De olho em sucessão em São Paulo, ministro da Justiça se divide entre Temer e Alckmin

Por Painel

A dois senhores Desde que assumiu o Ministério da Justiça, há seis meses, Alexandre de Moraes não arreda o pé do Palácio dos Bandeirantes. Segundo os registros de sua própria agenda oficial, o ministro teve cinco encontros tête-à-tête com o governador Geraldo Alckmin, seu antigo chefe — exatamente o mesmo número de vezes em que se reuniu individualmente com o presidente Michel Temer. Tamanha dedicação ao padrinho reforça a tese de que trabalha para ser o sucessor do tucano em 2018.

Em família Há ainda encontros com Alckmin e Temer não registrados na agenda oficial. O ministro da Justiça costuma frequentar o Bandeirantes também aos finais de semana.

No ninho Moraes foi chamado a discursar no evento que o PSDB de SP fará com seus prefeitos eleitos, no dia 19. Filiado ao partido desde 2015, suas frequentes visitas oficiais ao Estado atraíram a atenção do Planalto.

Nua e crua A área econômica constatou que a eleição de Donald Trump à Casa Branca atrasará a retomada do crescimento brasileiro — nos bastidores, fala-se em PIB inferior a 1,6% em 2017.

Efeito cascata Uma alta forte dos juros nos EUA fará com que boa parte do dinheiro investido no mundo migre para o mercado americano em busca de menores riscos de calote. Cenário assim pode levar o BC a reduzir o ritmo de queda da taxa Selic.

Muito chão Um figurão da Lava Jato estima que a delação premiada da Odebrecht só será assinada daqui a duas semanas ou mais. Isso empurra qualquer chance de homologação do acordo para fevereiro do ano vem, após o recesso do Judiciário.

Depende de nós Interlocutores de Gilmar Mendes avisam: o ministro Herman Benjamin só poderá apresentar seu voto sobre a chapa Dilma-Temer quando o presidente do TSE marcar a sessão — e o ministro não tem demonstrado nenhuma pressa.

Quero ser grande Em busca de se firmar como força política, o Movimento Brasil Livre divulgará o plano de eleger 15 deputados federais ligados ao grupo em 2018.

Turma O anúncio será feito no congresso nacional do MBL, no próximo fim de semana. Gilmar Mendes e João Doria irão ao encontro.

Bons ventos O empréstimo de US$ 1,2 bilhão do Santander à Petrobras foi fechado sem exigências de garantia. Operação assim, junto a um banco comercial, não acontecia desde 2014.

Quem quer dinheiro A Caixa também está bem perto de renovar uma linha de crédito de aproximadamente R$ 3,8 bilhões para a estatal.

Corporativismo Depois da aprovação do parecer do projeto com mudanças na carreira de auditores fiscais da Receita, a categoria ameaça intensificar a entrega de cargos de chefia. O protesto já atingiu mais de 1.300 postos de comando no país.

Quem se importa? O objetivo do grupo é “parar a máquina de arrecadação do governo federal”, a despeito da profunda crise fiscal.

Barrado na alfândega O presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, teme que a vitória de Trump provoque recuo nas discussões para a suspensão da exigência de vistos entre os dois países.

Arigatô O vereador reeleito Aurélio Nomura, hoje líder do PSDB, é o favorito para assumir a liderança do governo Doria na Câmara paulistana. A bancada faz lobby para que a vereadora Patrícia Bezerra assuma a pasta de Direitos Humanos.

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Vira-casaca O futuro secretário de Transportes e Mobilidade de SP, Sergio Avelleda, foi um dos responsáveis pelo plano de governo de Andrea Matarazzo (PSD), quando o ex-tucano ainda se colocava como candidato.


TIROTEIO

Se a Câmara aprovar o novo texto da Lei de Leniência e a anistia ao caixa dois, voltará do feriado proclamando a Negação da República.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre projetos de lei que tramitam na Câmara com o propósito de beneficiar congressistas investigados na Operação Lava Jato.


CONTRAPONTO

Meu “aprendiz” é melhor

O governador Geraldo Alckmin, que chegou aos Estados Unidos no dia seguinte à vitória de Donald Trump, esteve no jornal “The New York Times” na sexta (11).

O tucano foi chamado para falar do Brasil e de São Paulo. A conversa, no entanto, foi dominada pelo resultado eleitoral. Alckmin quis saber dos editores de política internacional — ainda um pouco aturdidos — o que a eleição significava para os americanos.

Lá pelas tantas, o governador que elegeu o também “não político” João Doria em SP, tentou ser solidário:

— Vejam só: também temos novos governos no Brasil, e são agradáveis surpresas eleitorais!