Base do governo critica gastos e falta de entendimento da gestão Temer sobre o ajuste fiscal

Por Painel

Ajuste para quem? A base de Temer começa indicar incômodo com a falta de clareza sobre qual ajuste fiscal será, de fato, feito. Reclamam que o deficit de R$ 170 bilhões, seguido de reajustes e benesses a Estados, virou cheque especial para o governo gastar mais. Além do recente recuo no envio da reforma da Previdência, que acendeu uma luz amarela em congressistas, o governo já trata como sonho quase inatingível a aprovação do teto para as despesas públicas antes das eleições municipais.

Na navalha A equipe econômica parece estar consciente do perigo. Um importante integrante da área desabafou com senadores: se as duas medidas — teto e previdência — não forem aprovadas ainda este ano, é capaz de “ruir o teto do Planalto”.

No relento Para ele, isso faria com que Michel Temer entrasse em 2017 politicamente fragilizado frente ao mercado financeiro e à nata do PIB.

Sem brecha O calendário dá dimensão do problema: nesta semana e na volta do recesso branco, em agosto, o foco será o processo que pode culminar com a cassação de Cunha. Em setembro, vésperas da eleição, a pauta no Congresso tende a morrer.

Pé no chão Um general do presidente interino faz um resumo: “Iniciaremos um segundo semestre difícil, com baixa produtividade”.

A minha é melhor A UGT apresentará ao governo uma proposta para reduzir o déficit no sistema de aposentadorias. Mas passará longe da definição de uma idade mínima. A central sindical fala em uma CPMF exclusiva para cobrir o rombo na Previdência.

Aperitivo A contraproposta da UGT é apenas uma mostra do quão distante o Planalto está do consenso mínimo para tocar a reforma.

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Irmão de santo O deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) anda irado com os pedidos para que dê recados ou interceda junto ao irmão, o ministro Geddel Vieira Lima. “Não trabalho em terreiro para ficar despachando!”.

No seu pé O diplomata que enviou, em março, alerta sobre golpe no Brasil a embaixadas e missões no exterior terá sua gestão investigada por uma comissão interna.

Pente fino Serão analisadas as contas dos últimos cinco anos de Milton Rondó Filho, exonerado no mês passado da chefia da área de cooperação humanitária e combate à fome do Itamaraty.

Fifi Mensagens interceptadas pela PF mostram que a cúpula da OAS não poupava ninguém. Em dada conversa, César Mata Pires diz que “na Odebrecht até o boy é diretor”. Dias depois, Léo Pinheiro chama Dario Galvão, sócio do Grupo Galvão, de “mobral” ao ler um artigo dele .

Então tá Outro alvo da Sépsis, o lobista Milton Lyra, conhecido como operador de políticos do PMDB, insistia em dizer que nunca fizera lobby e que ficou rico com suas empresas, como uma rede de franquias de pet shops.

Baixou o facho Quando soube da delação de Nelson Mello, ex-diretor da Hypermarcas, que citou repasse a políticos ligados a ele, Lyra passou a se calar sobre o tema.

A ver A venda de um projeto no Peru aliviou o caixa da Odebrecht, acalmando banqueiros por ora. A empresa não é considerada, porém, “fora de perigo”. A avaliação é que a venda de negócios só deve deslanchar com um acordo de leniência.

Temperatura Aqueles que acompanham de perto as negociações do grupo dizem que as chances de uma recuperação judicial caíram, mas não estão descartadas.

Reciclei Major Olímpio (SD) usará na campanha à Prefeitura de SP o mote “Vamos acabar com toda esta vergonha”. Espera que os eleitores lembrem do seu grito de “vergonha” na posse de Lula como ministro de Dilma.


TIROTEIO

A falta de tornozeleira eletrônica não é culpa dos acusados, mas do Estado que causa uma situação injusta a quem tem direito de usá-la. 

DE MARIZ DE OLIVEIRA, advogado criminalista, sobre a prisão dos réus da Operações Saqueador devido à falta de tornozeleiras no Estado do Rio de Janeiro.


CONTRAPONTO

Falei grosso

O debate estava tão acalorado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado que o senador Romero Jucá foi chamado para garantir a aprovação do reajuste do funcionalismo. Os tucanos da comissão estavam furiosos com os aumentos salariais. Viam incoerência entre os reajustes e o propalado ajuste fiscal do governo Temer.

Neste momento, a plateia de sindicalistas quis surfar na tensão. Logo começou a reclamar que há dez anos os servidores do Judiciário não tinham aumento.

— É mentira! Vocês tiveram reajuste, sim! — bradou o senador José Anibal (PSDB-SP).
Ninguém teve coragem de rebater o tucano.