Presidente do PMDB vai propor novas regras de uso de recursos do fundo partidário

Por Painel

Pajelança Após o segundo turno, o presidente do PMDB, Romero Jucá, convidará caciques de siglas aliadas para discutir novas regras de uso do fundo partidário. Com o fim do financiamento empresarial, a ideia é flexibilizar o destino engessado da verba dentro dos partidos. Quem deve sofrer são as fundações: a proposta prevê reduzir de 20% para 5% o investimento das legendas exigido pela legislação. A criação de um fundo eleitoral para custear campanhas também será tema do encontro.

Troca com troco Jucá e Moreira Franco, que preside o instituto peemedebista, estranharam-se nas disputas municipais deste ano, quando o PMDB tentou, sem sucesso, que a Fundação Ulysses Guimarães repassasse recursos para bancar candidatos.

Shangri-La Um mês e meio depois do impeachment, há um único lugar na República em que Dilma Rousseff ainda é presidente. No Portal da Transparência do governo federal, os dados dos servidores não foram atualizados e a petista não perdeu o cargo.

Não deu F5 Na ficha funcional de Dilma Rousseff, no item do site que indaga se foi alvo de “ocorrência de afastamento ou licença”, a resposta é curta, grossa (e desatualizada): “Não”.

Fundo do poço Em sinal do tamanho do buraco financeiro em que as empreiteiras da Lava Jato se meteram, banqueiros vaticinam: essas empresas terão de mudar de nome se quiserem sobreviver no mercado. Mas não só.

Sem passado Dois executivos de banco — um público e outro privado — deram o mesmo diagnóstico em conversas separadas. Grupos como a Odebrecht e a OAS terão de reformar sua estrutura acionária, mudar de nome e de controladores.

Sinal dos tempos O Congresso está atônito com a imposição de um teto nos gastos públicos. Para manter as despesas com saúde dentro das novas regras no Orçamento do ano que vem, será preciso tirar R$ 4 bilhões de outra área.

Mote de Lula “Nunca antes na história deste país se fez um Orçamento com teto”, afirma o relator da peça para 2017, senador Eduardo Braga (PMDB-AM). Sua tarefa é inglória: estima um corte total da ordem de R$ 15 bilhões. Antes do teto, aumentava-se a receita de forma fictícia.

Ecos do passado Quatorze anos depois, a morte do ex-prefeito Celso Daniel será recontada em livro. Escrito pelo jornalista Silvio Navarro, editor do site da revista “Veja”, a obra liga Sergio Sombra, acusado de ser mandante do crime, à arrecadação de campanhas do PT.

Vasos comunicantes O livro traz gravações inéditas do rádio da Polícia Militar no momento do sequestro e conta a relação de Nelma Kodama, doleira da Lava Jato, com o crime em Santo André.

Nem me viu Centrais sindicais, mesmo as próximas ao governo, não pretendem um acordo público com o Planalto sobre a reforma da Previdência. O roteiro é sentar à mesa e sair das negociações sem aperto de mãos, para que possam brigar pela flexibilização ao lado dos deputados.

Tudo nosso Dirigentes mais pragmáticos esperam que o Planalto solte o texto com “gordura para queimar” e deixe implícito até onde o Congresso pode chegar. Assim, mostrariam a reforma ao mercado e os sindicalistas usariam as mudanças como vitória para as bases.

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Franciscano Em meio ao ajuste fiscal, o novo secretário de Fazenda de Geraldo Alckmin, Hélcio Tokeshi, tem cortado na própria carne. Há um mês no posto, dispensou o motorista a que tem direito e só tem andado de metrô.

Apagão E, na sede da pasta, no centro da cidade, ele determinou que se aproveite ao máximo a iluminação natural. As luzes passam grande parte do dia apagadas.


TIROTEIO

Fernando Henrique Cardoso deve ter dito a Temer que a economia do país está degradada porque desse assunto ele entende!

DO DEPUTADO ORLANDO SILVA (PC do B-SP), ironizando a conversa do ex-presidente tucano com Michel Temer, no Palácio do Jaburu, nesta semana.


CONTRAPONTO

Dizem que criança não mente

Ao chegar ao Palácio do Jaburu para uma reunião, nesta quarta, 12 de outubro, com o presidente Michel Temer, Fernando Henrique Cardoso e Gilmar Mendes (TSE), o articulador político do governo viu seu telefone tocar.

Era Geddelzinho, o filho de sete anos do ministro Geddel Vieira Lima:

— Papai não vai conseguir passar o Dia das Crianças com você — lamentou o peemedebista.

— Por que, papai?

— Porque o presidente me chamou.

— Pô, papai, esse Temer é chato para cacete! — disse o menino, repetindo o palavrão que o pai sempre entoa.