Grupo de Temer pressiona Renan a adotar ‘padrão Collor’ e agilizar afastamento de Dilma

Por Painel

Padrão Collor Pressionado pela oposição a imprimir na tramitação do impeachment de Dilma Rousseff o ritmo do processo contra Fernando Collor — quando o Senado demorou três dias para abrir a ação desde a votação na Câmara — Renan Calheiros (PMDB-AL) disse a líderes que “não manchará sua biografia” com o caso. O PSDB indicará o senador Antonio Anastasia (MG) para presidir a comissão. Eunicio Oliveira, nome do PMDB para a relatoria, esteve na terça por duas horas com o vice Michel Temer.

Favas contadas Já circula no Senado um calendário do impeachment produzido pela consultoria da Casa — ainda não subscrito por Renan. A decisão sobre a saída de Dilma seria em 11 de maio.

Desapego Um lulista graúdo traduz o “pacto” sugerido por Dilma nesta quarta: se escapar do impeachment, ela poderia propor eleição direta para presidente e vice em outubro, além de reformas para o país. A ideia ganha mais e mais adeptos no governo.

Vem na minha Aos deputados que o visitam Temer promete interlocução direta com a Câmara. Repete que já foi presidente da Casa três vezes e que tem autoridade para circular no Congresso.

Agente duplo Ciro Nogueira, presidente do PP, começou a frequentar o Palácio do Jaburu já na segunda, quando o partido ainda não havia desembarcado.

O caos Ministros do Planalto estão batendo cabeça. Deputados reclamam de negociar com um emissário de Dilma de manhã e serem chamados para tratar do mesmo assunto por outro à tarde.

Olhar triste Auxiliares próximos da presidente notam nela um sinal que não é de raiva, mas de profunda decepção. Ainda assim, Dilma está “firme e serena”, disse Carlos Araújo, ex-marido. “Ela cresce na adversidade.”

Parabéns Eduardo Cunha e seus seguidores adotaram uma nova forma de se despedir ao término das reuniões, quase todas elas para tratar da deposição: “Feliz impeachment para você”.

Ponta do lápis Aliados de Cunha fazem as contas: quando a decisão chegar ao Norte e Nordeste, os favoráveis ao impeachment já terão ultrapassado os 342 votos. Tucanos calculavam até de quem seria o “sim” decisivo.

Muda mais Valdemar Costa Neto, chefe do PR, admite que não contará com 2 dos 16 votos que pretendia entregar ao governo. Até deputados que ele elegeu diretamente pedem a liberação da bancada.

Na marra Presidentes estaduais do partido relatam que Costa Neto ameaça dissolver os diretórios caso votem contra a sua orientação.

Foco no clima Apesar de já cantar vitória, os operadores do impeachment ainda se empenham em produzir fatos novos que deem a aparência de “já ganhou”. Já os emissários de Dilma avisam: “Deixem pensar que estamos mortos”.

Efeito colateral Para um ministro do TCU, o voto sobre fraudes em obras de Angra 3, que pode levar à declaração de inidoneidade de empreiteiras, coloca pressão sobre a CGU.

Quanto? Os indícios de irregularidade irão para o MP. Até que o caso volte ao tribunal, a CGU deve ter fechado os acordos de leniência. Mas, se não forem “ambiciosos”, já estará tudo encaminhado para punir as empresas.

Dia seguinte Autoridades de Brasília já começaram a desmarcar compromissos agendados para a segunda-feira (18) nos Estados. Temem represálias nas ruas.

‌Disfarce De um palaciano sobre o acirramento dos ânimos: “Do jeito que a coisa vai, teremos de nos fantasiar de Fofão para andar pela Esplanada sem ser reconhecidos por manifestantes!”.


TIROTEIO

Aqui vai ser igual ao desastre com a barragem de Mariana. O dique se rompeu e está levando tudo o que encontra pela frente.

DO DEPUTADO LUIZ CARLOS HAULY (PSDB-PR), sobre os partidos que desembarcaram do governo e começaram a aderir ao impeachment.


CONTRAPONTO

Hipócrates quem?

O deputado Pauderney Avelino, líder do DEM, começou a reclamar de afonia diante do desgaste com os inúmeros eventos parlamentares dos últimos dias.

Vendo o sofrimento do colega de partido, Onyx Lorenzoni (RS) se prontificou ajudar e começou a receitar uma lista de remédios para aplacar a dor de garganta. Ofereceu de própolis a gargarejos com água morna.

Aflito, Avelino interessou-se pelas recomendações.

— Mas você é médico, Onyx? — perguntou, curioso, Lúcio Vieira Lima, peemedebista da Bahia, que observava o diálogo dos colegas de Câmara.

— Veterinário — respondeu o democrata gaúcho.