Líderes de partidos da base reclamam da lentidão do governo para negociar cargos

Por Painel

Perdidos na noite Líderes que ainda remam com o governo reclamam que o Planalto age lentamente diante da crise. Quem visita o Palácio repara que, com pouco mais de uma semana para virar o jogo do impeachment, os generais da articulação política têm apenas uma lista de possíveis votos, não um mapa sofisticado de cargos, pendências e demandas para atrair deputados. Segundo aliados, o governo quer negociar sua redenção na bacia das almas, mas não sabe direito como “comprar” simpatia.

Acorda! Para três líderes da base, o ritmo de reação dos ministros Jaques Wagner (chefe de gabinete) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) está aquém do desejável.

Tá na mão A secretaria diz ter o mapa de primeiro e segundo escalões 100% desenhado. O problema, sustenta, são demandas e indicações antigas, que chegaram por líderes sem a paternidade discriminada.

Mais tarde O PP, hoje com mais de 50 deputados, deve decidir depois que rumo tomar. “Não vamos agir a reboque do PMDB”, diz um deles. Dos 11 novos filiados, a maior parte ainda é contra o impeachment.

Terreno na lua A tropa dilmista usa o seguinte argumento para convencer indecisos: se ficarem com a presidente, assumirão a sociedade do governo com mais e melhores ministérios.

Raspa do tacho Já se optarem pelo “ministério de notáveis” de Michel Temer, ficarão com as sobras do que PMDB e PSDB não quiserem.

Senti falta Políticos e agentes de mercado notaram poucos caciques na foto do desembarque do PMDB. Para o tamanho da notícia, o retrato ficou desproporcional.

Ábaco Nos cálculos de palacianos, Dilma possui hoje 140 deputados fiéis. Apesar das chances cada vez menores de sobrevivência, há ainda uma parcela volátil de votos.

Ninguém sai! O ministro Eugênio Aragão (Justiça) vai manter todos os secretários da pasta, além dos comandos de PF e Funai.

Régua Aliados veem tratamento diferente da Lava Jato em relação à família de Eduardo Cunha. Seus parentes tiveram a apuração enviada a Curitiba, enquanto os de Lula, Fernando Collor e João Santana estão no STF.

Tenta você? Na segunda, ao saber que a Fiesp publicaria anúncio apoiando o impeachment, Dilma telefonou a líderes empresariais e pediu para que tentassem convencer Paulo Skaf a recuar. Ouviu que não havia o que fazer.

É o que temos Estudo recebido pela Petrobras indicou que o melhor para a estatal é mesmo reduzir de 28 para dez o número de sondas pedidas à Sete. Mas o aluguel pode voltar a ser de 15 anos, como inicialmente acertado.

Vai ou racha Executivos envolvidos nas negociações dizem que, se até o final desta semana não houver acordo, a Sete Brasil terá de pedir recuperação judicial.

empreiteiras

Lacrou O Cade está ansioso para receber os últimos achados da Lava Jato. O documento que traz as regras do “Sport Club Unidos Venceremos”, apreendido na casa de um executivo da Odebrecht, é visto como definitivo no caso contra as empreiteiras.

Visitas à Folha Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB (Comitê Olímpico do Brasil) e do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio, visitou ontem a Folha, a convite do jornal, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Mario Andrada e Silva, diretor de comunicação, e Emerson Figueiredo, gerente de comunicação.

Jarbas Barbosa da Silva Jr., diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Carlos Estênio Brasilino, assessor de imprensa.


TIROTEIO

O conde Matarazzo é um fujão. Mostrou enfim quem verdadeiramente é. Agora vai chorar no colo do Kassab. E da Dilma!

DE JOÃO DORIA (PSDB), candidato à Prefeitura de SP, sobre a filiação de Andrea Matarazzo ao PSD, partido de Gilberto Kassab e que ainda integra a base do governo.


CONTRAPONTO

Deus e o Diabo na Terra do Sol

Durante a sessão desta segunda (28), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chamou o próximo orador:
— Com a palavra, o deputado Glauber Rocha — anunciou o chefe da Casa.
Glauber Braga (RJ), deputado pelo PSOL e ferrenho crítico de Cunha, decidiu pagar na mesma moeda.
— Posso então chamá-lo de Eduardo Paes — rebateu.
Do fundo do plenário, um gaiato aproveitou para tumultuar ainda mais a cena:
— Eduardo Paes, não! Pode chamar de Dudu Caranguejo mesmo! — disse, em referência ao codinome de Cunha nas planilhas da Odebrecht.