Fabiano Silveira será alvo do CNJ, que vê indício de crime em conversa gravada com Renan Calheiros

Por Painel

Aqui se paga? Mesmo apeado do Ministério da Transparência, Fabiano Silveira pode continuar levando dor de cabeça a Michel Temer. O Conselho Nacional de Justiça abre, nesta terça, investigação prévia para apurar se ele usou o cargo de conselheiro do órgão para favorecer interesses privados. A corregedora Nancy Andrighi viu indício de crime nas conversas em que ele orienta Renan Calheiros sobre a Lava Jato. Ao fim dessa fase, ela deve pedir ao plenário que abra um processo contra Silveira.

Tudo de casa Conselheiro do órgão de 2013 a 2016 por indicação do Senado, Silveira é submetido às mesmas punições dos magistrados no exercício das funções.

Não se vá No telefonema da demissão, Michel Temer ainda tentou segurar seu ministro. O auxiliar, porém, ficou inseguro quando viu, na imprensa, a expressão “por enquanto” sendo usada por integrantes do governo para definir sua permanência.

Não lavo nem passo Quando optou por mantê-lo, o presidente interino renegou conscientemente o titulo de faxineiro, marca popular nas ruas, mas antipática em um Congresso parcialmente enrolado na Lava Jato.

Açougue Seis meses depois de ter questionado o Ministério da Agricultura sobre exportações de carne enlatada a países da África na década de 1980, o PSOL recebeu resposta de que não constam atividades nem no nome nem no CPF de Eduardo Cunha.

Segredo Cunha, que justifica os recursos que tem no exterior com a exportação do produto, diz que a atividade nunca foi feita por sua pessoa física, mas em nome de empresas. Ele não quis, porém, fornecer a relação de clientes.

Destinos cruzados O Palácio do Planalto tem muito a perder com um eventual afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado. O comando da Casa cairia no colo do vice Jorge Viana, do PT.

Você de novo Bruno Mendes, que apareceu com Fabiano Silveira em áudio gravado por Sérgio Machado, é figura conhecida da Lava Jato. Foi citado na delação premiada de Ricardo Pessoa (UTC).

Elo perdido O empreiteiro narrou aos investigadores que Renan Calheiros teria indicado Mendes para “operacionalizar” doações ao PMDB.

Abafa Advogados traçam estratégia para melar o uso das gravações como prova em delações: falam em compará-las ao “flagrante preparado” — quando alguém é induzido à prática de um crime, o que não é aceito pela Justiça em todos os casos.

Supersincero De um ministro de Temer sobre a folga dada pelo Planalto ao estipular um deficit de R$ 170,5 bilhões: “Na prática, na minha pasta, não precisamos cortar nada, se assim quisermos”.

Enigma Petistas e executivos que trabalhavam com a Petrobras se dividem na interpretação do apelido “Italiano”, um das dezenas de codinomes que aparecem nas planilhas de doação da empreiteira Odebrecht.

Tutti buona gente Um grupo acredita que se trata de Antonio Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma. Outros dizem que o apelido se refere a Guido Mantega, chefe da equipe econômica de ambos.

palocci

Cadê? A ausência de Palocci em reuniões convocadas por Lula no último ano é sentida pelos petistas. O sumiço coincide com o surgimento de seu nome na Lava Jato.

Deixe estar Emídio de Souza, presidente do PT de São Paulo, disse a Lula que não concorrerá à Prefeitura de Osasco, como queria e pressionava a cúpula do partido.

Visita à Folha A deputada federal Luiza Erundina (PSOL-SP) visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebida em almoço. Estava com o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

 


TIROTEIO

A Fenapef e seus 27 sindicatos, que representam 90% do efetivo da PF, não reconhecem a lista tríplice dos delegados.

DE LUIS BOUDENS, da Federação Nacional dos Policiais Federais, sobre as indicações para diretor-geral da PF feitas ao governo Temer pela ADPF (Associação de Delegados da Polícia Federal).


CONTRAPONTO

Golaço

O deputado Silvio Costa (PT do B-PE), um dos mais aguerridos defensores de Dilma Rousseff no processo do impeachment na Câmara, conversava com um grupo de parlamentares sobre os infortúnios do governo do peemedebista Michel Temer.
Aos colegas, enumerava, com boa dose de satisfação, a lista de tombos levados pela nova administração, comandada pelo presidente interino.
Após falar sobre recuos, nomeações desastradas e gravações vazadas, o deputado federal arrematou:
— Nunca na história deste país um governo provisório produziu tantas notícias definitivas.