PR, PP e PSD têm alto histórico de traição ao governo em votações importantes

Por Painel

Terreno pantanoso O histórico de fidelidade dos partidos do “centrinho” mostra que o Planalto arrisca muito ao apostar suas fichas em PR, PP e PSD. Em decisões recentes importantes para Dilma Rousseff, os três partidos têm dado menos da metade de seus votos ao governo — e até dirigentes das siglas têm consciência de que o índice não deve melhorar muito agora. O PP, por exemplo, promete entregar até 30 dos 51 deputados, mas estimativas mais conservadoras veem um limite de 11 votos pró-governo.

Pacotão A assinatura de empréstimos de Estados com bancos públicos se tornou um item tentador para melhorar o humor de governadores e fazer com que eles busquem votos em favor de Dilma nas suas bancadas.

Consignado O governador Robson Faria (PRB-RN) esteve em Brasília durante a semana para cobrar a liberação de R$ 850 milhões do Banco do Brasil.

Pacotão Até as indicações para o segundo escalão de agências reguladoras, antes vistos como inegociáveis, estão sendo colocados na discussão com os partidos.

#tápuxado Com a queda de aprovação dos presidenciáveis da oposição entre os eleitores e a estabilidade de Marina Silva nas pesquisas, ficou menos interessante para os tucanos aderir à proposta de novas eleições — gerais ou via TSE.

Só falo escondido Para integrantes da cúpula do PSDB, é preciso prazo para recuperar popularidade. Daí a vantagem do impeachment, opção que oferece dois anos para que os tucanos recuperem fôlego.

Nota de corte O Vem Pra Rua deve alterar em seu site os critérios de classificação dos deputados contra e a favor do impeachment. Hoje, só são marcados como pró-deposição os que fizeram “declaração pública perante seus eleitores”.

Infla aí A ideia é turbinar a contagem nesta reta final e incluir também os que sinalizaram reservadamente que estarão contra Dilma.

Vingança O PC do B está nervoso com a possibilidade de criação da CPI da UNE. O comunista Orlando Silva (SP) pediu a Marco Feliciano (PSC-SP), autor do pedido, que parasse de coletar assinaturas. “Eles já aprontaram muito comigo”, rebateu o pastor.

Não emplaca O PT não trará os mais pobres para o ringue do impeachment se não vender um projeto de país, diz Renato Meirelles, do Data Popular. “Quando a esquerda brada o ‘não vai ter golpe’, sem juízo de valor, dialoga com a elite, não com a maioria.”

 

Perfil Dados do instituto indicam que 62% dos brasileiros adultos concordam com políticas que promovam igualdade social. Mas muitos sequer entendem quem estaria dando o “golpe”.

Potencial Finda a crise política, há espaço para crescimento. O Data Popular estima 29,5 milhões de famílias sem máquina de lavar e 48,2 milhões sem computador. Há ainda 19,6 milhões de pessoas com segundo grau e vontade de fazer faculdade.

nuvem

 

Voando Segundo Júlio Delgado (PSB-MG), há três tipos de deputados: o contra o impeachment, o a favor e o “iCloud”, que “está na nuvem e pode ser capturado por qualquer um”.

Naftalina No dia em que a comissão do impeachment de Collor, em 1992, votou o parecer, eram 374 os deputados que declaravam voto a favor da deposição. Apenas 36 defendiam o então presidente publicamente.

Invejosos O embaixador do Brasil em Portugal, Mario Vilalva, reage a críticas de que tenta se cacifar para um governo Temer. “Se desejam meu posto, peçam à presidente. Aos desassossegados, recomendo que façam mais política externa e menos mexericos”.


TIROTEIO

Essa vitória que a presidente Dilma Rousseff busca a qualquer custo pode ser a maior das derrotas do governo dela.

DO SENADOR AÉCIO NEVES (PSDB-MG), sobre as dificuldades de governabilidade que a rival enfrentará caso escape do impeachment.


CONTRAPONTO

Mera coincidência

No cafezinho do Senado, área de convívio restrita a parlamentares, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) divagava sobre o futuro do governo Dilma Rousseff quando a colega Vanessa Grazziotin (PC do B-AM) se aproximou da rodinha de conversa.
— Olha, ela fez plástica nos olhos — apontou Lindbergh, provocando a amiga.
Grazziotin corou no ato.
— Fica quieto! — respondeu ela.
Lindbergh, então, explicou:
— Não é para ter vergonha. É que fiquei preocupado de você ficar parecida com a Marta Suplicy.