Maiores devedores do país, 135 pessoas e empresas têm débito de R$ 272 bi com governo

Por Painel

Pago quando puder As 135 pessoas físicas e empresas que mais devem impostos federais no Brasil acumulam, juntas, uma dívida escorchante de R$ 272,1 bilhões. O montante cobriria, com folga de R$ 100 bilhões, o deficit fiscal deste ano. A lista de inadimplentes revela que as indústrias de transformação são as maiores devedoras — 27,4% do débito total. As empresas do ramo de comércio e de reparação de veículos vêm em seguida — 23,59%. Mais da metade dos valores é devida em SP (41,85%) e RJ (16,71%).

Pente fino A lista dos campeões nacionais de inadimplência foi feita pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, órgão ligado à Advocacia-Geral da União.

Linear A versão de que Henrique Alves se demitiu por causa de Sérgio Machado levou um amigo de Temer a apontar fragilidade no argumento: “Se ele caiu por R$ 1,55 milhão, Michel estaria a R$ 50 mil da exoneração?”, disse, sobre o R$ 1,5 milhão que o interino teria pedido.

Blindagem Para evitar que esse tipo de analogia fragilize Temer, também citado na delação, o Planalto reviu o discurso e criou a versão da “demissão preventiva”. Passou a dizer que Alves deixou o governo por saber que aparecerá em delações futuras.

Espumando Quem esteve com Michel Temer antes do pronunciamento sobre a colaboração de Sérgio Machado diz que em poucas situações o interino foi visto tão nervoso. “Vagabundo” foi uma palavra light perto dos adjetivos usados pelo peemedebista.

Opostos Avança rápido a negociação entre a oposição a Temer (PT, PC do B e Rede) e o grupo que faz oposição a Dilma Rousseff (DEM, PSDB, PPS) para a presidência da Câmara. Os dois lados falam em se unir contra o centrão de Eduardo Cunha. Rodrigo Maia, Antonio Imabassahy e Julio Delgado são cotados.

Delete Um computador da rede da Presidência alterou o verbete “Fátima Pelaes” na Wikipedia: excluiu o trecho sobre a menção da secretária de Política para Mulheres em uma operação da PF. O monitoramento das mudanças é feito pelo @brwikiedits.

Vai que eu não vou Apesar da ofensiva de Renan Calheiros contra Rodrigo Janot, senadores se dizem receosos em aderir. Acham que não há união suficiente, e o tiro pode acabar saindo pela culatra.

Indicação técnica O deputado Fausto Pinato (PP-SP) emplacou um ex-árbitro de futebol e o próprio pai na Ceagesp, central de distribuição de alimentos de SP — órgão do governo Temer. Alfredo Loebeling ficou com a área de RH e Edilberto Pinato, com a de governança corporativa.

Na cota Procurado, Pinato confirmou as indicações, mas disse que elas foram feitas pelo partido e levaram em consideração “a possibilidade de valorizar” os postos. O deputado foi o primeiro relator do processo de Eduardo Cunha no Conselho de Ética.

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Closet Cumprindo pena em regime semiaberto por facilitação de contrabando, o agente da Polícia Federal Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, trocou as famosas botas por sapatos sociais. Fez isso para conseguir acomodar a tornozeleira eletrônica.

Cobertor A morte de moradores de rua por causa do frio em São Paulo será um dos principais temas de um seminário que a pré-campanha do tucano João Doria fará no próximo dia 25, quando o PSDB completa 28 anos.

Para comparar O partido quer surfar no desgaste da gestão de Fernando Haddad (PT) e usar o tema para antecipar o debate eleitoral.

Entenda o caso O juiz André Guilherme Lemos Jorge, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, lança nesta segunda (20) o “Manual de Direito Eleitoral e Jurisprudência”, editado pela ConJur, que dá o passo a passo jurídico para que candidatos não firam a Lei Eleitoral.


TIROTEIO

A reforma política tem que ressurgir das cinzas. Depois da Lava Jato, o financiamento público das campanhas é inevitável.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), em defesa de uma reforma eleitoral depois que doações foram consideradas distribuição de propina.


CONTRAPONTO

Cadafalso

Enquanto os depoimentos corriam na Comissão do Impeachment, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) usou o microfone para anunciar o pedido de demissão de Henrique Eduardo Alves, até então ministro do Turismo.

— Mais um que cai nesse governo — tripudiou ela.

Waldemir Moka (PMDB-MS) passou recibo:

— Nesse governo, ministros se demitem, não costumam se esconder na saia de ninguém.

Com a bola levantada por Gleisi, Ronaldo Caiado (DEM-GO) resolveu cortar:

— Vamos parar de falar de corda em casa de enforcado, né? — provocou o senador, olhos fixos para a petista.