. E Cunha já tomou o primeiro revés: o ministro Teori Zavascki (STF) não aceitou seu pedido de soltura.

Indireta No jantar oferecido por Michel Temer aos senadores da base, Renan Calheiros soltou um comentário que pareceu irônico aos convivas: “Parabéns, presidente, por mais uma vez ter tido o bom gosto de servir um vinho gaúcho no jantar de hoje”.

Direta Mas nem só ironias falou o senador. Sobrou também para Judiciário e Ministério Público quando Renan abordou a comissão dos supersalários e o projeto de lei sobre abuso de autoridade.

Made in A permissão para a adesão de parentes de políticos com cargos eletivos ou de direção em órgãos públicos deve turbinar a participação na nova janela de repatriação de recursos. Advogados falam em altíssimas somas de dinheiro lá fora.

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Não é Fanta De um experiente deputado federal, ao comentar o parecer, à época encomendado por Eduardo Cunha, contra a reeleição do presidente da Câmara. “Aqui na Casa é possível obter parecer para todos os gostos. Se eu quiser, consigo um dizendo que Coca-Cola é Guaraná”.

Cartão de visita Integrante do grupo da OAB que investigou ações do juiz Sergio Moro depois de interceptações da Lava Jato em telefones de advogados, Maurício Vasconcelos iniciou campanha na Câmara pela vaga no CNJ. Sua candidatura animou enrolados na operação.

De baciada Michel Temer deve aumentar o número de integrantes do Conselhão, que se reúne na semana que vem, para além dos 92 componentes da antiga gestão.

Sem alarde Assessor direto de Michel Temer, Sandro Mabel atua como “agente colaborador eventual” da Presidência. O Planalto diz que o convite aconteceu por meio de um ofício encaminhado diretamente a ele, que não teve publicidade. A norma que trata desse tipo de colaboração é de 2014.

Pode, Arnaldo? Integrantes da Comissão de Ética da Presidência dizem, em caráter reservado, que a função de colaborador costuma estar atrelada a um trabalho específico — e não a um assessoramento permanente do presidente da República.

Rota na rua Nas conversas com o prefeito eleito João Doria, o PP tem manifestado interesse pela Segurança Urbana. O partido tem dois nomes para o cargo: o vereador reeleito Conte Lopes e o deputado estadual Delegado Olim.

Gregos e troianos O chefe de gabinete de Doria será Wilson Pedroso, que tem a mesma função na EMTU e já foi subprefeito.

Para toda obra O PSB, principal aliado de Geraldo Alckmin, também quer espaço na gestão Doria. Uma possibilidade é o vereador Eliseu Gabriel assumir o Trabalho — pasta que ele comandou sob Fernando Haddad (PT).

Via direta A Câmara aprovou projeto de lei que cria cota para pessoas com deficiência nas universidades. A proposta é de autoria do senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). O Senado já havia dado aval à medida. “Acho mais justo do que a cota racial”, afirma o tucano.

Visita à Folha Deltan Dallagnol, procurador do Ministério Público Federal e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, visitou a Folha nesta quinta-feira (17). Estava acompanhado de Tiago Stachon, vice-presidente de Planejamento da OpusMúltipla.


TIROTEIO

Os que estimulam o ódio contra os movimentos sociais bebem o próprio veneno, com a invasão de intolerantes e fascistas.

DA DEPUTADA JANDIRA FEGHALI (PC do B-RJ), sobre o grupo de manifestantes que invadiu o plenário da Câmara em defesa da intervenção militar no país.


CONTRAPONTO

Detalhes tão pequenos

O secretário paulista de Recursos Hídricos, Benedito Braga, entregou ao prefeito eleito João Doria um estudo detalhado sobre o impacto das chuvas em São Paulo.

Em um evento para a imprensa, na quarta (16), o gesto do secretário tinha a intenção de simbolizar a união entre as gestões tucanas no Estado e na Prefeitura.

— Estou passando ao prefeito vários estudos que a secretaria fez sobre o plano de macrodrenagem — disse, enquanto entregava o calhamaço a Doria.

Um gaiato logo cochichou com um convidado:

— O secretário só se esqueceu de dizer que o documento foi produzido pelo Fernando Haddad.