Planalto racha sobre compromisso de apresentar reforma da Previdência até o fim de setembro

Por Painel

Dialética palaciana O Planalto está rachado sobre a promessa de Michel Temer de apresentar a reforma da Previdência até sexta-feira (30). Líderes pressionam o governo para que o texto só seja enviado depois da eleição, poupando candidatos da base. “Não dá para mandar algo dessa magnitude sem ouvir empresários, trabalhadores e aliados. E isso toma tempo”, diz um ministro. Outra ala avalia que o presidente precisa expor o projeto ainda em setembro para mostrar ao mercado compromisso com o ajuste.

Tem, mas acabou Ao menos três ministérios deixaram de receber, em setembro, recursos para pagar uma parcela das emendas parlamentares que já tinham sido autorizadas pelo Planalto.

Promessa é dívida O “calote” irritou deputados, que, às vésperas do primeiro turno, haviam obtido sinalização do governo de que os investimentos em suas bases eleitorais seriam honrados.

Trem da alegria O Senado identificou nova vocação em sua cúpula administrativa: indicados por Renan Calheiros, a diretora-geral Ilana Trombka e o secretário-geral Luiz Bandeira vão representar a Casa em um evento sobre o sistema sueco de avaliação de políticas de inovação.

Cadê critério? Waldir Maranhão e aliados estão irritados com a divisão do fundo partidário do PP para que a bancada custeie candidatos.

Caixa zerado O pretexto para que eles não recebam recursos é o voto contra o impeachment — mas há deputados que votaram com Dilma Rousseff e, ainda assim, puderam ver a cor do dinheiro.

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Didatismo Mendonça Filho (Educação) nega que tenha havido recuo do ministério ao alterar a medida provisória de reformulação do ensino médio. “A mudança foi só para reafirmar o que já estava garantido. É como dizer ‘a cocada do coco do coqueiro da praia'”, exemplifica.

Olá, PIB Michel Temer deve receber na semana que vem, no Planalto, executivos da Shell e da Coca-Cola.

Intercâmbio A área internacional da Lava Jato está otimista com a possibilidade de receber dados do Panama Papers. A solicitação será feita à Justiça panamenha assim que os procuradores definirem a qual parte dos papéis querem ter acesso.

WeTransfer Diferentemente do que aconteceu com pedidos ligados à Odebrecht — que sofreram resistência do país –, a Justiça local tem mostrado boa vontade para compartilhar esse material.

Intruso A aparição de Nilton Ishii, o japonês da Federal, ao lado de Leo Pinheiro, da OAS, e do pecuarista José Carlos Bumlai, há cerca de duas semanas, gerou certa insatisfação na organização.

Espelho meu A PF não gostou de sua aparição conduzindo presos, pois Ishii ainda é monitorado por tornozeleira eletrônica. Licenciado, ele voltará a trabalhar integralmente em outubro.

Em família Petistas dão sinais de que tendem a apoiar a peemedebista Marta Suplicy caso ela vá para o segundo turno da eleição paulistana e Fernando Haddad não.

Ops! Antes disso, no entanto, o PT aposta em uma confusão que pode beneficiar Haddad. A torcida é para que eleitores digitem 13 na urna tentando votar em Marta, ainda bastante identificada com a sigla na periferia.

Xerox Procuradores do Estado de São Paulo foram, na sexta-feira (23), ao Ministério Público Eleitoral pedir cópias do procedimento que pode resultar em uma ação contra João Doria (PSDB) por abuso de poder político.

Elementos O material servirá de base para a resposta do governador Geraldo Alckmin à Promotoria sobre a “eventual oferta de secretarias de Estado a agremiações políticas” em troca de apoio a Doria na eleição municipal.


TIROTEIO

O perigo é a Lava Jato se perder pela seletividade e exibicionismo dos próprios membros. Quem ‘lava’ não pode ‘sujar’.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre ações recentes de integrantes da Lava Jato, como a apresentação da denúncia contra o ex-presidente Lula.


CONTRAPONTO

O medo de cada um

Em campanha pelo interior de Pernambuco no sábado passado, o senador Armando Monteiro (PTB-PE) foi ao pequeno município de Tabira, no sertão, acompanhado do amigo Sílvio Costa (PT do B-PE). O deputado ficou conhecido pelos discursos inflamados na tribuna da Câmara, principalmente em defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment. Lá pelas tantas, o senador resolveu brincar com o aliado:

— Existem dois tipos de políticos: os que têm medo de microfone e os que o microfone tem medo deles… Neste último caso, está Sílvio Costa!

Nem o deputado conteve o riso no palanque.