Temer usa concessões e parcerias público-privadas para atrair empresariado

Por Painel

Governo S.A. O empresariado tem escutado como música os sinais de como se comportaria uma eventual gestão Temer em relação ao setor produtivo. Nas conversas com representantes do PIB, peemedebistas capitaneados por Romero Jucá vêm repetindo que a saída para a crise econômica passa pela exploração máxima das concessões e das parcerias público-privadas. Uma das críticas ao governo Dilma Rousseff eram as amarras em regras das concessões, com o que o peemedebista promete acabar.

Resta um? Apesar de ver com bons olhos a possível chegada de Temer à Presidência, parte do PIB se preocupa com a instabilidade da gestão, principalmente por causa de desdobramentos da Lava Jato. “O ideal seria começar do zero, com um sistema político renovado”, diz um peso-pesado da economia brasileira.

Na raiz Entre as reformas que Temer pretende tocar está a do pacto federativo. O vice tem repetido a quem o procura que, hoje, Estados e municípios têm autonomia federativa e administrativa, mas não financeira e fiscal.

Descentraliza A ideia seria transferir não só responsabilidades aos prefeitos e governadores, mas também recursos suficientes para que eles as executassem.

Como faz O problema é que, com o cenário de abismo fiscal e queda nas receitas, abrir mão de recursos dificulta fechar as contas do governo.

Lá vem história Reservadamente, auxiliares de Temer admitem um novo imposto nos moldes da CPMF. A avaliação é que, se necessária, a ideia só pode ser publicizada depois de o governo ter mostrado que reduziu seus gastos e cortou na própria carne.

Xadrez O entorno de Temer gosta da possibilidade de José Serra assumir o Ministério do Planejamento ou o Ministério da Infraestrutura na cota pessoal do vice.

Balcão No Fórum Empresarial, que reuniu o setor em Foz do Iguaçu, Rodrigo Rocha Loures, assessor do vice, era tratado por deputados e empresários como “ministro informal”. Recebeu até demandas de agenda para Temer.

Olha eu Jucá também foi procurado. Ouviu de um deputado de uma bancada nanica que, como seu grupo tinha votado pelo impeachment, queria ser ouvido sobre os rumos da economia.

Além do horizonte Geraldo Alckmin está preocupado com a mudança no xadrez da política paulista que a ascensão de Temer à Presidência pode provocar. A avaliação do tucano é que o PMDB tende a crescer no Estado, onde o PSDB reinava sozinho até então, e se tornar um concorrente de peso.

Ninho O tabuleiro interno revela uma apreensão mais clara. José Serra, seu rival no PSDB, deve se fortalecer com a chegada de Temer ao poder. Aliados acreditam que a mudança pode precipitar a saída do governador de São Paulo do partido.

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No muro Um líder tucano foi questionado como seria a classificação do PSDB na Câmara, já que o partido não deve compor formalmente a administração Temer nem se opor frontalmente ao peemedebista. “Seremos governo ou minoria? Nem um nem outro, seremos tucanos.”

Muda mais Marcela Temer já deixou escapar a amigos próximos que, caso o marido assuma a Presidência, sabe que “a demanda sobre ela aumentaria muito” e que não poderia se manter “tão discreta e afastada da vida pública”.

Mas nem tanto Sua maior preocupação, revela a vice-primeira-dama, é não conseguir estar tão presente na rotina do filho, Michelzinho.

Nem adianta Há algumas semanas, Jaques Wagner sugeriu que a presidente procurasse Temer, visto pelo Palácio como “saidinho demais”. Dilma irritou-se: “É uma ideia imbecil. Não vê que ele não quer conciliação?”.


TIROTEIO 

Sem ser alvo da Justiça, Dilma pode ser destituída. Seria elementar um cronograma de afastamento de alguém que já é réu.

DO DEPUTADO CHICO ALENCAR (PSOL-RJ), sobre o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, denunciado pelo STF por corrupção e lavagem de dinheiro.


CONTRAPONTO

Pace Brasil

Em seu discurso na cerimônia de apresentação do prêmio do Fórum Empresarial, promovido pelo Lide em Foz do Iguaçu (PR), o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), falava da crise política e econômica que o país atravessa, quando soltou:
— Há maratonistas que treinam com um peso a mais para se esforçar mais e ficar bem na prova.
Na plateia, os convidados entreolharam-se sem entender a fala do aliado de Geraldo Alckmin.
França, então, emendou:
— Estamos nos livrando de um peso para correr mais agora — numa referência ao impeachment de Dilma.