Bancos brasileiros entram em estado de alerta em relação à Odebrecht, que tenta renegociar dívidas

Por Painel

Sinal amarelo Os bancos brasileiros entraram em estado de alerta em relação à Odebrecht. Dos cerca de R$ 100 bilhões que o grupo deve, ao redor de R$ 35 bilhões estão nas mãos de instituições brasileiras, segundo os últimos dados públicos do grupo. Hoje, há R$ 6 bilhões livres no caixa da holding. A cúpula da Odebrecht entende que precisa de um acerto “ambicioso” com os bancos, que garanta liquidez, enquanto fecha um acordo de leniência com o governo e tenta vender parte de seus negócios.

Mãos à obra A avaliação é que a negociação com os bancos, apesar de dura, é possível. Nos bastidores, porém, a recuperação judicial não está mais descartada caso a situação financeira piore. Oficialmente, a empresa nega que irá recorrer à medida.

Afeta o resultado BB, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander fizeram empréstimos vultosos ao grupo e fazem as contas: caso a recuperação judicial seja adotada, terão de registrar imediatamente em seu balanço, como possível perda, de 30% a 70% do que deram.

Você por aqui? Antes de protocolar o pedido de impeachment contra Michel Temer na Câmara, Cid Gomes esteve em gabinetes no Planalto.

Limpa geral Aliados de Temer foram orientados pelo vice a não falar sobre a composição de um novo governo. Reservadamente afirmam que, se houver impeachment, a tendência é de uma troca geral dos postos na Esplanada.

Essa aí passou Nas últimas conversas que teve em Brasília durante a semana, o ex-presidente Lula se queixou de lentidão e da falta de sensibilidade do governo. Questionou a vários aliados: “Como deixamos a crise chegar a esse ponto?”.

ademar

Ecos do passado Muita gente se assustou com a operação Carbono 14, deflagrada nesta sexta (1). “Do jeito que a coisa vai, vão investigar a participação da Dilma no assalto ao cofre do Ademar [ex-governador Ademar de Barros]”, diz um petista.

Por ora, não O PRB jura que não recua do rompimento com o governo. Integrantes da sigla só admitem mudar de opinião após as eleições municipais. Isso se, naturalmente, Dilma vencer.

Foco na urna Manter distância da presidente é visto como essencial para preservar as candidaturas a prefeito do deputado Celso Russomanno, em SP, e do senador Marcelo Crivella, no Rio.

Ih, fora! O Planalto, aliás, não conta com o voto a seu favor no impeachment de nenhum candidato nas eleições municipais deste ano.

Podem olhar? José Carlos Aleluia (DEM-BA) entrou com representação na Procuradoria da República no DF contra Guilherme Boulos, coordenador do MTST, por suposta incitação ao crime e formação de milícia particular.

Fazendo graça “Ele apareceu na CPI dos Anões, no escândalo das ambulâncias e na lista de caixa dois de Furnas. Está querendo reciclar a aparição pública”, diz Boulos.

Tentativa e erro João Doria ligou para Alberto Goldman antes que ele entrasse com representação na Procuradoria Eleitoral acusando o empresário de compra de votos nas prévias. Não  demoveu o ex-governador da ideia.

Climão A relação entre as duas famílias tucanas está estremecida. Bia Doria chegou a dizer que Deuzeni Goldman, mulher de Goldman, era “ingrata”, pois já havia ganhado um carro num sorteio promovido por seu marido.

Visita à Folha Márcio Fernando Elias Rosa, procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Arnaldo Hossepian Junior, conselheiro do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).


TIROTEIO

Os petistas dizem que vamos acabar com o Bolsa Família. Mas somente neste ano a área social do governo Dilma já perdeu R$ 10 bilhões.

DE FLORIANO PESARO (PSDB-SP), secretário de Desenvolvimento Social do governo Alckmin, sobre os cortes e contingenciamentos federais.


CONTRAPONTO

Um dos principais articuladores contra o impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, o vice-líder do governo Silvio Costa (PT do B-PE) passa os dias buscando o voto dos indecisos e provocando os já decididos.
Durante a semana, encontrou o “homólogo” Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), escudeiro da deposição da petista. Aproveitou para alfinetar:
— Pois só hoje já ouvi cinco deputados do PMDB dizendo que vão votar com a gente!
O peemedebista rebateu no mesmo clima:
— Devem ser amigos dos dez governistas que me pediram para ir ver Michel Temer!