Fiéis escudeiros de Dilma Rousseff seguem pendurados no governo de Michel Temer

Por Painel

Últimos dos moicanos Dois dos mais fiéis escudeiros de Dilma Rousseff seguem, para todos os efeitos, trabalhando para Michel Temer. José Eduardo Cardozo, advogado da petista durante o impeachment, e Miguel Rossetto, ex-ministro do Trabalho, ainda figuram formalmente como membros do conselho de administração do BNDES, apesar de não frequentarem mais as reuniões do órgão e, portanto, não receberem por isso. Pelo sim, pelo não, darão ao Planalto o gostinho de demitir os notórios petistas.

Tá de brincadeira A exoneração de Rossetto sairá no “Diário Oficial” desta segunda — ele havia pedido para deixar o conselho em 12 de agosto, mas por alguma razão a solicitação só chegou à Casa Civil em 27 de setembro. A despedida de Cardozo não foi sequer processada.

Funcionário do mês O ex-ministro da Justiça disse que, à época do desligamento, estava envolvido com a defesa da petista no Senado e não se lembrou de oficializar a exoneração — providência tomada nesta sexta (14), após ser procurado pela coluna.

Muda mais O Planalto trabalha para pôr de pé ainda em novembro a primeira reunião do Conselhão sob Temer. A ideia é que sejam chamados nomes de setores que não eram contemplados na formação anterior, ligados a empreendedorismo e inovação.

Caça-talentos Longe da Secretaria de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame passou a ser visto com bons olhos pela equipe mais próxima de Temer no Planalto.

Alta fidelidade Todas as apostas no palácio vão no sentido de que o governo terá, no segundo turno da PEC do teto de gastos, mais do que os 366 deputados que conseguiu na primeira votação.

Benevolente Apeado da Prefeitura do Rio e longe da de SP, o PMDB decidiu abrir os cofres às vésperas do segundo turno para impulsionar seus 14 candidatos que ainda disputam as cidades com mais de 200 mil eleitores.

Dividir para governar A cúpula do partido pretende injetar R$ 500 mil em várias dessas campanhas. A ideia é tentar assegurar uma base ampla de prefeitos e, assim, melhorar a competitividade da sigla nas eleições de 2018.

Lula lá Para tentar garantir espaço no chamado cinturão vermelho paulista, seu antigo reduto, o PT quer levar o ex-presidente Lula na próxima semana ao palanque de Carlos Grana, candidato à reeleição em Santo André.

Vai ter de me engolir Antes renegado pela sigla, Eduardo Suplicy, vereador eleito com o maior número de votos no país, agora é garoto-propaganda do partido. Vai a Santo André e a Mauá.

Somente a verdade Serão ouvidas no dia 24 as testemunhas na ação em que Geraldo Alckmin e o prefeito eleito João Doria são acusados de abuso de poder político.

No milho A Justiça condenou três fundadores do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim Kataguiri, Renan Santos e Fernando Holiday, a pagar multa — R$ 5.000 cada — por propaganda eleitoral irregular no Facebook.

À la tupiniquim Doria ganhou o apelido de “réplica brasileira de Donald Trump” em texto do britânico “Telegraph” — título que ele sempre refutou durante a eleição.

Turma do funil Um grupo que se autointitula “Tucanos de Fogo” — em referência à ingestão de bebida alcoólica — organizou caravana de militantes do PSDB para fazer campanha no interior paulista. Irão a Ribeirão Preto trabalhar por Duarte Nogueira.


TIROTEIO

O PSDB é importante, mas os outros partidos também o são. Não dá para ser monogâmico. Não tem de ter escolha prévia para 2018.

DO SENADOR ROMERO JUCÁ (RR), presidente nacional do PMDB, sobre acerto de união com o PSDB e o risco de melindrar outros aliados nessas negociações.


CONTRAPONTO

Sergio Moro por um dia

Acompanhado de parte de sua equipe, o ministro Sérgio Etchegoyen, que comanda o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, partia para um almoço no restaurante do Planalto na semana passada.

Quando o grupo passava do prédio principal para o anexo, o crachá de um dos integrantes da comitiva travou no sistema de catracas recém-instalado nas dependências do palácio.

Já alguns passos à frente, Etchegoyen se deu conta da ausência do companheiro de ministério e se virou para trás, brincando:

— Crachá travado? Isso aí é prisão na certa!