Congresso quer usar nova rodada da repatriação para beneficiar parentes de políticos

Por Painel

Tudo dominado O Ministério da Fazenda e o Planalto já haviam decidido fazer uma nova rodada para a repatriação de recursos do exterior antes mesmo da data final do programa, concluído nesta segunda (31). A ideia do governo é arrecadar cerca de R$ 30 bilhões a mais com a reabertura do prazo. O projeto agora em discussão prevê multa maior nas futuras adesões. Articula-se no Congresso a permissão para que parentes de políticos regularizem dinheiro lá fora, o que foi vedado na lei original.

Maquiavelices A multa subiria para 17,5%, marca superior aos 15% da primeira fase. Há forte pressão de senadores e deputados para que familiares de políticos sejam beneficiados desta vez.

Saia justa O governo não queria anunciar o novo prazo agora, mas Renan Calheiros acabou revelando o plano de reabrir a repatriação — a ideia original era, primeiro, “surfar” na onda da alta arrecadação de R$ 50,9 bilhões antes de falar na nova fase.

Espírito de corpo Líderes de partidos da base de Michel Temer enviaram carta de apoio ao presidente do Senado por ter defendido a instituição contra a prisão de policiais legislativos sem aval do Supremo Tribunal Federal.

Por um triz O Planalto foi informado de que Eduardo Cunha está mandado recados ao governo, a aliados no Congresso e a ministros do STJ. Fechará acordo de delação premiada caso sua família fique mais exposta à Lava Jato.

Nervos de aço Depois de chorar na prisão ao reencontrar Cláudia Cruz, Cunha se manteve firme quando a mulher o visitou pela segunda vez acompanhada dos filhos.

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Piada pronta Ex-ministra da era petista, Izabella Teixeira (Meio Ambiente) brinca com o romance policial que Dilma Rousseff gostaria de escrever. “O culpado será o mordomo, claro”, alfineta, numa ironia a Michel Temer.

Acolá Dilma confirmou presença em um evento no Uruguai, nesta sexta-feira (4), sobre defesa da democracia.

Poder de escolha Vanderlei Macris (PSDB) vai sugerir à comissão da reforma política da Câmara que inclua o voto facultativo na discussão. “Os brancos e nulos nas eleições provam que ele já existe na prática. Não faz mais sentindo o voto obrigatório.”

Nem vem Presidente do PRB, o ministro Marcos Pereira (Indústria) refuta a possibilidade de Marcelo Crivella, prefeito eleito do Rio, disputar o Planalto: “O povo não aceita esse tipo de postura. Ele foi eleito para governar a cidade por quatro anos”.

Santo de barro Geraldo Alckmin tem recomendado cautela ao avaliar o impacto de sua vitória nas eleições municipais na definição do candidato tucano em 2018. Lembra o óbvio: que Aécio Neves detém hoje o controle da máquina partidária.

Às urnas Intelectuais ligados à esquerda articulam o movimento “Quero Prévias” para a eleição presidencial. Encabeçado por nomes como o do cientista político Marcos Nobre, o grupo lança um manifesto dia 8 de novembro.

Entrada livre Após a estrondosa derrota da esquerda nas eleições municipais, eles defendem que seus eleitores sejam ouvidos para definir o candidato ao Planalto. A proposta é que não filiados a partidos políticos também participem das prévias.

Não deu Anderson Pomini, futuro secretário de Negócios Jurídicos de São Paulo, entregou à equipe de transição do prefeito eleito João Doria parecer que impede a nomeação de Paulo Mathias para a presidência da SPTuris.

Letra da lei O advogado detalha a lei das estatais, de Temer, que exige quarentena de 36 meses para que dirigentes de partidos e pessoas que atuaram em campanhas eleitorais assumam postos de direção e de conselho de administração de estatais.


TIROTEIO

Plebiscito sobre teto de gastos e reforma da Previdência? O povo foi ouvido duas vezes nesta eleição e disse não ao projeto do PT.

DO SENADOR ROMERO JUCÁ (RR), presidente do PMDB, em resposta à proposta petista de consulta popular sobre as duas emendas à Constituição.


CONTRAPONTO

“Ela não anda, ela desfila” 

Depois de passar mal ao sofrer dois picos de pressão durante o trabalho, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), prometeu seguir as recomendações de seu médico: melhorar a alimentação, dormir mais cedo, perder alguns quilinhos, maneirar na rotina de jantares e, claro, ficar menos estressado — desafio gigantesco para o perfil impetuoso do paciente.

Nos primeiros dias, Geddel até andou na linha. Mas malhava com o celular no bolso.

Quando um amigo ligou, o ministro foi logo dizendo:

— Fale rápido. Estou correndo na orla. Vou emagrecer tanto que, já já, me torno a nova sílfide de Brasília!