Governo dá carta branca ao TCU para fazer devassa em presentes recebidos por Lula e Dilma

Por Painel

Operação bibelô O governo Michel Temer deu carta branca ao Tribunal de Contas da União para fazer uma devassa nos presentes recebidos por Dilma Rousseff e Lula e levados com eles após deixarem o Planalto. Uma equipe de auditores trabalha dentro da Presidência para buscar os registros. Os técnicos querem ter acesso à relação dos itens ofertados e ao controle do deslocamento desde o fim de 2002 — quando um decreto regulamentou o assunto — para averiguar a necessidade de fiscalizações in loco.

Nem me viu A Diretoria de Documentação Histórica do Planalto já informou aos auditores, em ofício, que “os registros do acervo privado dos ex-presidentes, bem como da presidente afastada, seguiram com os titulares”.

Knoc O grupo cogita ir ao Alvorada fazer um inventário do que está com Dilma. No relatório em que defende o amplo acesso do TCU ao material, a Casa Civil diz que “a natureza privada do acervo não autoriza a interpretação de que está livre de controle”.

Tamo junto O governo forçou a queda de Henrique Eduardo Alves do Ministério do Turismo, mas continua a afagá-lo indiretamente. Sua antiga chefe de gabinete, Ana Paula Lima, foi nomeada na Secretaria de Governo.

Sem pressa O sucessor de Alves no comando do Turismo não tem prazo para ser definido. Um palaciano diz que o governo “está empurrando com a barriga” a decisão.

Meu amor Nas interceptações da Operação Custo Brasil, a Polícia Federal encontrou mensagens de Guilherme Gonçalves, advogado de Paulo Bernardo, dando explicações à noiva após seu escritório ser alvo de busca e apreensão, em agosto de 2015.

Não é bem assim Ele garantia que só prestou serviços a Consist, empresa suspeita de ter desviado R$ 100 milhões do Ministério do Planejamento e que lhe pagou mais de R$ 7 milhões em contratos.

Teoria e prática O Ministério Público, porém, só encontrou dois serviços prestados pelo advogado à empresa.

Déjà-vu Quando a Delta foi alvo da PF em 2013, Léo Pinheiro matou a charada: “Operação Delta. Leia-se Assad”, escreveu a um acionista da OAS. Nesta semana, quando a empresa voltou ao foco, o operador Adir Assad foi de fato parar atrás das grades.

Tá bom pra você? Celso Russomanno (PRB) e João Dória (PSDB) trabalham num pacto de “não agressão” no primeiro turno da eleição municipal. Os dois, que vem mantendo encontros reservados, costuram apoio num eventual segundo turno.

Você por aqui! A primeira conversa ocorreu num restaurante em Campos do Jordão, onde ambos têm casa. Desde então, vêm se falando com frequência. O acerto conta com as bênçãos do governador Geraldo Alckmin.

Papo reto O novo decreto de Temer prevendo canal direto do comando militar com o presidente da República diminui o poder do ministro da Defesa. Agora, os chefes das Forças Armadas despacharão diretamente com o presidente interino.

Às armas Temer está disposto a agradar os militares. Marcou para o fim de julho a assinatura da promoção de 25 generais. A queixa do setor sobre a demora de Dilma para assinar as transferências eram constantes.

Correndo por fora Enquanto Odebrecht e OAS disputam quem firma primeiro delação premiada e acordo de leniência, a Mendes Júnior, outra investigada na Lava Jato, acelera negociações com procuradores da força-tarefa.

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Faturaram Técnicos do STF se espantaram com a decisão do ministro Dias Toffoli de mandar soltar Paulo Bernardo, ato que não constava no pedido da defesa. “É como se os advogados pedissem uma Caloi e ganhassem uma Harley Davidson”, diz um.


TIROTEIO

O governo Temer está apresentando ao mundo um novo conceito econômico: o keynesianismo fisiológico.

DO SENADOR LINDBERGH FARIAS (PT-RJ), líder da oposição no Senado, sobre o aumento de gastos promovido com o apoio do governo interino, que prometeu ajuste fiscal.


CONTRAPONTO

E tenho dito!

Em abril, Geraldo Alckmin recebeu representantes do Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, que lhe apresentaram números sobre emprego. Depois de uma conversa animada, os integrantes da comitiva começaram a se despedir

Foi quando uma das participantes pediu a palavra. Disse que, além do Dieese, integrava também a Apeoesp, o sindicato dos professores com o qual o governador costuma ter desentendimentos. Ela agradeceu o tom cordial do encontro, mas fez uma advertência:

— Governador, o sr. podia tratar a gente dessa maneira também quando fosse negociar com o sindicato!