Planalto classifica reunião do PMDB como ‘Dia D’ do governo e teme debandada da base

Por Painel

À espera do sinal A próxima terça-feira, quando o PMDB deve sacramentar a saída do governo, está sendo chamada de o “Dia D” no Planalto. A avaliação é que os demais partidos da base, PP à frente, tomarão decisão semelhante em seguida. O presidente de uma das siglas mais próximas de Dilma Rousseff projeta um cenário em que PT, PC do B e alguns deputados avulsos seriam os únicos a se manter com o governo. “Não temos vocação suicida. Não vamos morrer abraçados a eles”, diz.

Não vai colar Aliados de Michel Temer têm enfatizado que o momento é de marcar posição. Quem não aparecer na reunião do diretório ficará marcado como governista. “Não dar as caras será mostrar sua cara”, diz um interlocutor do vice.

Só no sapatinho Temer, aliás, vem mantendo distância estratégica de Brasília nos últimos meses. Nas últimas semanas, a “clausura” se intensificou. Quem precisa falar com o vice o encontra na capital paulista.

Fica, vai ter bolo Pressionado por deputados, Ciro Nogueira, presidente do PP, marcou para a quarta (30) uma reunião com as bancadas da sigla no Congresso. Parte crescente do partido advoga pela saída.

Sem volta Apesar da demissão de George Hilton e dos ataques do Planalto, o PRB, primeiro a dar adeus a Dilma Rousseff, diz que não há a “mínima chance” de retornar à base aliada do governo.

Pegou geral A menção a políticos do PSDB ao PT na delação de Pedro Corrêa fez com que todos ficassem com frio na barriga e um pé atrás antes de usá-la como munição. Dizem que ainda é preciso ver quais provas serão exibidas.

Arrasou O Planalto avaliou como positiva a repercussão das entrevistas de Dilma à imprensa estrangeira. Segundo um palaciano, o governo estava “apanhando caído” no resto do mundo. “Hoje, estamos lutando”, afirma.

Queremos bis! Auxiliares tentam convencer a petista a conceder uma segunda entrevista, focada na economia.

Não para, não A CMP e o Levante Popular da Juventude farão giro pela periferia de SP neste sábado com carros de som. Buscam apoio das camadas mais pobres, que ainda não se engajaram nas manifestações.

Que hora O governo estima que o novo marco regulatório das telecomunicações trará bilhões aos cofres públicos nos próximos anos. Mas a legislação será encaminhada ao Congresso em abril, ápice do processo de impeachment. Ninguém dará bola.

Já sei Em reunião no Palácio da Alvorada, Aloizio Mercadante (Educação) — que havia tempos não frequentava a residência oficial da chefe — sugeriu o anúncio de um plano de recuperação econômica para sair da crise.

Isso é sério? A ideia do ministro foi sacrificada em poucos minutos, sob o argumento de que não dá mais para “vender terreno na lua”. Em resumo: pacotes de medidas não vão mais colar em meio à turbulência.

Me situa! Tesoureiros de campanha tiveram dias agitados após a divulgação das planilhas da Odebrecht. Políticos pediam orientações. Outros se diziam desmemoriados. Alguns juram que, se houve repasse, veio do partido.

O novo A divulgação da lista da Odebrecht reforçou o argumento usado por Geraldo Alckmin para apoiar João Doria como o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo. Para ele, alguém de fora da classe política terá vantagem nestas eleições.

DORIA
‌Evolução Durante as prévias, o empresário João Dória Junior era chamado por rivais nos bastidores de “João Dólar Juros”. Agora, candidato oficial, foi apelidado de “50 cents”. “Não chega a um dólar. É o dólar pequenino”, brinca um maldoso tucano.


TIROTEIO

 O governo oferece cargos como o conquistador que manda flores, mas não tem pudor de tomar de volta quando não precisa mais.

DE LÚCIO VIERA LIMA (PMDB-BA), favorável ao impeachment, sobre estratégia do Planalto de cooptar deputados de partidos pequenos com oferta de espaço.


CONTRAPONTO

Sorriso amarelo

O vice-presidente Michel Temer, 75, é cheio de boas histórias em seu repertório, mas é tido como um péssimo contador de casos.
Em uma viagem a Nova York, em 2015, para dar uma palestra a investidores, decidiu descontrair a plateia, incluindo em sua fala uma piada.
Contou que, certa vez, em viagem à Inglaterra, o presidente da Câmara dos Comuns lhe disse que em seu copo não havia água, mas gim.
Em seguida, completou:
— Juro que no meu copo aqui só tem mesmo água!
O problema é que ninguém riu.