No Senado, relatoria do impeachment deve ser confiada a Eunício; Renan promete não atrapalhar

Por Painel

Um passo à frente Certo de que a abertura do processo de impeachment pela Câmara é irreversível, o PMDB do vice Michel Temer já deu início às discussões sobre quem comandará o caso no Senado. A relatoria do parecer deve ser confiada ao líder Eunício de Oliveira (PMDB-CE). Renan Calheiros, antes visto como último porto seguro de Dilma Rousseff, promete não impor dificuldades à tramitação. Estima-se em 15 dias o prazo para o início do julgamento, quando a presidente teria de ser afastada.

Me escapuliu “Não adianta virem perguntar ‘quem poderá nos defender’. Não vai ser Renan, pois aqui não tem Chapolin Colorado”, brinca um aliado, negando, desde já, socorro ao Planalto.

Arruma outro Responsável por notificar Dilma sobre a abertura do processo, o primeiro-secretário do Senado, Vicentinho Alves (PR-TO), já confidenciou que prefere que um colega cumpra a missão.

Minguou Dos 39 deputados do PSD, 14 votariam com Dilma até terça (12). Com o desembarque de PP, PRB e de parte do PR, os 14 logo se tornariam 9. Isso se não desidratar mais, diz um parlamentar.

Mesma praça Dilma deve assistir à votação do impeachment no Alvorada, cercada por seu núcleo duro.

Da onça A presidente ficou indignada com as notícias de que ela e o ex-senador Gim Argello, preso pela Lava Jato, eram amigos. “Sabe quem ele apoiou em 2014? O Aécio!”, disse, em seu gabinete.

Passar bem Armínio Fraga mandou um correio elegante ao vice Michel Temer. No fim de semana, avisou não estar disposto a assumir a Fazenda.

Nos detalhes O governo avalia se é prudente recorrer ao Supremo antes de o parecer ser votado no domingo. Uma decisão negativa da corte antes disso seria lida como derrota, influenciando os indecisos.

Perspectiva de poder Às 19h10, havia 31 parlamentares no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice. Na mesma hora, no 4º andar do Palácio do Planalto, onde fica a articulação política, 13 aguardavam sua vez.

 

Pressão Aliel Machado (Rede-PR) diz ter sido procurado por três deputados próximos de Temer insistindo para que aceitasse um encontro com o vice. “E Eduardo Cunha disse que eu não conseguiria nem andar em Ponta Grossa, minha cidade.”

 

Hein? “O cara me bate todo dia. Como vou sugerir uma coisa dessas para ele?”, reagiu o presidente da Câmara.

Rodou A Polícia Legislativa da Câmara registrou, nesta terça, ter apreendido com uma assessora da liderança do PT 2,02 gramas de maconha, segundo laudo preliminar. A liderança diz que a funcionária, em depoimento, negou estar com o material.

Bela indicação A Secretaria de Portos nomeou para um cargo na presidência da Docas de SP uma ex-candidata a miss Itajaí, sem experiência. Um aliado de Ricardo Izar (PP-SP), pró-impeachment, foi demitido do órgão.

Pepino O BTG enfrenta processo na Justiça Eleitoral por suposta irregularidade em doação de 2014. A Receita viu indícios de que o BTG Asset Management doou mais que o fixado em lei (2% do rendimento bruto). O caso corre no TRE do Rio.

Errei Foram R$ 5,2 milhões para PT, PMDB e DEM. Dilma foi a única presidenciável a receber diretamente — R$ 1,25 milhão. O BTG diz que o processo decorre de um “equívoco na declaração ao TSE” e que respeitou as regras eleitorais.

 

 

danca

The Voice Brasil Cunha deixava a Câmara após a votação do impeachment na segunda quando como seriam coisas daqui para frente. Respondeu cantarolando: “Tudo vai ser diferente…”.

Visita à Folha Eduardo Fischer, presidente da MRV Engenharia, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Sérgio Paulo Amaral dos Anjos, diretor comercial, e Tania Belickas, gestora-executiva de Relações Institucionais.


TIROTEIO

Não tem jeito. Daqui para frente, será assim: a cada dia uma nova agonia. Mas é preciso lembrar que ainda temos cinco dias.

DO VEREADOR PAULO FIORILO, presidente do PT paulistano, afirmando que o governo ainda tem tempo para angariar apoio até a votação do impeachment.


CONTRAPONTO

Se piscar… já foi.

Na reunião de líderes partidários nesta terça-feira (12), os deputados discutiam qual deveria ser o limite de tempo para cada parlamentar pronunciar seu voto na sessão que decidirá o futuro Dilma Rousseff.
Houve diferentes propostas. Sugeriram o limite de um minuto, 30 segundos, 15 segundos e, finalmente, de 10 segundos. O petebista Jovair Arantes, relator da comissão do impeachment, fez um apelo aos colegas:
— Pessoal, tem gago aqui na Câmara! E, para quem é gago, 10 segundos é muito pouco!
Arantes até arrancou risos, mas foi voto vencido. Ganhou a proposta de 10 segundos.