Desembarque de dois ministros do PMDB sinaliza união do partido ao redor de Temer

Por Painel

Tchau, queridos O esperado adeus dos ministros peemedebistas Helder Barbalho e Eduardo Braga será um revés para as pretensões do governo de se salvar do impeachment no Senado. Pai de Helder, o senador Jader Barbalho, até aqui uma das últimas estacas de Dilma Rousseff no partido, assim explicou o recente desembarque a um interlocutor: “caititu fora de bando vira comida de onça”. Muito próximo de chegar ao poder, o PMDB subverte a aritmética. Mostra que, na divisão, ele soma.

Menos dois Marcos Lisboa, um dos cotados por Michel Temer para o Ministério da Fazenda, almoçava com senadores da oposição nesta terça-feira (19) quando, segundo testemunhas, foi indagado por Aécio Neves: “Se convidado, você vai?”.

De chofre O economista foi rápido no gatilho: “Não”. Alguém, então, perguntou por quê. “Porque não acredito”, respondeu. Lisboa tem dito que um novo governo precisaria de legitimidade das urnas para promover reformas tão difíceis.

Agiliza aí Senadores ligados ao meio empresarial têm demonstrado inquietação com o plano de voo de Temer. Avaliam que ele deveria apresentar logo algo para animar o mercado.

Já volto Apesar da novela do impeachment, Dilma confirmou ao Itamaraty nesta terça que irá à cerimônia de assinatura do acordo de Paris, em Nova York, sobre mudanças climáticas.

Jus sperniandi O PT tentou atrair o PTB para seu bloco no Senado e, assim, conseguir número suficiente para pleitear a relatoria da comissão do impeachment. O aliado achou melhor não.

Primeiro eu O PMDB bateu o pé e ficará com a presidência da comissão. O partido mirava a relatoria, mas recuou para evitar contestação na Justiça.

Então tá Com isso, o senador Antonio Anastasia será o nome dos tucanos para a relatoria.

De olho O governo deve entrar no STF caso a votação da admissibilidade no Senado ocorra sem garantir o amplo direito de defesa de Dilma.

Arapuca Se alguma fase importante do rito for suprimida, o Planalto vai no minuto seguinte ao Supremo, podendo atrasar o afastamento.

Dilma, quem? Líderes dos partidos que votaram a favor do impeachment decidiram derrubar as três MPs que estão para vencer e trancam a pauta da Câmara. Querem mostrar que não veem mais Dilma como presidente.

Pressão Também resolveram votar contra tudo de interesse do governo até que o Senado vote a admissibilidade do pedido.

Casa do povo? Dois dias depois de abrir o impeachment, a Câmara tirou do ar texto no qual informava, já no título, que “apenas 36 deputados se elegeram com seus próprios votos”.

lualula

Olha que ele topa De Rubens Bueno, líder do PPS na Câmara, sobre a entrevista de Dilma à imprensa estrangeira: “Ela precisa ficar esperta. Do jeito que Lula gosta de ganhar imóveis, é capaz de aceitar terreno na lua”.

Não me curvo Relator do processo contra Eduardo Cunha no Conselho de Ética, Marcos Rogério (DEM-RO) diz que só mudará o curso dos trabalhos por ordem do STF.

Deixa comigo “Me parece que o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão, quer se tornar corregedor do Conselho de Ética. Ele não tem essa atribuição”, afirma Rogério.

Veja bem A PGR aguarda a decisão do STF para, só então, enviar os documentos sobre Eduardo Cunha ao Conselho de Ética. O ministro Teori Zavascki já autorizou o envio, mas a comunicação ainda não foi feita oficialmente ao Ministério Público.

Honraria O PC do B do Maranhão fará homenagem aos deputados que votaram contra o impeachment, entre eles Silvio Costa (PT do B), Jean Wyllys (PSOL) e Alessandro Molon (Rede).


TIROTEIO

Não se passa o carro na frente dos bois. Nem o impeachment já está concluído, nem o ‘day after’ será um mar de rosas.

DO DEPUTADO MARCUS PESTANA (PSDB-MG), lembrando do trâmite a ser percorrido no Senado e os desafios que o eventual novo governo enfrentará.


CONTRAPONTO

Atualização no GPS

Na tarde de sábado, véspera da votação do impeachment na Câmara, uma caravana de peemedebistas se dirigiu ao Palácio do Jaburu, onde mora Michel Temer, para cumprimentar o vice. Por causa dos ânimos exaltados, a polícia fez uma barreira já na pista que dá acesso ao local — a mesma que conduz visitantes até o Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República.
Ao se aproximar do posto policial, o carro foi parado:
— Os srs. vão ao Alvorada? –questionou um oficial.
Oposicionista ferrenho, Lúcio Vieira Lima (BA) abaixou o vidro do banco de trás e emendou:
–Ué, mas Michel já se mudou?