Base de Temer na Câmara já começa a se desenhar, diz presidente do PMDB

Por Paulo Gama

Presidente do PMDB, o senador Romero Jucá afirmou nesta quinta-feira (21) que um eventual governo Michel Temer buscará na Câmara uma base que permita aprovar “rapidamente” até emendas à Constituição, que exigem voto de três quintos dos deputados.

“O governo Michel Temer, se existir, será de curto prazo, portanto vai ter que ter agilidade e velocidade muito maiores que o ritmo normal da política”, avaliou.

Para Jucá, a votação do impeachment é um “bom sinalizador”. “Foram 367 votos, número expressivo bem maior que a necessidade de 308 votos para aprovar uma emenda constitucional. A base começa a se desenhar”, disse.

O peemedebista disse que, ainda que o PSDB não aceite participar formalmente da gestão Temer, ajudará na Câmara. “Se quer ou não quer cargo na máquina administrativa é um direito do PSDB. O fundamental é ter na base parlamentar, e isso já está definido.”

Ele acha que “já passou do ponto” a possibilidade de que a ação de Lula e do partido consiga reverter votos no Senado para impedir que Dilma seja afastada.

Para ele, o PT tem de sair do Poder, se reciclar para daqui a alguns anos tentar se apresentar novamente à sociedade”. “Política é mudança”, disse, ao final de cerimônia de premiação no Fórum Empresarial, em Foz do Iguaçu (PR).

ONU

Na véspera do discurso na ONU em que Dilma pretende denunciar a existência de um golpe no Brasil, Jucá, disse que o país passará por um “vexame externo” caso a petista insista na ideia.

“Ela e o PT já estão fazendo um vexame interno. Seria muito triste fazer um vexame externo, expondo o país a uma situação que não é verdade, a um golpe que não existe.”

O peemedebista avalia que — ainda que Dilma conseguisse algum apoio — seria junto a países como Venezuela, Bolívia, Equador ou a “Argentina da ex-presidente Cristina”. “Não me parecem bons apoiamentos”, ironizou.

O partido de Temer deflagrou uma ofensiva para rebater a versão de Dilma.

TSE

Jucá sustenta também que o vice não pode ser responsabilizado na Justiça Eleitoral pela “ação criminosa do PT”.

“Os procedimentos que estão sendo investigados não dizem respeito à atuação do candidato do Michel Temer. Se houver a cassação da presidente Dilma, na minha avaliação, há perda de objeto da ação criminosa, que foi a questão do PT. E, portanto, Temer não pode ser penalizado por conta disso”, afirmou.

A chapa Dilma-Temer é alvo de ações na Justiça Eleitoral que pedem a a perda dos mandatos da dupla, entre outros pontos, pelo recebimento de doações que teriam como origem recursos desviados da Petrobras.

O jornalista Paulo Gama viajou a convite do Fórum Empresarial de Foz do Iguaçu