MPF quer barrar medida de Dilma que usa em atos políticos beneficiários do Minha Casa, Minha Vida

Por Painel

Se essa rua fosse minha Uma semana antes do impeachment, o governo Dilma Rousseff editou portaria oficializando prática de movimentos de moradia de usar o Minha Casa, Minha Vida para arregimentar beneficiários para manifestações. O texto definiu que a presença em atividades desses grupos pode ser usada como critério de seleção ao programa. O Ministério Público Federal diz que a norma permite seu uso político e partidário. Cobra do Planalto a suspensão de financiamentos.

Atacado Os procuradores também pedem a anulação da portaria do Ministério das Cidades que formalizou, neste ano, uma prática adotada há anos. Casa Civil e líderes de movimentos por moradia discutiram o assunto em reunião na semana passada.

Conforme a maré O Ministério das Cidades e o Palácio do Planalto ainda não se manifestaram ao Ministério Público. Mas a tendência é que concordem com a argumentação dos procuradores.

No encalço Líderes dessas entidades dizem que o critério integra a política habitacional desde os anos 1980, quando começaram os mutirões. Afirmam que há parecer da AGU legitimando a exigência. “Há tentativa de nos criminalizar”, dispara um deles.

Feirão da Caixa Questionado sobre a diferença entre a Esplanada e a Câmara, o ministro Bruno Araújo (Cidades) — de volta ao Congresso para votar o teto de gastos — brincava: “No ministério me sinto inquilino, morando de aluguel. Aqui é casa própria”.

Nova temporada Animados com os resultados da Operação Greenfield, da Polícia Federal, deputados começam a articular para o ano que vem a instalação de uma nova CPI dos Fundos de Pensão.

Capítulo anterior A comissão que funcionou em 2016 se concentrou em quatro fundos, com R$ 320 bilhões — mas recebeu muitas informações sobre outras aplicações que não estavam em seu escopo inicial. A ideia agora é investigar fundos como os de Furnas, Vale e Eletrobras.

Vai que cola Magistrados e integrantes do Ministério Público programam nova rodada de manifestações para reivindicar aumento salarial. Vão usar o discurso de que o governo segura dinheiro para atrapalhar a Lava Jato.

Nem vem Palacianos já fizeram chegar às categorias que, em tempos de ajuste fiscal, não aceitarão qualquer tipo de pressão e que a operação tem dinheiro suficiente.

Perto do fim A PGR espera a delação da Odebrecht para finalizar o inquérito que investiga o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão.

Infinita delação Integrantes do Ministério Público dizem que a denúncia contra o peemedebista pode ganhar força após as revelações dos executivos da empreiteira.

Cara de paisagem O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, não deve se pronunciar sobre a polêmica foto ao lado de Alexandre Kalil (PHS), ex-presidente do Atlético Mineiro que disputa a Prefeitura de BH. A imagem é usada pelo candidato como declaração de apoio.

Pode isso, Arnaldo? Segundo interlocutores, a foto foi tirada sem que Janot imaginasse seu uso eleitoral. Para os críticos, o xerife da Lava Jato não pode se deixar vincular a uma campanha, pois é ele quem indica o procurador-geral eleitoral no Estado.

Não arredo o pé João Doria insiste que o congelamento das tarifas de ônibus será mantido mesmo que os R$ 500 milhões que ele pede ao governo Temer nunca apareçam no caixa da prefeitura.

Roupa suja O PSDB paulistano reúne sua Executiva no dia 20 para definir os substitutos dos que deixaram a direção em retaliação à candidatura de Doria. Haverá relatório sobre militantes que não atuaram pelo tucano. Pode haver expulsões.


TIROTEIO

Os ministros Eliseu Padilha e Geddel Vieira Lima já estão incorporando o jeito Dilma de ser. Arrogantes e desrespeitosos.

DE BETO ALBUQUERQUE (PSB-RS), vice-presidente do partido, reclamando de retaliação do Planalto sobre quem votou contra o teto de gastos.


CONTRAPONTO

De volta para o futuro

Depois do impeachment de Collor, Michel Temer, então secretário de Segurança Pública de SP, participou do programa “Clodovil Abre o Jogo”, da TV Manchete.

O apresentador faz, sem rodeios, a primeira pergunta:

— Você não acha que os políticos falam demais?

Temer tergiversa. Diz que a solução dos problemas do país depende de uma nova cultura política. E emenda:

— Demos recentemente um exemplo para os países do primeiro mundo. O chamado impeachment não é uma peça de país de terceiro mundo. A peça dos países de terceiro mundo é o golpe de Estado e nós aqui fizemos funcionar todas as nossas instituições regularmente.