Ex-marqueteiro do PT, João Santana cogita aderir à delação premiada, já negociada por sua mulher

Por Painel

O marqueteiro fala A proposta de delação de Mônica Moura, mulher de João Santana, ganhou um reforço de peso. O marido, até então reticente, decidiu entrar nas negociações do acordo de colaboração da Lava Jato. Os investigadores não viam sentido em aceitar a delação de Mônica sem o depoimento do ex-marqueteiro do PT. O casal está preso desde fevereiro em Curitiba, mas o processo corre no STF. Foi remetido por Sérgio Moro à corte após a inclusão de políticos com foro privilegiado no inquérito.

Vai pegar mal Santana tentou o quanto pôde evitar a delação. Temia muito afugentar futuros clientes. Para ele, o sigilo profissional era a garantia de que poderia continuar fazendo campanhas — ao menos em outros países.

Passo a passo A coluna confirmou as tratativas com diversas pessoas que atuam no caso. Investigadores afirmam que as negociações estão “mornas”. A defesa de João Santana nega que ele esteja negociando delação.

Intenções Dilma Rousseff quer lançar uma “carta aberta aos senadores”. A petista está discutindo os termos do documento com aliados.

Menos é mais A versão original da missiva batia muito na tecla do “golpe”. Dilma, então, foi orientada por senadores indecisos a ampliar a mensagem, sob argumento de que o tom precisa ser menos para agitar a militância e mais para virar votos.

O teu tá guardado O centrão é da base, mas está doido para dar o troco no governo Temer pela derrota na eleição à chefia da Câmara. Vê dedo do Planalto na defecção do PR, que havia prometido voto em Rogério Rosso (PSD).

Que se come frio Eis o tamanho do perigo: os 170 votos do centrão somados aos 78 votos da esquerda derrotariam a PEC do limite de gastos públicos, por exemplo.

rosso

Marqueteiro Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) achou Rogério Rosso muito cabisbaixo antes da votação. E aconselhou: “Passe um batom, abra o sorriso, assim não dá”.

Prevariquei Ao ser consultado por ministros sobre a candidatura de Marcelo Castro, o Palácio do Planalto não moveu uma palha para evitar que o peemedebista se lançasse. Acreditou que os votos do PT se dividiriam entre ele e Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Me arrependi O governo, porém, assustou-se quando o PT decidiu seguir em bloco com Castro, com o aval público de Lula. Vendo o risco de sua eleição enfraquecer a tese do impeachment, restou eliminá-lo da disputa.

Fomos dragados Um palaciano assim define o espírito do dia da votação nos corredores Planalto: “Havia virado um FlaxFlu. Se precisássemos entrar em campo entre o primeiro e o segundo turno, teríamos feito sem piscar”.

Não se entendem Apesar do movimento do PT por Marcelo Castro, o ex-presidente Lula defendeu votos em Maia até o último minuto.

Triste fim Auxiliares de Michel Temer acreditam que as chances de Cunha escapar da cassação são praticamente nulas. Um deles sentencia: “Eduardo pertence ao tempo da presidente Dilma”.

Visitas à Folha O ministro das Cidades, Bruno Araújo (PSDB), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Juliana Neiva, assessora de comunicação.

O almirante-de-esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, comandante da Marinha, e o vice-almirante Glauco Castilho Dall’Antonia, comandante do 8º Distrito Naval, visitaram ontem a Folha, onde foram recebidos em almoço. Estavam acompanhados dos contra-almirantes José Augusto Vieira da Cunha de Menezes e Flávio Augusto Viana Rocha, do capitão-de-fragata Vagner Belarmino de Oliveira e dos capitães-de-corveta Fabio Manoel Pinto e Marcus Lázaro dos Santos Oliveira.


TIROTEIO

No discurso da vitória, Rodrigo Maia agradece a Molon, Florence, Orlando Silva e Aldo Rebelo. Isso foi uma verdadeira delação premiada.

DO SENADOR LINDBERGH FARIAS (PT-RJ), sobre a aliança de Maia com a esquerda — Rede, PT e PC do B — que permitiu sua eleição para a Câmara.


CONTRAPONTO

É meu e ninguém tasca

Assim que chegou à porta do gabinete de Michel Temer para sua primeira visita como presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) encontrou três integrantes da equipe do Planalto conversando na antessala.
Entre eles estava Mozart Vianna, que, no período em que Temer comandou a Câmara, foi seu secretário-geral da Mesa — um dos cargos mais importantes na estrutura da Casa. Enquanto Maia e Viana se abraçavam, o presidente interino saiu do gabinete e viu a cena:
— Você não vai me levar o Mozart, hein? — provocou.
Maia reagiu bem humorado:
— Já estava pensando nisso, presidente!