Em meio à crise, governadores trocam um secretário de Fazenda por mês

Por Painel

Profissão perigo Desde o início de 2016, oito Estados já trocaram seus secretários de Fazenda — média de uma mudança por mês. Apesar da função estratégica, os titulares do cargo são os primeiros a sofrer desgaste com a crise econômica e a consequente queda na arrecadação e nos repasses federais. As mudanças atrapalham as negociações com as administrações locais, prejudicam reformas em impostos como o ICMS e podem desacelerar os acordos de renegociação das dívidas dos Estados com a União.

Exceção Um dos ex-titulares “caiu para cima”: Ana Paula Vescovi deixou a secretaria no Espírito Santo para assumir o Tesouro Nacional.

Perdi a chance Os governadores se queixam do recuo no projeto da renegociação da dívida. Queriam transferir para o Planalto a culpa por não conceder aumentos salariais a carreiras com forte poder de lobby sobre políticos — caso do Judiciário.

Não gostei Apesar de a equipe econômica minimizar a mudança, técnicos do Tesouro e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional estão indóceis com a decisão de retirar a trava à elevação de gastos com servidores públicos.

Antropofagia Bastou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), lançar Michel Temer à reeleição para que a porteira das intrigas fosse aberta de uma vez.

Parente é serpente Apesar da aliança, agora é o PSDB criticando publicamente o governo, o governo apontando motivação eleitoral nos tucanos e o Planalto atirando, veladamente, na Fazenda. Tudo isso por causa das eleições de 2018.

Recadinho De um emissário do presidente interino: “Bom seria se Henrique Meirelles soltasse uma nota dizendo que não é candidato a presidente, como fez Michel”.

Inócuo O problema é que a negativa faria o titular da Fazenda “passar recibo”, alerta um interlocutor. A tese é que o ministro não ganha nada entrando no assunto, mesmo que seja para refutá-lo — José Serra, por exemplo, não é cobrado a fazê-lo.

Entre sem bater Governadores ainda se surpreendem com diferenças entre Temer e Dilma Rousseff: Rodrigo Rollemberg (DF) pediu audiência pela manhã e foi recebido na hora do almoço — algo impensável com a petista.

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