Michel Temer recebe romaria de dirigentes partidários favoráveis ao impeachment

Por Painel

É tudo nosso Longe dos holofotes, Michel Temer tem recebido uma romaria de dirigentes partidários favoráveis à queda de Dilma Rousseff. No início da semana, foi visitado por uma comitiva do DEM, incluindo o presidente Agripino Maia. Marcos Pereira, do PRB, esteve com o vice duas vezes desde que rompeu com o Planalto. Sarney Filho o procurou para avisar que o PV abraçaria o impeachment. O vice diz aos interlocutores que todos serão chamados a colaborar no “tempo adequado”.

Muita fé João Campos (PRB-GO), presidente da Frente Parlamentar Evangélica, que tem 199 signatários, esteve com o vice um dia antes de o grupo anunciar o apoio ao impeachment. Ele diz que tratou de assunto pessoal e que não representou a frente.

Cara crachá Eduardo Cunha (PMDB-RJ) quer exibir, no placar eletrônico da Câmara, a foto de cada deputado quando for anunciar o voto contra ou a favor de Dilma.

Como nuvem Nas idas e vindas do impeachment, peemedebistas comemoravam que uma sequência de fatos nas últimas horas voltou a dar fôlego à deposição.

De uma vez Três pontos animaram a oposição: a delação da Andrade Gutierrez; a manifestação de Rodrigo Janot sobre Dilma; e a decisão da Globo de transmitir ao vivo a votação no plenário.

Separa A Polícia Militar do DF definiu o esquema de segurança para o domingo de votação do impeachment no plenário da Câmara. Sugestivamente, a turma de Dilma ficará à esquerda da Esplanada, e os opositores, à direita.

Não passarão A área do espelho d’água, diante do Congresso, bem como a praça dos Três poderes, onde ficam Supremo e Palácio do Planalto, serão interditadas.

japa

Até tu, Brutus De passagem por Curitiba, um defensor da Odebrecht foi tietar Newton Ishii. “Quando volto à Bahia e digo que estava com o japonês da federal, ninguém acredita”, disse o advogado, ao lado do agente.

À espera Das oito concessões da primeira etapa do programa federal de Investimento em Logística, só três tiveram linhas definitivas de financiamento aprovadas pelo BNDES. Mesmo assim, dois ainda aguardam o dinheiro chegar.

Perigo Obras da BR-163, a cargo da Odebrecht, já pararam. As da BR-153, sob responsabilidade da Galvão, não andam. “O BNDES está com menos credibilidade que o governo federal”, diz um banqueiro.

Impasse O BNDES redobrou os cuidados após a Lava Jato. O problema é que os leilões só saíram sob a promessa de financiamento público. Os bancos deram garantias e empréstimos temporários às obras e, agora, temem prejuízo.

O perseguido Eduardo Cunha é alvo de mais de 50 ações populares no país. Há pedidos de afastamento apresentados a juízes do interior, que não têm competência para julgar o caso. Cunha reclama de chicana jurídica para desgastá-lo.

Dá-lhe recurso Mal o STF intimou o presidente da Câmara a apresentar sua defesa no caso das contas não declaradas na Suíça, e ele já recorreu. Cunha alega que nem todos os documentos foram traduzidos para o português pelo MP e pede mais prazo.

Visionário Em tempos de Lava Jato, um industrial de máquinas e equipamentos rememorou os ensinamentos de Tancredo Neves: “Ele é quem sabia das coisas. Dizia que telefone era só para marcar encontro. E, mesmo assim, no lugar errado”.

Porão da crise Em conversa esta semana com executivos de construtoras que erguem o Minha Casa, Minha Vida, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) ouviu que “o alçapão do desemprego será aberto entre julho e agosto”.


TIROTEIO

Mando um recado ao ministro Helder Barbalho: que faça bom uso dos cargos e enfie todos eles naquele lugar.

DO DEPUTADO RICARDO IZAR (PP-SP), que acusa o ministro dos Portos de demitir um afilhado político seu após manter voto a favor do impeachment.


CONTRAPONTO

HQ do golpe

A dias do início da votação do impeachment no plenário, a Frente Brasil Popular, que reúne movimentos de esquerda e o próprio PT, intensificou as ações contra a deposição de Dilma. Nas ruas e nas estações de metrô de São Paulo, foram distribuídas histórias em quadrinhos com o título “Querem dar um golpe em você”. Numa delas, personagens brancos estão invocados. Um diz:
— Antes, na faculdade do meu filho, não tinha preto.
Os demais personagens sorriem e afirmam:
— Graças a programas sociais, financiamentos populares e ao salário mínimo melhor, saímos de barracos para casas de tijolo.