Governo vai nomear indicados políticos mesmo antes do aval de órgãos de inteligência

Por Painel

Benefício da dúvida Pressionado por partidos da base a destravar nomeações para o segundo e o terceiro escalões, o governo Temer passará a admitir os indicados políticos do Congresso mesmo sem o aval dos órgãos de inteligência, caso da Abin. A análise da ficha dos novos inquilinos será feita a posteriori. Se houver pequenas incompatibilidades — como ser sócio ou administrador de empresas — o indicado terá de se adequar. Se forem achados problemas maiores, o Planalto promete exonerá-lo.

A jato Antes, a contratação só ocorria após o OK da Abin. A partir de agora, passará a ser liberada pela Secretaria de Governo. A pesquisa sobre o passado do candidato ao cargo será feita em paralelo, mas sem travar a nomeação no “Diário Oficial”.

Favorável Apesar de Temer ter telefonado aos líderes do centrão esclarecendo a fala de que quer “desidratar” o bloco, o Planalto está com um sorriso largo diante do enfraquecimento do grupo. Ficará mais barato governar sem a faca deles no pescoço.

A tinta acabou Sem a presidência da Câmara, o grupo perde poderes como o de pautar medidas de interesse do governo e definir relatores para temas prioritários. Os instrumentos tradicionais de cooptação do governo — emendas e cargos — voltam a ser mais efetivos.

Tô vivo O centrão sabe que perdeu poder institucional, mas não morreu. “Esse agrupamento é natural, continuará a existir, mas não quer dizer divisão na base”, garante Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), um dos líderes do bloco.

Corra, Lola Investigadores da Lava Jato alertam: é bom que o marqueteiro João Santana e sua mulher, Mônica Moura, não embromem muito para aceitar os termos da delação premiada. “Ou podem perder o timing”, dizem.

Joio do trigo Depois de uma semana de silêncio no grupo de WhatsApp da bancada do PMDB, Eduardo Cunha repareceu nesta quinta. Agradeceu “aos companheiros que lutaram por mim na CCJ”.

Queridinha Na quarta, o governo enviou uma lista de emendas para serem pagas por um de seus ministérios em que apenas um município era contemplado: Tietê, cidade de Temer. Dois dias depois, porém, a lista final veio com número maior de prefeituras beneficiadas.

Análise particular Michel Temer reuniu-se na tarde de sexta (15) com o sociólogo e especialista em marketing político Antonio Lavareda. Segundo presentes, conversaram sobre a comunicação do governo e a Olimpíada.

Era outro Apesar do encontro ter sido confirmado por três pessoas, Lavareda nega que ele tenha ocorrido.

Que hora Em Istambul durante tomada do poder por militares, Marcelo Calero (Cultura) temia não conseguir cumprir sua primeira agenda fora do América do Sul: uma sessão da Unesco. A embaixada brasileira ainda tentava, na noite de sexta, viabilizar sua saída da Turquia.

Tem limite Em resposta à declaração do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, de que não há país que não forneça subsídios ao setor aeroespacial, Serra afirma: “Mas o Canadá concede mais que os outros”.

À briga O chanceler José Serra diz que essa é uma das razões pelas quais o Brasil pode abrir disputa na OMC contra subsídios que o Canadá concede à Bombardier.

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Vou labutar O playboy Chiquinho Scarpa é o novo vice-presidente do PRB de SP, partido de Celso Russomanno. O “conde” deve disputar pelo sigla uma vaga de vereador na Câmara Municipal.

Para aprender O Partido Novo, criado em 2015, reservou 120 vagas num curso de formação de candidatos. Promovido pelo CLP (Centro de Liderança Pública), ensinará a planejar uma campanha.


TIROTEIO

Michel Temer e Eduardo Cunha criaram e estimularam o centrão em uma empreitada conjunta. Quem pariu Mateus que o embale.

DO DEPUTADO JOSÉ GUIMARÃES (PT-CE), sobre o grupo que ajudou na votação do impeachment de Dilma, mas que, agora, leva dor de cabeça a Michel Temer.


CONTRAPONTO

Sai pra lá

Durante a semana, Paulo Maluf (PP-SP) procurou Chico Alencar (PSOL-RJ) com uma queixa sobre colegas de partido do deputado fluminense. Do alto da experiência de quem já administrou São Paulo, Maluf afirmou taxativo sobre a chapa do PSOL à prefeitura paulistana:

— Erundina e Ivan não podem ser candidatos!

Alencar assustou-se e perguntou o motivo. Maluf discorreu em tom professoral:

— Disse ao Ivan que ia votar neles e ele recusou. Disse-me: ‘Seu voto individual pode até ser, mas não dê publicidade a isso, não!’. Ora, candidato majoritário tem que saber que voto é mais importante que ideologia!