Preocupados com a economia, empresários e investidores criticam Rodrigo Janot

Por Painel

Finjo não ver As críticas ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, antes restritas ao mundo político, se expandiram para o sistema financeiro e para parte do PIB nacional. Empresários e investidores passaram a ecoar, nos bastidores, a defesa da gestão Temer de que a Lava Jato precisa sinalizar um fim para ajudar a economia brasileira a voltar a girar. O setor privado adota, apesar da queda de três ministros, postura condescendente com o governo em nome de seus projetos na economia.

Pragmatismo Curiosamente, investidores elogiam Curitiba, que pegou empresários, e crucificam Janot. Reclamam do pedido de prisão de caciques do PMDB, derrubado pelo STF, e dizem que, embora haja percalços, Temer avança nas reformas.

Devagarinho O presidente interino chegou à conclusão de que perde ao tentar aprovar projetos polêmicos antes do impeachment: a fatura cobrada por senadores a cada votação é alta, e a interinidade o obriga a ceder.

Tá vendo? Exemplo disso ocorreu no projeto de lei das estatais. Mesmo avaliando que seria melhor manter a cota de conselheiros independentes em 20%, o Planalto topou os 25% sugeridos por Tasso Jereissati (PSDB-CE) para não abrir novas negociações com os senadores.

Finalmentes A Polícia Federal concluirá em breve o inquérito que apura as causas da queda do avião que transportava o ex-governador Eduardo Campos. Aguarda apenas o último laudo antes de encerrar a investigação.

Imitação Em maio, peritos foram à Áustria reproduzir o voo fatal de 13 de agosto em um simulador da aeronave Citation. Há no mundo apenas três equipamentos desse modelo, segundo a PF.

Porta pra fora O PP pediu um parecer jurídico para apear Waldir Maranhão da cadeira de vice-presidente. O partido quer afastá-lo do cargo até o julgamento de seu processo de expulsão e, então, pedir a vaga que, nessa tese, pertence à legenda.

Olha o jabuti O Planalto trabalhará contra uma emenda à medida provisória do setor aéreo apresentada por um de seus ministros, o então deputado Ricardo Barros (PP-PR). O governo não simpatiza com a ideia de criar linhas exclusivas para operadoras regionais por dez anos.

Aritmética Nas contas do governo, dos 66 deputados em exercício do PMDB, ao menos 50 votarão pela cassação de Eduardo Cunha.

Nos detalhes Cunha foi à coletiva sem o broche de parlamentar que continuava a usar, mesmo quando estava em sua residência oficial.

dindin

Que fase O aluguel do auditório em que o presidente afastado concedeu a entrevista custou R$ 1.900, valor abaixo da média local. O Hotel Nacional há muito deixou de ser badalado por políticos.

Manifesto Integrantes de movimentos sociais favoráveis a novas eleições tentam convencer Dilma Rousseff a escrever uma carta ao povo brasileiro, comprometendo-se com a ideia. Falta combinar com Lula, PT e parte da CUT.

Conserte-se O governo prepara nova medida provisória do setor elétrico. Além de corrigir pontos vetados da última MP, ela deve agilizar o leilão da companhia goiana de energia e mexer na governança da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

Também quero Após o acordo de socorro aos Estados, a Frente Nacional de Prefeitos pediu a Temer a reabertura das negociações sobre as dívidas dos municípios.

Meu pirão primeiro Advogados brasileiros estão decididos a fazer pressão contra a tentativa do governo de aderir ao Acordo Internacional do Comércio de Serviços. Não querem abrir a porta para estrangeiros no país.

Calma, gente Para o ministro Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), a reação é precipitada. “Queremos, primeiro, entender o que esses países estão negociando. Se vamos aderir, é outra história”, diz.


TIROTEIO

Eduardo Cunha foi abandonado pelo próprio partido. Não é correto fazer isso. O PMDB tem que defendê-lo até o final.

DO DEPUTADO MAURO LOPES (MG), secretário-geral do PMDB, um dos dois parlamentares que compareceram à fala do presidente afastado da Câmara.


CONTRAPONTO

Todo santo ajuda

Na sessão desta terça, o deputado Giacobo (PR-PR), que presidia a sessão na Câmara, foi questionado por Victor Mendes (PSD-MA) se, na próxima semana, a Casa também funcionaria somente na segunda e na terça em razão das festas juninas.
— Assim definiu Waldir Maranhão. Mas não é em homenagem a ninguém! — respondeu o paranaense.
Mas Mendes não comprou a versão:
— Esta semana foi São João. Na outra, São Pedro. Sugiro a “Waldir Inglaterra” que possamos colocar Santo Expedito, o das causas impossíveis, na próxima semana. Pode ser mais conveniente para Eduardo Cunha!