Temer pede que ministros passem ao menos um dia por semana no Congresso

Por Painel

Esplanada móvel Preocupado com a volatilidade da base, o presidente Michel Temer determinou aos ministros indicados pelos partidos aliados que, no início da gestão, passem pelo menos um dia por semana despachando de dentro do Congresso. O peemedebista tem receio de que as insatisfações geradas pelas mudanças no desenho da Esplanada antes da posse se transformem em votos contrários a seus projetos no Legislativo. Também quer mudar a cara do diálogo com os parlamentares.

Quero paz Depois de tanta grita, Temer ouvirá, na semana que vem, militantes da área cultural. Quer uma mulher para representar o setor na futura secretaria nacional.

Vacina Na reunião ministerial desta sexta, Eliseu Padilha, novo chefe da Casa Civil, mandou uma indireta aos antecessores Aloizio Mercadante, Jaques Wagner e, por que não, Dilma Rousseff.

Não vai ter golpe Disse que todos deveriam ficar tranquilos, pois, ao contrário dos últimos ocupantes da cadeira, não pretendia usá-la para se cacifar à Presidência da República. “Será um trabalho para dentro”, prometeu.

Na boca do povo Temer fez piada com José Serra, conhecido por ser notívago. “As próximas reuniões serão às 7h”, provocou. O chanceler riu.

Mudou Ainda no encontro de trabalho com o presidente interino, Serra deu o tom de sua política externa: “Não vamos calar nem escalar”.

Bom aluno Ao ouvir de Temer que os ministros precisariam agir rápido, Marcos Pereira (Indústria, Comércio e Serviços) reagiu logo: “Meu nome é trabalho, meu sobrenome é hora extra e meu apelido é adicional noturno”.

Atrás da bênção Pereira, que é presidente do PRB e neófito no setor, se encontrará neste sábado com Robson Andrade, presidente da CNI.

É pra valer? Vice-presidente do Solidariedade, o deputado Fernando Francischini (PR) ameaça tirar o partido da base. “Não temos condições de ficar num governo que quer recriar a CPMF e cortar aposentadorias.”

Ocupação Apesar da queixa, o partido amplia seu espaço. Paulinho da Força, chefe da sigla, já havia levado o Incra. Agora terá a Secretaria de Relações do Trabalho.

Com divisão, não Petistas e movimentos sociais entusiastas da tese de novas eleições diretas pressionam para retomar o plano. Mas Dilma só bancará a proposta se a esquerda se unir em torno do tema.

Vai ser difícil A Frente Brasil Popular, porém, que reúne MST, CUT e o próprio PT, segue contra. O grupo prefere apoiar um plebiscito para convocar uma constituinte exclusiva.

Inusual Quando Dilma chegou à sala do Palácio da Alvorada em que concederia entrevista à imprensa internacional, foi aplaudida por jornalistas estrangeiros.

chiclete

Ocupar… Dilmistas não grudaram cartazes apenas nas portas da vice-presidência. Também colaram papéis atrás dos retratos oficiais da petista no Planalto. Os dizeres eram os mesmos: “Conspiradores e golpistas, a história não os absolverá”.

… e resistir Alunos da Faculdade de Direito da USP pregaram faixa com o escrito de “golpista” em uma sala onde Janaina Paschoal, autora do pedido de impeachment, dava aula durante a semana.

A teoria na prática Estimulados pela defesa de Michel de um novo pacto federativo, prefeitos das capitais e de cidades médias pediram audiência com o presidente interino na quarta-feira (18)

Casquinha A pauta da Frente Nacional dos Prefeitos é extensa: financiamento da saúde, a redução das tarifas de ônibus e a solução para o impasse dos precatórios.


TIROTEIO

Foi-se a inoperância da diversidade de Dilma II e entrou o patriarcado conservador de Temer. Nada é tão ruim que não possa piorar.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre a diferença na composição da Esplanada de Dilma Rousseff e na do novo presidente Michel Temer.


CONTRAPONTO

Arroz de festa

A discussão corria acalorada na comissão de impeachment do Senado. Para sustentar a tese de que as pedaladas fiscais prejudicaram diretamente o povo brasileiro, o senador Magno Malta (PR-ES) falava do preço do arroz de terceira, que já estaria em R$ 14 o pacote de cinco quilos.
Alguém corrigiu: o preço era do pacote de arroz de primeira. Malta, então, recorreu ao trecho do regimento que permite ao parlamentar falar se tiver o nome mencionado.
— Artigo 14, presidente!
Como o nome do senador não havia sido citado, a senadora Gleisi Hoffmann aproveitou a deixa:
— O arroz quer falar! — interrompeu a petista.