Com a perda de segundo general em 18 dias, agenda de Temer perderá velocidade no Congresso

Por Painel

Sem coringa A agenda Temer perderá velocidade no Congresso com a saída de Romero Jucá, segundo general do PMDB a tombar em apenas 18 dias. Sem ele e sem Eduardo Cunha, dois dos principais operadores do presidente interino no Legislativo, ficará mais difícil aprovar uma pauta econômica ambiciosa. Em conversas reservadas com aliados de sua confiança, o próprio ex-ministro do Planejamento reconheceu que, uma vez fora da Esplanada, terá menos poder para influenciar votações polêmicas.

Bate-pronto Amigos não gostaram de ver Jucá rifado pelo Planalto logo na primeira tempestade. E alertam: deixar o aliado no sereno não parece uma boa estratégia para quem quer ver o impeachment definido no Senado.

Desquite Enquanto Jucá ardia na fogueira da crise, um importante banqueiro vaticinava: “A lua de mel acabou”.

Sem tropa O mercado financeiro, fã de previsibilidade, está roendo as unhas. Vê Sérgio Machado como o homem-bomba do PMDB. Teme que ele implique Renan Calheiros e elimine mais um alto oficial do QG peemedebista.

Vitaminado Com a exoneração, Henrique Meirelles assume sozinho o papel de fiador do governo interino.

Eu já sabia O fator Lava Jato na nomeação de Romero Jucá estava contratado. Só não se sabia que seria tão rápido.

Deixa ele lá José Serra era o nome mais citado no governo como potencial titular do Planejamento. Um ministro de Temer, no entanto, descartou no ato a alternativa.

Grampo matinal Jucá relatou a amigos que, no fatídico dia da gravação, Sérgio Machado bateu à porta de sua casa num sábado, às 7h30 da manhã, sem avisar. Mas não desconfiou de nada.

gatopreto

É o 13 Depois das quedas de Jucá e Eduardo Cunha, políticos falam em “maldição do impeachment”. “Eles derrubaram Dilma e estão caindo um a um”, brinca um cacique, que completa: “Quem será o próximo?”.

Troca-troca Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, deve colocar a vice-prefeita, Nádia Campeão, na Secretaria de Educação. Assim, Gabriel Chalita, hoje titular da pasta, ficará livre para assumir a vaga de vice na chapa pela reeleição do petista.

É pra já A dança de cadeiras está 99% certa e deve ser anunciada na semana que vem, quando Chalita se desincompatibilizará do cargo para disputar a eleição ao lado de Fernando Haddad.

Não me toque Integrantes da cúpula do Ministério da Educação mandaram recolher os broches de lapela usados por alguns grupos de funcionários da pasta. Com isso, querem limitar o acesso de servidores ao elevador privativo utilizado pelo ministro Mendonça Filho.

Continue a nadar Fabiano Silveira (Transparência) esteve nesta segunda com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para debater a nova proposta para acordos de leniência. A MP de Dilma expira em dias.

Escracho Movimentos contrários ao impeachment estão convocando a militância para “seguir” ministros de Temer e, a cada aparição pública, acusá-los de golpistas.

Subo nesse palco À Frente Brasil Popular Lula prometeu comparecer a atos de rua. Há planos de um protesto nacional em junho.

Céticos Levantamento com 36 líderes congressistas feito pela In Press Oficina a pedido do site Congresso em Foco mostra que 43,8% confiam que Temer ficará até 2018 enquanto 28,1% creem na volta de Dilma.

Visita à Folha O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava com Noeli Menezes, assessora de imprensa.


TIROTEIO

Já vi de tudo nesta vida. Só nunca vi ministro licenciado de um governo provisório. Ele é um poderoso chefão mesmo. 

DO DEPUTADO SILVIO COSTA (PT do B-PE), sobre o pedido de licença de Romero Jucá, mais tarde convertido em pedido de exoneração.


CONTRAPONTO

Apressado come cru

Ao participar na manhã desta segunda (23) de debate promovido pela revista “Veja”, o ministro do STF Luís Roberto Barroso iniciou e terminou sua fala com piadas sobre o curto tempo de que dispunha para falar sobre corrupção e o legado da Lava Jato. No início, disse:

— Isso me lembra o diretor que foi chamado para fazer uma versão de Guerra e Paz para uma minissérie curta.

No fim, tendo resumido em muito sua fala, emendou:

— Procurei condensar muitas ideias. Me lembrou a história do Joãozinho, que foi instado a fazer uma redação que misturasse religião, sexo e nobreza. E escreveu: “Ó, meu Deus, como é bom!, disse a princesa, ainda ofegante.