Polícia da Câmara também tentou comprar maletas antigrampos, peça central da operação no Senado

Por Painel

Inspetor Bugiganga Peça central de um sistema de contrainteligência que levou quatro policiais do Senado à prisão nesta sexta-feira (21), as maletas antigrampo também despertaram o interesse de agentes da Câmara. A Polícia Legislativa da Casa chegou a pedir à primeira-secretaria, em 2015, a compra de equipamentos semelhantes, sob o argumento de que a coirmã do tapete azul havia adquirido os materiais “ultramodernos”. O pleito dos agentes, no entanto, acabou barrado pelos dirigentes.

Ação e reação A operação no Senado foi vista entre peemedebistas como uma resposta de Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal às novas movimentações do presidente da Casa, Renan Calheiros, e aliados para desengavetar o projeto sobre abuso de autoridade.

Tantas emoções Primeiro-secretário do Senado na época da aquisição das maletas de R$ 400 mil, Flexa Ribeiro (PSDB-AM) disse não se lembrar da compra. “Passa tanta coisa por aqui. Deve ter sido algum pedido da área de segurança”, desconversou.

Linha direta Ao levantar o processo da compra das maletas, de janeiro de 2015, o senador tucano afirmou que apenas ratificou solicitação da diretoria-geral do Senado, com base no regulamento que define as atribuições da Polícia Legislativa.

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Triplo carpado Atônito com o desempenho da Polícia Federal, um palaciano brinca com as três operações robustas nos últimos dias: “O Leandro Daiello já pode até pedir música no Fantástico”, diverte-se, em referência ao diretor-geral da instituição.

Toma lá Com medo da cláusula de barreira, partidos pequenos e médios já começam a usar a eleição da Mesa Diretora da Câmara em 2017 como moeda de troca para travar a reforma política.

Dá cá Juntas, as siglas tentam evitar que os grandes partidos aprovem uma emenda à Constituição que dificultaria o acesso a recursos públicos. Isso, na prática, inviabilizaria seu funcionamento.

Pós-Teto O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirma que a sua prioridade após a análise da PEC que impõe um limite aos gastos do governo federal será votar projetos para ajudar a tirar os governadores da penúria.

Diga-me Palacianos argumentam que, nem se quisessem, teriam como entrar na disputa pela presidência da Câmara agora. Os próprios blocos estão desorganizados.

Não quer calar “Quem é candidato do centrão, Rogério Rosso ou Jovair Arantes? E do PSDB, Carlos Sampaio ou Antonio Imbassahy?”, questiona um auxiliar de Temer.

Vai que… Dirigentes do DEM torcem para que um novo mandato “caia no colo” de Maia. Com os impasses, esperam que a recondução do atual presidente da Câmara possa ser vista como uma solução que pacifique a Casa.

… cola A tese esbarra em todo o resto da Câmara — do centrão à antiga oposição, passando pelo PMDB — e no Planalto, que avalia que a hipótese joga mais lenha na fogueira que ele tenta apagar.

Santo de casa Tucanos de São Paulo celebraram a pesquisa sobre sucessão em Belo Horizonte, em que o candidato do PSDB está numericamente atrás. Acham que isso enfraquece Aécio Neves e facilita a vida de Geraldo Alckmin para ser o candidato do partido em 2018.

Uni-vos Aliados do senador mineiro reagem ao fogo amigo e dizem que o resultado positivo do PSDB no primeiro turno teve contribuição da candidatura de Aécio à Presidência em 2014 e de sua gestão à frente do partido.

Vamos juntos “Querer minimizar uma consagradora vitória do partido não beneficia ninguém e revela falta de visão”, afirma o líder da bancada na Câmara, Antonio Imbassahy (PSDB-BA).


TIROTEIO

A República dos sonhos do PT é aquela em que não seriam permitidas prisões de petistas, tampouco a de seu chefe supremo.

DO DEPUTADO ESTADUAL PEDRO TOBIAS, presidente do PSDB paulista, sobre o petista Rui Falcão ter criticado o que chamou de excessos da Lava Jato.


CONTRAPONTO

Deixa para lá

Em um giro pela Inglaterra, semana passada, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) fez uma visita ao Parlamento.

Ao lado dos ministros Fernando Coelho Filho (PSB) e Maurício Quintella (PR) — ambos licenciados da Câmara — e dos deputados Paulo Azi (DEM), Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Elmar Nascimento (DEM), Rossso explicava para os ingleses o funcionamento do Legislativo brasileiro.

Lá pelas tantas, decidiu abrir o aplicativo que mostra em tempo real o quorum no plenário em Brasília. Ao se deparar com apenas três deputados por lá, soltou:

— Somos seis aqui e três no Brasil. Hoje nossa Câmara está mais britânica que brasileira!