Temer pede que partidos aliados se entendam entre si antes de levar indicações para cargos nos Estados

Por Painel

À prova de bala Para evitar que queixas de parlamentares atinjam diretamente seu núcleo político, Michel Temer decidiu terceirizar parte da montagem do governo. Pediu que os partidos aliados se organizem entre si nos Estados e levem ao Planalto uma definição prévia das indicações. Enquanto não houver acerto, as nomeações não acontecem. Com isso, o presidente tenta impedir que a Secretaria de Governo receba o ônus de decidir entre dois padrinhos quando houver disputa por um mesmo cargo.

Seguro-emprego A terceirização blinda o posto responsável pela interlocução com o Congresso Nacional, que costuma ter alta rotatividade no Palácio do Planalto.

Não decorativo Titular da Cultura, Marcelo Calero decidiu aproveitar um dos diretores do ministério para ser seu número dois. Volnei Canônica, um dos diretorias da pasta, será nomeado secretário-executivo da pasta.

1,2,3…testando Sérgio Machado construiu seu arsenal de áudios em quatro dias não consecutivos. Gravou Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney por sete horas. Os diálogos foram produzidos entre o fim de fevereiro e o começo de março.

Te enganei! Foi numa visita de cortesia, feita a José Sarney por ocasião de sua recente alta do hospital, que Sérgio Machado conseguiu flagrar a conversa com o ex-presidente da República.

Corujão Michel Temer ligou de 20 em 20 minutos para o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) durante a votação da meta fiscal.

A cobrar O horário das chamadas demonstra preocupação maior do Planalto com o Senado do que com a Câmara. Os últimos contatos para senadores foram por volta das 4h. André Moura, líder na Câmara, recebeu o telefonema derradeiro antes das 2h.

Inimigo íntimo Henrique Alves, ministro do Turismo, tenta o apoio da Procuradoria-Geral da República, que o investiga na Lava Jato, para a legalização dos jogos de azar.

Bingo de cartela Alves apresentou ao procurador Rodrigo Janot um projeto mais light do que o discutido no Congresso — com legalização apenas de cassinos, e não de todos os jogos. Espera retorno para retomar as discussões no ministério.

Aí não pode A assessoria do PT no Senado estuda como pedir na comissão especial do Congresso a nulidade da medida provisória que reorganiza a Esplanada, considerada incompatível com a Lei de Responsabilidade Fiscal por técnicos da Câmara.

Muda mais Diplomatas ficaram aliviados com a mudança no formato de entrega das credenciais de embaixadores estrangeiros. Temer os recebeu sentado em conversas separadas. Dilma os cumprimentava de pé, em fila.

MDIC

Migalhas A pindaíba do governo é tal que há escambo de letreiros. O agora Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão pediu ao da Indústria, Comércio e Serviços que cedesse a palavra “Desenvolvimento”, que antes compunha seu nome.

Catando moeda O Planejamento sugeriu comprar a placa de “Serviços” para a pasta vizinha. Com menos letras, sairia mais barato.

Sem alternativa O PRB não tem um nome para substituir Celso Russomanno na eleição de São Paulo caso ele seja obrigado pela Justiça a sair da corrida.

Veremos Para integrantes da sigla, o fato de o partido participar do governo Alckmin não dá prioridade aos tucanos. Só a união com o PT está descartada.

Delícia Para um candidato, Fernando Haddad pode se beneficiar nas pesquisas. “Russomanno pegou muito voto do PT. Sem ele, os eleitores podem retornar”, diz um concorrente de ambos.


TIROTEIO

Depois de Alexandre Frota, o próximo passo do governo Temer é ter Bolsonaro como conselheiro de Direitos Humanos.

DE GUILHERME BOULOS, líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), sobre encontro do ministro da Educação, Mendonça Filho, com Frota.


CONTRAPONTO

Um dos capitães do impeachment, Paulinho da Força (SDD-SP) acabava de virar governo e ainda comemorava o afastamento de Dilma Rousseff quando Henrique Meirelles anunciou sua proposta para a reforma da Previdência — incluindo a revisão de direitos de quem já estava no mercado de trabalho.
Presidente da Força Sindical, o deputado emitiu nota rebatendo o ministro e classificando a ideia de “estapafúrdia”. Nem bem o texto fora publicado e Zé Maria, presidente do PSTU, telefonou para o sindicalista:
— Paulinho, você precisa se decidir! Se vai ser governo, pelo menos deixa a oposição para a gente fazer!