Venda de mineradora de Picciani para cervejaria é informada por órgão de controle à Lava Jato

Por Painel

Laços de família A compra pelo Grupo Petrópolis de parte de uma mineradora que tem Leonardo Picciani (Esporte) como sócio entrou na mira de relatório de inteligência financeira feito por órgão de controle da Fazenda para a Lava Jato. O grupo pagou R$ 5,5 milhões aos Picciani logo após ter recebido R$ 36 milhões de uma empresa com capital de R$ 1.000. “A movimentação foi caracterizada pelo recebimento com imediato pagamento ou de transferência a terceiros sem justificativa”, diz o documento.

Outro lado Procurado, Jorge Picciani, pai do ministro e responsável pela empresa, diz que a compra de parte da mineradora pelo Petrópolis foi legal e que ele não tem responsabilidade sobre a origem dos recursos que o pagaram.

Sem mais O Grupo Petrópolis sustenta que se trata de compra e venda de ações.

Errou o alvo Passado o primeiro turno das eleições, ministérios começaram a receber romaria de deputados pedindo algo inusitado: que as pastas cancelassem recursos liberados a pedido deles para municípios em que os aliados foram derrotados.

Meu umbigo Como parte das obras só era esperada para 2017, os parlamentares não querem ver adversários triunfando com o esforço alheio.

Desinteresse público O caso mais emblemático é o de uma cidade em que a mãe de um deputado não fez o sucessor, e ele correu ao governo para pedir o bloqueio.

Do barulho Em uma das visitas ao marido, Isabela Odebrecht ouviu de Marcelo: “Nossa, foram presos uns caras barras-pesadas aqui”.

Ato falho? A mulher do empreiteiro pareceu responder sem pensar, segundo pessoas com acesso à carceragem da PF: “E você acha que é o que para estar aqui?”.

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Há vagas O restaurante Tia Zélia, reduto de petistas e o preferido de Lula em Brasília, está em crise desde o impeachment. O local, que chegava a ter 40 minutos de espera, está farto de mesas vazias.

Enquanto é tempo Às vésperas da decisão do Congresso sobre cortar recursos públicos para partidos nanicos, multiplicam-se pedidos de registro de siglas na Justiça Eleitoral. São 52 novos grupos tentando se oficializar.

Gregos e troianos Na lista, há os ligados a causas ambientais, como o Animais; os religiosos, como a UDC do B (União da Democracia Cristã do Brasil); e os esportistas, como o já notório PNC (Partido Nacional Corinthiano).

Mangas de fora Deputados que votaram contra o impeachment — mas agora integram a base de Michel Temer — começam a se acotovelar por espaço no governo.

Mudei de lado Eles tinham ficado fora da partilha inicial, mas, como votaram com o Planalto no teto de gastos, já se acham merecedores de um cargo ou outro.

Casei primeiro As bancadas que estão com Temer desde o início — principalmente as do Nordeste — começam a se movimentar para barrar a concorrência.

Carnê da infelicidade O comando do PR paulista discutiu com Geraldo Alckmin apoio ao tucano na disputa presidencial de 2018. Com a derrota do PT em SP, dirigentes dizem que a “última parcela com o petismo já foi paga” e que, agora, estão livres.

Papel passado Um dos caciques afirma que o PR não quer deixar para selar o casamento com Alckmin na véspera da eleição. Pretende definir a sinecura em São Paulo logo depois do segundo turno das disputas municipais.

Dureza O prefeito Fernando Haddad está angustiado com sua dívida de campanha — R$ 8 milhões, segundo o TSE. Os jantares de arrecadação não estão rendendo muito e, para atrapalhar, amigos dizem que o PT está ajudando menos do que deveria.


TIROTEIO

O clima não é de velório, é de efervescência do regime democrático. É no tranco da carroça que as abóboras se ajeitam.

DE CARLOS AYRES BRITTO, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, sobre a semana de turbulências entre os Poderes Legislativo e Judiciário.


CONTRAPONTO

Boca fechada não entra mosquito

Durante jantar de João Doria com os 25 vereadores eleitos por sua coligação, na segunda-feira (24), no Terraço Itália, Zé Turin (PHS) disse a Julio Semeghini (PSDB) que o próximo encontro deveria ser em uma churrascaria. Pudera: ele é dono de um açougue.

Quando Doria terminou seu discurso, chegou a vez de Turin falar. Semeghini logo interrompeu:

— Fala o que você me disse ali no canto — encorajou o tucano.

— O quê? — questionou o futuro vereador.

— O que estava me dizendo lá fora, ora!

— Ah! Que eu quero a subprefeitura de Santo Amaro?