Dilma passa sexta telefonando para governadores e deputados; em tom deferente, pede “ajuda”

Por Painel

Sandália da humildade Confrontada com o risco do impeachment, Dilma Rousseff se desfez do figurino de presidente fechada e avessa à política. Passou a sexta telefonando para governadores e deputados. Dizia, em tom deferente: “Peço a sua ajuda”. Na antessala de seu gabinete, local de baixíssima frequência em tempos normais, uma romaria de políticos jamais vista ali ajudou o Planalto a chegar à véspera da votação do impeachment bem menos pessimista do que nos dias anteriores.

Vira virou? O movimento “nem Dilma nem Cunha” tem potencial para bagunçar o placar de domingo, segundo políticos. No grupo, há cerca de 20 deputados que se posicionaram a favor da deposição, mas dizem não querem “legitimar” Eduardo Cunha no poder.

Em cima da hora O movimento ganhou, nas últimas horas, apoio de deputados de PSB, PSD, Rede, PTdoB e PR. Uma reunião neste sábado foi marcada para bater o martelo sobre a estratégia de chamar eleições presidenciais.

Batalha de nervos A oposição escondeu 13 votos favoráveis ao governo na contagem que divulgou à imprensa, segundo planilha interna. Deputados apuraram que Dilma tinha 142 votos, mas propagaram apenas 129.

Ciúme Políticos que tentaram falar com Dilma nas últimas semanas reclamaram de não conseguir uma audiência a sós com a presidente. Como os ministros do Planalto estavam sempre presentes, aliados ficavam constrangidos em apontar erros da articulação política.

Todos os santos A bancada baiana transmitiu à petista “muito axé” de Mãe Stella, religiosa próxima de Jaques Wagner. Em reunião nesta sexta, Dilma Rousseff agradeceu o apoio e mostrou o olho grego que ganhou de presente de Fátima, mulher do ministro.

“Alô, presidente” Michel Temer passou o jantar que lhe foi oferecido na quinta-feira ao telefone. Deputados ligavam a colegas de bancada e passavam o aparelho ao vice, para que fidelizasse os votos contra Dilma Rousseff.

Até o fim Após o encontro, aliados ainda foram à casa de um deputado maranhense, onde ficaram até as 4h da manhã tentando mudar seu voto.

Mala cheia Um homem chegou num voo da TAM em Brasília, na manhã de sexta (15), com R$ 150 mil em sua mala. O conteúdo atípico da bagagem foi identificado em SP, de onde o voo partiu. Na capital, a Polícia Federal já o aguardava.

Emergência À PF, o rapaz disse que o dinheiro era para custear “um tratamento médico”. Teria mostrado um extrato bancário para tentar comprovar a origem.

Pegou mal O PP fala em tirar Waldir Maranhão da vice-presidência da Câmara em represália à manifestação de voto no governo.

ciro

Pre-pa-ra Ciro Nogueira, presidente do PP, fez um “bate e volta” em SP. Apareceu, na noite de quinta (16), em festa da grife Dolce & Gabanna, que teve show da cantora Anitta.

Plantão O ex-ministro Celso Pansera (PMDB-RJ) quer usar seu antigo ministério (Ciência e Tecnologia) como bunker para receber deputados durante a votação do impeachment. Um funcionário convocou auxiliares para trabalhar no fim de semana.

Protesto caseiro Servidores da Câmara cercaram o gabinete do cantor Sérgio Reis (PRB-SP) aos gritos de “não vai ter golpe”. Diziam que manifestantes do MBL, pró-impeachment, estavam reunidos com o deputado. A polícia Legislativa teve de ser chamada.

Visita à Folha Moreira Franco (PMDB), presidente da Fundação Ulysses Guimarães, visitou ontem a Folha.


TIROTEIO

O que me chama atenção é que, depois de 13 anos de governo do PT, ainda existam trabalhadores sem terra no Brasil.

DE AÉCIO NEVES (PSDB), presidente nacional do PSDB, sobre Dilma participar neste sábado (16) de evento de apoio ao seu governo com integrantes do MST.


CONTRAPONTO

Santo trocadilho

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) discursava no plenário sobre os crimes que, segundo ele, foram praticados por Dilma Rousseff na Presidência da República.
Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a palavra. Argumentou que Estados haviam recorrido a expediente semelhante. Provocando o colega, pediu que ele explicasse um decreto assinado quando fora governador da Paraíba.
— Vossa Excelência diz que meu argumento não para de pé. Pois digo que vossa excelência mal escuta sentado….– respondeu Cunha Lima, do púlpito.
Farias voltou a questioná-lo. O tucano não se conteve:
— Me escute! Me escute… criatura de Deus!