Governo quer moratória dos Estados de, no máximo, oito meses

Por Painel

Sem bagunça A equipe econômica resiste a aceitar a suspensão por um ano do pagamento da dívida dos Estados, como pedem os governadores. Para a cúpula dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, é razoável conceder uma moratória por um período de seis a oito meses, no máximo. Com isso, o impacto nas contas públicas não poderia exceder R$ 23 bilhões. Apesar da penúria dos governos locais, o Planalto precisa evitar o clima de “liberou geral” para não arranhar a imagem do ajuste.

Esparadrapo Paulo Hartung, que administra o Espírito Santo, propõe uma frente suprapartidária de governadores para influenciar a agenda de recuperação econômica. A moratória é só um “bandaid”, não resolve tudo, diz.

Corrida maluca Hartung defende endurecer a Lei de Responsabilidade Fiscal, pois, se não houver novas travas, as despesas continuarão subindo de elevador e as receitas, de escada.

Invadi-lo-ei O deputado Paulinho da Força (SD-SP) levará, nesta quarta (1º), José Rainha ao encontro de Michel Temer. A propriedade de um amigo do presidente interino foi invadida por militantes de sua organização, a Frente Nacional de Luta.

Obscuro Rainha foi investigado pela PF por suspeita de extorsão e desvio de verbas de assentamentos agrários.

Novo estilo Palacianos reclamam que o presidente da Câmara, Waldir Maranhão, tem dando trabalho pro governo até em coisas miúdas.

Saudades Eduardo Cunha registrava a presença dos deputados apenas na última votação do dia para evitar faltas. A regra foi suspensa e hoje há risco de falta de quórum.

Delata, menino Sérgio Machado só topou fazer delação após receber a bênção da mãe, dona Daisy.

Fominha Na conversa com José Sarney, Machado escondeu o gravador no bolso do paletó. Em dado momento, investigadores ouviram um barulho estranho. Era de seu estômago vazio.

Na balada Petistas começam a frequentar restaurantes novamente. “Já saí de casa duas vezes para jantar fora e ainda não fui hostilizado”, comemora um dirigente, após meses de reclusão.

Me patrocina O INPI, que cuida do registro de patentes, sofrerá mudanças em breve. Além de ganhar novo comando, a ideia do governo é modernizá-lo usando recursos privados. A morosidade do órgão é alvo de constante reclamação de empresários.

Devolva-me De um líder empresarial: “Com Jucá fora do Planejamento, Temer podia devolver o BNDES para o Ministério da Indústria. A gente aceita de bom grado”.

Faz um vale Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o sistema de “vouchers”, defendido por ele em palestra recente a empresários em Nova York, deveria ser usado para complementar a educação básica e universitária no Brasil.

Só vantagem Segundo o chefe da equipe econômica de Michel Temer, o mecanismo, no qual o governo reembolsa parte dos gastos dos cidadãos em redes privadas, pode melhorar o acesso à educação e elevar a qualidade das escolas no país.

apode3005painell (1)Gerúndio Ainda sem mostrar medidas concretas, apenas esboços de projetos que precisarão ir ao Legislativo, a equipe de Temer recebeu o apelido de “governo telemarketing”: “estaremos enviando ao Congresso” a proposta da Previdência, do limite de gastos, por aí vai.

Tudo em casa Marcelo Calero, titular da Cultura, tem dito que vai priorizar os servidores da pasta na formação de seu time. Quer, com isso, enviar sinal de paz aos funcionários do ministério e pôr um fim à rebelião interna.


TIROTEIO

Quem se ajoelha toda noite sou eu, mas para agradecer a Deus por tê-la tirado da Presidência da República. 

DE EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), sobre declaração de Dilma Rousseff de que Michel Temer “terá de se ajoelhar” para o presidente afastado da Câmara.


CONTRAPONTO

Durante um discurso na Câmara Municipal de São Paulo, o vereador Andrea Matarazzo (PSD) criticava a administração de Fernando Haddad e comentou que o secretário da Saúde, o petista Alexandre Padilha, era um dos que andava sumido da Casa.
Minutos após a alfinetada, Matarazzo, que é candidato à prefeitura, seguia sua fala quando, ao fundo do plenário, surgiu o próprio Padilha, sorrindo.
O ex-ministro de Dilma e atual auxiliar de Haddad estava na Câmara naquele dia participando de uma audiência. Fora avisado por petistas do comentário do vereador e não resistiu à amistosa provocação.